Muito além do motor

Quando se fala em ¢leo e troca de ¢leo normalmente s¢ se lembra do motor, mas tem muitos pontos nos quais o ¢leo est  presente e tamb‚m precisa de troca.  natural, afinal desde pequenos estamos acostumados a ver nossos pais levando o carro pra trocar o ¢leo, enquanto a gente ficava sentando lendo revista de motos.

A moto carrega ¢leo em v rias partes e com finalidades diferentes. O ¢leo do motor tem o objetivo de lubrificar as partes m¢veis, reduzindo o atrito entre elas. J  o ¢leo da suspensÆo, tem como finalidade funcionar como elemento amortecedor, enquanto o ¢leo do freio (e embreagem) serve como condutor, substituindo os antigos cabos de a‡o. Ele apenas ‚ um meio de acionamento entre a alavanca e as pin‡as de freio.

A exemplo do ¢leo de motor, esses outros lubrificantes tamb‚m precisam ser trocados, s¢ que a maioria se esquece disso. O ¢leo de freio da Yamaha XT 660, por exemplo, deve ser trocado a cada dois anos (a f brica nÆo menciona quilometragem), enquanto o ¢leo da suspensÆo dianteira da Honda CG 150 Titan deve ser trocado a cada 9.000 km. Veja na tabela de manuten‡Æo da sua moto qual a quilometragem indicada para a troca desses fluidos.

E quem pensa que dentro do radiador vai  gua est  enganado. Na verdade ‚ um l¡quido de arrefecimento, composto de  gua e etileno glicol, um anti corrosivo e que funciona como um “esticador” do ponto de fusÆo da  gua. Em outras palavras, o produto qu¡mico tem a capacidade de “atrasar” a fervura! Se  gua ferve a 100øC na CNTP (condi‡äes normais de temperatura e pressÆo), com 33% de etileno glicol essa ebuli‡Æo ocorrer  a 125% (em sistemas pressurizados, como o radiador), protegendo o motor de um eventual superaquecimento. Claro que os sistemas de arrefecimento que contam com ventoinha, ao atingir bem menos de 100% o sistema auxiliar de arrefecimento entra em a‡Æo. O curioso ‚ que o etileno glicol ‚ tamb‚m um lubrificante. Por isso nas motos de corrida o seu uso ‚ proibido e deve ser substitu¡do por  gua destilada. Se um piloto cair e vazar o l¡quido do radiador na pista ‚ melhor que seja  gua do que um ¢leo escorregadio!

Agora que vocˆ j  sabe que existem outros lubrificantes e que devem ser trocados, saiba porquˆ dessas trocas. Come‡ando por este misterioso etileno glicol que vai dentro do radiador: por ser misturado na  gua, ser submetido …s altas temperaturas e passar o tempo todo em contato com o metal do radiador, esta mistura pode perder suas caracter¡sticas originais pela simples evapora‡Æo. Algumas f bricas recomendam a troca a cada 12.000 km, como ‚ o caso da Honda CBR 1000, por isso verifique a recomenda‡Æo do fabricante de sua moto.

J  o ¢leo de bengala ‚ mais cr¡tico. Al‚m de ter um papel amortecedor, tamb‚m tem de ser resistente …s bolhas provocadas por atrito e superaquecimento. Imagine uma moto fora-de-estrada naquele pula-pula do Rally dos Sertäes. Depois de centenas de quil“metros pulando como uma perereca o ¢leo das bengalas aquece e pode chegar mesmo a ferver. Todo ¢leo depois de aquecido torna-se menos denso e a suspensÆo perde a capacidade de amortecimento. Quando formam as bolhas ‚ pior ainda, porque ainda “pressuriza” todo o sistema. As motos sÆo vendidas com o ¢leo de bengala adequado ao seu uso. Mesmo assim os fabricantes recomendam a troca a cada 10.000 km em m‚dia. Caso o motociclista for enfrentar situa‡äes cr¡ticas, como essa do rali, o mercado oferece ¢leos de especifica‡Æo racing. Estes ¢leos profissionais tˆm ponto de fusÆo maior e suportam a sobe-desce da bengala sem formar bolhas de ar.

