Foto: Bitenca

Moto nova anda menos, Mudanças no mercado,

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Sou proprietário de uma Honda XR 250 Tornado, ano 2008 e tenho uma dúvida que gostaria de ver esclarecida por Vossa Senhoria. Acompanho assiduamente as publicações motociclísticas no Brasil, comprando todos os meses as prestigiosas revistas MOTO, DUAS RODAS, MOTOMAX, MOTOCICLISMO e lendo o MOTONLINE. Porém, não consegui ainda entender a discrepância que existe entre o desempenho da Tornado até 2005 e a Tornado atual. Alguns testes publicados, inclusive no site Motonline, dão conta de que a essa moto podia ir até 135km/h de velocidade real, mas atualmente os testes apontam para 121 até 126 km/h. A única diferença que existe entre as Tornados de 2005 para baixo e as 2008, que pude notar, é o sistema de exaustão, tanto a ponteira quanto a curva. No caso da ponteira, parece que a atual é mais fechada, já com relação à curva, existe um corte próximo ao local onde o piloto encosta a perna, que deve possuir algum elemento filtrante. Acredito que deva haver ali algo que diminua a potência real da moto. Portanto, gostaria de fazer duas perguntas: 1 – Existe de fato diferença no sistema de exaustão que diminua a potência real da Tornado 2008 em relação às Tornados anteriores (até 2005)? Sua publicação tem alguma matéria fazendo esse comparativo ou submetendo-a ao dinamômetro?2 – Se o sistema for diferente, seria possível trocar com proveito o sistema completo de exaustão da Tornado 2008 para o da 2001, por exemplo, para que os números de desempenho voltem aos parâmetros antigos? Muito grato pela atenção e agradeço Vossa Senhoria puder sanar-me essa dúvida. Paschoal, 36, Brasília, DF

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R: Paschoal, as fábricas têm grande preocupação para com a imagem da motocicleta como um todo e sendo impelida por legislação ou não o fato é que elas modificam seus produtos atendendo ou superando as normas existentes. Isso vai promover, em geral queda do rendimento da motocicleta. Aumento da restrição ao escapamento, atenuação da ressonância da caixa de ar, válvulas para recirculação dos gases do respiro do motor são as principais aplicações que utilizaram entre o Promot2 e o atual Promot 3.
A indústria de escapamentos esportivos se preocupa em retomar os melhores resultados de performance perdidos nesse processo. Me parece que no seu caso seria mais indicado essa opção. Perceba que ao substituir o escapamento por um esportivo você não estará colaborando com a redução das emissões, principalmente a de ruído no seu caso, então recomendo que procure um que seja mais livre para o motor sem exceder em ruído o que especifica o manual do proprietário (86db (A) a 3750 rpm). Poucos fabricantes de acessórios se preocupam com isso. Boa sorte.

Caro Bitenca. Gostaria de uma opinião sua a respeito dos últimos lançamentos da Honda e Yamaha, no Brasil. A Honda lançou a CB300 e XRE300, mas ao contrário do que muitos pensam, não foi para agradar aos seus -amáveis- clientes e sim para atender as exigências do PROMOT III, substituindo, assim, três modelos por dois. E fica a pergunta: Tu achas que se não houvesse o PROMOT III ela lançaria essas motos ou continuaria com a Twister, a Tornado ou a Falcon? O mesmo caso, ocorreu com a Shadow. Ela lançou a 750 em lugar da 600 pelos mesmos motivos. E, na minha opinião e na de muitos motociclistas, a 750 é um -trambolhão-, muito pesada e péssima em curvas. E será que ela venderá mais que a 600? E a Yamaha? Em primeiro lugar ela está sem moto para combater as “300” da Honda. A não ser que diminua bem o preço da Fazer, não sei o que vai acontecer. E agora o maior absurdo: Ela retirou de linha a DragStar 650 (PROMOT III) e a substituiu pela Midnight 950. E isso foi a Yamaha que informou. Aí, eu já não entendo mais nada. São duas motos muito diferentes em tamanho, peso, potência, ciclística e preço. Seria a mesma coisa que a GM tirar o Prisma de linha e substituí-lo pelo Astra. E o que mais chama a atenção é que a troca é sempre por motos de maior cilindrada. E aí ficamos com um imenso vazio nos modelos de motos de baixa cilindrada. E o que temos? Somente a Intruder 125 e a Mirage 250. A próxima é a Shadow 750. Me desculpem não considerar as chinesas porque são motos que ainda causam (e com razão) muita desconfiança no mercado. Isso que a Suzuki tem lá fora a Intruder, a Marauder e a Boulevard. A Yamaha tem a Virago e a Drag Star, a Honda tem a Rebel e a Shadow. Estou considerando, no caso, as Custom até 650cc. E no caso das motos de alta cc temos uma concorrência ferrenha entre Shadow 750, Boulevard M800, HD 883 e agora a Midnight 950. Será que essas motos venderiam mais que as de baixa/média cilindradas? E que, se qualquer uma das montadoras lançasse no mercado uma Custom de 250 a 400cc, não seria líder inconteste de vendas nesse segmento? Será, realmente, que não há mercado para esse nicho de motos, no Brasil? Ou é porque as três grandes fornecem ou licenciam peças para as fábricas chinesas fabricarem suas motos? Então, Bitenca, poderias me dar uma razão para tudo isso que está acontecendo no mercado de motos no Brasil? Obrigado pela atenção. Um grande abraço.Gilberto., 65, Osório, RS.

R: Gilberto, se não começasse o Promot 3 nesse ano tudo continuaria como estava e pior, algumas fábricas iam continuar corrompendo o mercado com produtos de qualidade e segurança duvidosos. Considero esse ano um divisor de águas, quem for competente para cumprir as normas e ainda assim permanecer no mercado com agressividade vai continuar, quem não conseguir vai perecer. A Honda já mostrou a que veio, continuar na liderança com os produtos mais competitivos na base do mercado e com raras exceções atende à maioria dos segmentos. Yamaha, na minha visão segue o líder com uma posição assumida de segundo lugar e ao meu ver a Suzuki ainda vai ter que se encontrar novamente nas bases do mercado com novos produtos que atendam à legislação. Enquanto isso a Kawasaki devagarinho penetra no mercado ocupando posições importantes. Enfim acho que ainda virão grandes mudanças.