Paz no trânsito

Nós motociclistas temos direitos e deveres

O blog do ABC Motoclube é para falar sobre motos e por isso me sinto no direito de falar também sobre os acidentes e mortes que acontecem no trânsito com motos todos os dias. O tema é chato, mas é preciso falar as coisas com clareza, sem rodeios.

Há um tempo atrás foi notícia em vários portais uma briga de trânsito entre um motociclista e uma motorista de um Palio Weekend (está no vídeo da TV Record), o que me fez ficar indignado. Não defendo aqui nenhum dos envolvidos e entendo que a falta de paciência é um fator multiplicador para que estas coisas aconteçam.

Sejamos todos sinceros. Você segue a risca as leis de trânsito? Um confessa pilotar pela calçada, quando está com pressa, outro “costura” o trânsito e quando sai por perto de casa não usa capacete. Outro motociclista diz andar, às vezes, acima do limite de velocidade e avançar o sinal vermelho. Um motorista de carro diz que não deixa espaço no corredor e “se os motoqueiros quiserem, que andem atrás do carro”. E ainda outro muda de faixa sem dar sinal de seta e há um que diz que não se importa com os motoqueiros. Atitudes de desrespeito às leis de trânsito somadas à grande quantidade de veículos nas ruas e às atitudes como estas descritas de motoristas e motociclistas colocam vidas em risco.

O trânsito das grandes cidades está cada vez mais violento, com índices de acidentes e mortes sempre crescendo. Não adianta qualquer campanha feita pelo Governo para respeitar as leis. As pessoas quando entram no carro ou sobem na moto perdem a noção da realidade e se tornam ferozes, agressivas, se sentem mais fortes e poderosas, como se estivessem com uma arma de fogo nas mãos.

Falando em arma de fogo, fazendo uma pesquisa rápida na internet, li que morrem quase 35 mil pessoas por ano atingidas por arma de fogo no Brasil, enquanto números do DPVAT revelam que morrem 160 pessoas por dia no trânsito, totalizando mais de 58 mil pessoas no período de um ano. São inaceitáveis números tão altos.

Não podemos colocar a culpa só na falta de fiscalização do trânsito. Claro que é necessário que exista alguém que seja responsável pela fiscalização, mas em cidades grandes como São Paulo, o número de agentes de fiscalização de trânsito não supre a grande necessidade existente. Por isso as pessoas se sentem no direito de desrespeitar as leis e ultrapassar os limites de velocidade, dirigir alcoolizado, andar de moto sem capacete, dirigir sem cinto de segurança, falar ao celular, vendo TV no GPS, ouvindo som no último volume e tantas outras infrações que vemos por aí. E na maioria dos casos, 89% dos carros, caminhões e ônibus envolvidos em acidentes com motos alegam principalmente que “não viram o motociclista”, não estava com total atenção no trânsito ou simplesmente achou que tinha preferência em relação à moto. As razões importam pouco agora, já que o resultado disso tudo é um ACIDENTE.

A mídia influencia na grande maioria NEGATIVAMENTE nesta guerra. Veja o vídeo postado no blog MotordoMundo que mostra um programa da TV Record onde o lutador de MMA Anderson Silva aceitou o desafio e saiu pela cidade com um adesivo provocativo no vidro do carro: ATENÇÃO: NÂO TENHO MEDO DE MOTOBOY. Brincadeira de mau gosto, pra dizer o mínimo.

A pergunta que faço é: Quem dirige/pilota seu veículo de forma prudente, atenciosa, e respeitando os limites das vias, do veículo e os outros, que utiliza os equipamentos de segurança exigidos por lei, mantém em dia a manutenção de seu veículo e tudo mais para trafegar em segurança, mesmo assim é penalizado porque outros não cumprem com suas obrigações? Isso é justo?

Como cidadãos, temos direitos e DEVERES! O papel da justiça é fazer cumprir as leis e penalizar quem não a cumpre! Então quem cumpre com suas obrigações legais pode, na maioria dos casos, ter respaldo da lei. No trânsito, prevalece o direito de mais fraco, pois o maior sempre irá causar maior dano ao menor em caso de “conflito”. Então fica aqui um alerta meio óbvio, mas que nós estamos cansados de ver nas ruas o contrário:

MOTOCICLISTA, não tente medir forças com os outros veículos. A moto não tem cinto de segurança, airbags, pára-choque, lataria e a segurança ativa é você. Dê a preferência aos ciclistas e pedestres e respeite os carros, caminhões e ônibus no trânsito. Sua atitude gentil facilitará sua vida e a de todos perto de você.

A mensagem que deixo aqui é muito simples. Nós motociclistas temos direitos no trânsito, mas nem sempre estamos certos pois o nosso direito termina quando conflita com o de outros. Na versão deste artigo publicada no Blog do ABC Motoclube, há duas fotos que mostram acidentes semelhantes. A moto “entrou” no carro lateralmente. Num deles o motociclista cruzou o semáforo no vermelho e noutro o motorista fez uma conversão irregular. Pouco importa agora quem estava certo ou errado. Os dois acidentes causaram vítimas fatais e ambos foram causados por IMPRUDÊNCIA e EXCESSO DE VELOCIDADE.

Sobre isso, aproveito para recomendar a leitura do texto Porque Tanta Pressa, do instrutor de pilotagem segura, Carlos Amaral, onde fica claro que o comportamento é decisivo e mostra exatamente como “sentir pressa nos deixa agir egoisticamente e faz com que nos esqueçamos dos perigos, aumentando os riscos que causamos aos outros. Aliás, nem sequer distinguir os riscos conseguimos, pois o foco está em não se atrasar! Até mesmo no ato de buzinar achamos que os outros têm a obrigação de sair da nossa frente.”

Então, quer seja motociclista, motoqueiro ou motorista, o que importa é a sua consciência e atitude no trânsito. As leis estão aí para nos proteger, lembre-se sempre disto. E o que todos nós queremos é PAZ NO TRÂNSITO e MUITA PACIÊNCIA. Afinal, lá na frente terá outro sinal vermelho.