Nada pode ser pior do que descobrir de repente que sua moto est  sem freios. Mas ap¢s uma r pida verificada nas pastilhas nota-se que estÆo boas e novas. O mist‚rio pode ser facilmente decifrado ao constatar a temperatura e idade do ¢leo de freio. O ¢leo do freio (e do acionamento da embreagem) nÆo tem a fun‡Æo lubrificante. Ele tem a finalidade de transferir a for‡a que vocˆ faz na manete de freio para movimentar as pin‡as e frear a moto. S¢ que aqui o calor tamb‚m ‚ o maior vilÆo.

Quando os freios sÆo muito exigidos as pastilhas aquecem e esse calor ‚ transmitido para o ¢leo. Como j  foi explicado, o ¢leo superaquecido fica mais fluido e forma bolhas de ar, por isso o acionamento do freio fica “borrachudo” e pode at‚ mesmo deixar o motociclista totalmente sem freios. A recomenda‡Æo m‚dia ‚ a troca do fluido de freio a cada dois anos e aqui tamb‚m vale uma an lise se o freio ‚ muito solicitado, o que pode exigir a troca de especifica‡Æo do ¢leo. Se o original for DOT 3 pode mudar para DOT 4 ou 5 que dificilmente apresentar  problemas de superaquecimento. O ¢leo da embreagem hidr ulica nÆo sofre superaquecimento, mas tamb‚m tem de ser trocado a cada dois anos porque ret‚m umidade o que leva … oxida‡Æo das pe‡as.

Al‚m desses fluidos, as motos recebem as lubrifica‡äes em v rios pontos. Alguns anos atr s, as motos contavam com as “engraxadeiras”, pontos com uma v lvula que permitia injetar graxa sob pressÆo em algumas pe‡as da suspensÆo, por exemplo. Hoje essas pe‡as recebem lubrifica‡Æo permanente, o que requer aten‡Æo aos retentores. Ao menor sinal de vazamentos ‚ preciso trocar o retentor e relubrificar a pe‡a.

Cabos de acelerador, embreagem e, eventualmente, freios, devem ser lubrificados com ¢leo fino em spray conforme a descri‡Æo do manual do propriet rio ou ap¢s a lavagem. Finalmente a corrente de transmissÆo, que sofre dois tipos de atrito: entre seus pr¢prios elos e entre a corrente e as engrenagens da coroa e pinhÆo. Pode ser lubrificada com ¢leo ou graxa ou lubrificantes em spray, o importante ‚ respeitar a recomenda‡Æo do manual e, acima de tudo, que nem s¢ o motor precisa de ¢leo.

Um dos temas mais polˆmicos sobre lubrifica‡Æo ‚ sempre a corrente. Existem muitas lendas e mitos sobre esse procedimento. O primeiro mito a ser derrubado ‚ sobre ¢leo queimado de motor. Muita gente guarda o ¢leo usado retirado do motor para lubrificar a corrente. Al‚m de ser uma prova de pÆo-durismo sem igual ‚ totalmente ineficaz, porque o ¢leo usado j  perdeu boa parte de sua capacidade lubrificante. Eu mesmo j  recomendei o uso de ¢leo queimado e levei uma baita bronca dos meus amigos engenheiros!

A maioria esmagadora das f bricas recomenda ¢leo SAE 90, desde que NOVO! Da mesma forma que condena o uso do ¢leo fino em spray. Mas note que existem ¢leos lubrificantes em spray espec¡ficos para corrente que nada mais sÆo que o mesmo ¢leo 90, por‚m misturado com aderentes e aditivos para melhor aderir aos elos. A graxa tamb‚m gera muitas d£vidas. A indica‡Æo correta ‚ para motos que trabalham em limites extremos, como moto-fretista, por exemplo. No entanto nÆo ‚ recomendada para locais com estrada de terra ou muito empoeirado. O meu procedimento ‚ o seguinte: primeiro passo um spray fino pra limpar a sujeira toda, depois besunto tudo com ¢leo espec¡fico de corrente de competi‡Æo que ‚ uma meleca nojenta, mas funciona muito bem.