Não avance o sinal vermelho

Levantamento realizado pelo Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) aponta que uma pessoa morre a cada 15 minutos no país devido a acidentes de trânsito.

É um dado assustador, que deve ser tratado com seriedade pelo Poder Público. Uma fórmula de diminuir as ocorrências fatais é a colocação de lombadas eletrônicas, aparelhos que limitam a velocidade em vias que oferecem perigo a motoristas e pedestres, principalmente em áreas próximas a escolas e hospitais, onde estudos demonstram ser possível reduzir as taxas de óbito a zero.

De acordo com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), os acidentes diminuem em cerca de 30%, e as mortes, em 60%, nos locais em que há equipamentos de monitoramento de tráfego. A cidade de Guarulhos, que possui uma frota de cerca de 500 mil veículos, decidiu agir com rigor para reduzir as ocorrências em seu território, que no ano passado foram responsáveis pela morte de 219 pessoas, segundo o Instituto Médico Legal (IML) de São Paulo.

A adoção da fiscalização eletrônica é uma ação importante dos agentes públicos, já que determina um controle adequado do limite de velocidade de veículos e faz com que o cidadão tenha respeito à sinalização viária (semáforos e faixas de pedestres). A medida tem como finalidade diminuir os acidentes e mortes causados pelo tráfego urbano, tema relevante para a segunda cidade maior cidade do Estado, com 1,3 milhão de habitantes.

Os radares serão instalados nas principais ruas e avenidas a partir do dia 6 de março. A previsão é que sejam instalados nove radares por mês, somando, até junho, um total de 66 equipamentos. A localização dos aparelhos segue critérios técnicos de avaliação do trânsito na cidade, com prioridade para as vias que apresentam maior volume de tráfego e onde são mais frequentes as ocorrências de acidentes.

No último mês, a campanha “Velocidade mata, respeite a vida!” ganhou as ruas de Guarulhos, com farta distribuição de material informativo, outdoors, anúncio em jornais e revistas, e busdoor. Além disso, a cidade faz valer a exigência da utilização de placas de sinalização indicando a via e localização de todos estes radares (Resolução 214/2006 do Contran – Conselho Nacional de Transito).

Quer-se conscientizar o motorista ao invés de simplesmente puni-lo pecuniariamente. Em países desenvolvidos como Inglaterra, Alemanha, Japão, Estados Unidos, Suécia e Holanda, não é obrigatória a sinalização para alertar o motorista sobre o monitoramento eletrônico. Porém, registram-se índices de acidentes bem menores e penalizações mais rigorosas.

Mais do que se preocupar com a arrecadação das multas, queremos aliar ações de prevenção a acidentes com programas de educação. Assim, acreditamos ser possível fazer com que o respeito às normas de trânsito tornem-se, de fato, uma questão de cidadania. Para o bem de todos.