Fettuccini à Bolognesa

Motociclismo gastronômico: ponha mais prazer na sua viagem

Fettuccini à Bolognesa

Fettuccini à Bolognesa

Além de ser motociclista, outro grande prazer que tenho na vida é a gastronomia, não aquela apenas para matar a fome, mas outra, que entende a culinária como uma arte e um dom divino que merece ser apreciada com paladar apurado, buscando toda a essência dos ingredientes utilizados na construção do prato.

E tento conciliar esses dois prazeres quando viajo de moto, procurando lugares onde a comida seja boa, como um restaurante que paramos para almoçar às margens da BR 116, quando eu e alguns amigos motonliners fomos até Urubici e à Serra do Rio do Rastro, onde pudemos saborear uma codorna assada espetacular.

Nos grandes centros é fácil achar lugares onde a comida é primorosa, desde que se esteja disposto a pagar muito por esse prazer. Inusitado é encontrar bons restaurantes onde menos se espera, principalmente em lugares interioranos durante os rolés de moto.

Em outra ocasião, descobri por acaso um restaurante de comida típica alemã no Município de Pirabeiraba (SC), ao pé da Estrada Dona Francisca, rodovia SC-301, que liga São Bento do Sul à BR-101. Paramos apenas para tomar uma coca e acabamos esperando mais de uma hora até que iniciasse o horário do almoço. Valeu a pena, comemos um inesquecível Marreco Recheado e Carne de Porco, ambos assados e muito saborosos, acompanhados de maionese caipira, feita à moda antiga e verduras colhidas na horta do restaurante. Ah, vale mencionar que os marrecos eram criados na propriedade.

Rodízio de carnes é muito fácil de encontrar em restaurantes à beira das estradas

Rodízio de carnes é muito fácil de encontrar em restaurantes à beira das estradas

A grande constatação é a de que não são os restaurantes mais sofisticados que servem a melhor comida. Ao contrário, já comi em verdadeiras espeluncas comidas maravilhosas. Certa vez no Município de Eldorado Paulista (SP), vi-me obrigado a pernoitar na cidade, mas antes tinha que matar a fome que estava me matando, já que não tinha almoçado. Na cidade o único “restaurante” era um bar, onde cheguei após as 20 horas. Se olhasse mais atentamente o ambiente, certamente teria feito meia volta e continuado com fome, mas encarei o sacrifício.

Que decisão acertada: fui servido de chuletas de porco recém-sacrificado, fritas na banha do mesmo animal, mais os acompanhamentos de praxe. Nem preciso dizer que saí de lá com a barriga cheia e um baita sorriso de satisfação na face. E foram muitas as situações semelhantes que trouxeram surpresas muito agradáveis. Claro que tiveram as ruins também mas essas eu não quero lembrar.

Todo mundo que vive na estrada diz que para achar um bom restaurante de beira de estrada é só olhar a quantidade de caminhões no páteo do posto e isso é a mais pura verdade, pois caminhoneiro sabe das coisas. Se observar muitos caminhões parados, pode almoçar ou jantar que a satisfação é garantida e o preço é razoável. Falo muito em preço pois sei que ninguém gosta de jogar dinheiro fora. Nem eu. Fuja é das paradas de ônibus, essas, tradicionalmente servem comida de baixa qualidade, com preço para “turista”.

Eu me considero um caçador da boa comida, simples mas saborosa, a preço justo, com os temperos na medida certa e feita com o mesmo carinho que minha mãe dedicava à minha alimentação quando criança. Claro que isso acaba trazendo uns quilinhos a mais, mas como tudo na vida, comer bem também tem seu preço.

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Mário Sérgio Figueredo

Motociclista apaixonado por motos há 42 anos, começou a escrever sobre motos como hobby em um blog para tentar transmitir à nova geração a experiência acumulada durante esses tantos anos. Sua primeira moto foi a primeira fabricada no Brasil, a Yamaha RD 50.