Foto: F bio Arantes

Na velocidade da razão

Foto: F bio Arantes

Foto: F bio Arantes

Não existe velocidade certa para rodar em ruas e estradas; quem dita o ritmo é você  e a Lei. Qual a velocidade mais adequada para viajar? Esta e outra das perguntas que mais recebemos em cartas.  Difícil determinar qual a velocidade de cruzeiro numa viagem, pois vai depender de uma série de variáveis. Numa época em que as motos já estão rompendo a barreira dos 300 km/h, determinar o ritmo de uma viagem ‚ muito mais uma questão de bom senso.

Vamos deixar de lado os rigores da fiscalização, pois os radares de velocidade estão operando muito mais como armadilhas do que reguladores de velocidade; além disso, nas ruas os radares estão colocados em pontos que, honestamente, rodar na velocidade indicada torna-se muito perigoso para as motos.

Por isso não basta falar em valores de velocidade. Por exemplo: em algumas avenidas muito movimentadas, o limite é 60 km/h. Imagine-se rodando a essa velocidade, …s 11 horas da noite, na faixa central! Você ser  alvo fácil dos carros que passam muito rápido e perto. Também não dá para imaginar uma moto rodando a 100 km/h numa pacata rua de bairro. A velocidade deve ser determinada, entre outras coisas, pela margem de segurança. Imaginando o exemplo da avenida, a velocidade segura seria a mesma dos outros carros, nunca mais baixa, mas vai entender a determinação da Lei que nos coloca em perigo!

Na estrada
Tudo muda quando estamos na estrada. Aqui a melhor velocidade ‚ aquela em que o motociclista se sente seguro e … vontade. Jamais rode em velocidade muito baixa e utilize a faixa da esquerda exclusivamente para ultrapassar. Um dos erros mais frequentes dos motociclistas nas estradas é postarem-se na faixa da esquerda. Essa é a faixa de ultrapassagem e deve ficar livre.
De acordo com as leis de trânsito, a velocidade mínima – sim, existe isso também – ‚ metade da velocidade máxima naquela faixa. Portanto não embace na esquerda.

Quanto … velocidade máxima, bem, hipocrisias … parte, a melhor velocidade para viajar nem depende tanto da habilidade ou do tipo de moto, mas fundamentalmente das condições da estrada, tanto no aspecto de piso, quanto no de visibilidade. Falar para ir devagarinho numa estrada de cinco faixas, com visibilidade total e numa moto de 150 cavalos, ‚ tão difícil que nem vale a pena ficar com nhe-nhe-nh‚ns. A verdade ‚ que essas motos supervelozes exigem muito mais dose de razão e juízo do que as pequenas. Os radares e policiais sempre estarão ali e no exato momento e local que você for acelerar; portanto trate de adquirir um detector de radar ou bola de cristal para adivinhar onde eles estão.

Nas estradas sinuosas a velocidade depende da habilidade de cada um e da estabilidade da moto. Lembre-se que as curvas para esquerda não devem ser feitas como numa pista de corrida, fazendo tangência, principalmente se for numa estrada de mão dupla. Nessas estradas a melhor forma de conseguir conciliar um desempenho mais esportivo com uma boa margem de segurança é reduzir muito a velocidade na entrada da curva e deixar para acelerar só com a moto já  “em pé”. Não se iluda com a aderência do asfalto numa curva, porque na próxima pode estar totalmente lambuzada de óleo e, aí, babaus.

A tão variada “velocidade de cruzeiro” ‚ o ritmo em que tanto moto quanto piloto se sintam mais … vontade. Nas motos com conta-giros, tente manter a rotação na faixa de um terço da rotação máxima. Por exemplo, se a moto chega a 12.000 rpm, uma velocidade econômica seria entre 4.000 e 4.500 rpm em sexta marcha. O problema é que em algumas motos, essa rotação pode representar velocidades acima de 120 km/h.

Como se vê, falar em velocidade é complicado. Uma moto grande, com cavalaria de sobra, geralmente ‚ servida por freios igualmente poderosos. Logo, rodar a 120 ou 140 km/h torna-se tão seguro quanto uma moto menor a 90 km/h. Por tudo isso ‚ que não dá para determinar qual a velocidade segura. No fundo, o que vai estabelecer a melhor média é o bom senso, qualidade inseparável de todo motociclista seguro.