Notas de guidão à milanesa

Notas de guidão à milanesa

Cena típica em uma cidade italiana

Para nós que amamos motocicleta é uma experiência única. È a viagem a Meca, obrigatório!

Claro que não pretendo fazer o papel de jornalista, afinal encontrei todo um time de brasileiros que foram com essa missão especial. Serei mais um cronista motonliner, afinal o time de jornalistas trará também a este site, através das agências, as informações precisas, quantas cilindradas, quantos cavalos e com quantos raios se faz um roda.

Aqui tem motocicleta!!

Antes de falar da feira, é saudável compreender porque essa feira acontece aqui. Em Milão, como no resto da Itália não temos essa figura destemida do motoboy, portanto a convivência entre motos e carros é, aos nossos olhos, razoavelmente harmoniosa.

Numa cidade plana, sem buracos e com avenidas largas é natural que a motocicleta seja onipresente na paisagem. Principalmente scooters. Aqui ficamos convencidos que para uso urbano, numa cidade decente, o scooter é a opção mais inteligente. É possível guardar o capacete, não suja os pés e apara o vento, e equipado com para brisas, melhor ainda. O italiano não se apega a frescuras de pseudo-estética. Ele sabe ser elegante e ao mesmo tempo funcional.

E vale lembrar que aqui a moto é de fato uma opção ao carro, pois consome pouco combustível e pode estacionar em qualquer lugar. Garagem aqui é um luxo, todo mundo pára na rua. Mas como as autoridades são coerentes (e as calçadas largas), é liberado o estacionamento na calçada.

Cheio de scooters…o paraíso do João Tadeu, o objeteiro, aliás, oggetero.

A feira começou para imprensa e negócios no dia 6 e abriu para o público no dia 8. Mas como enviado especial do motonline, patrocinado pela Leds Light e JJ Custom, fui conferir a coletiva da Ducati ainda na Segunda-feira à noite. Um show!

Essa montadora trouxe novidades que deixa qualquer motociclista de joelhos. Começou apresentando a nova 1098R, que estava coberta com um pano vermelho. Quando levantaram o pano, apareceu um canhão de fazer qualquer um tremer. Mais cavalos, menos peso. Já chegando perto do 200cv, o torpedo emagreceu mais alguns quilos, com magnésio e fibra de carbono para todos os lados. E o mais cabuloso é ser possível emagrecer ainda mais, basta comprar e instalar os acessórios corretos, fabricados especialmente para ela aqui na Itália. Falarei mais sobre isso mais adiante.

1098R, mais magra e mais nervosa!

Mais se o sujeito não quiser furar os fundilhos das calças com a 1098, devido a pressão excessiva do ar caso o piloto abra a boca com o cabo enrolado, a Ducati oferece uma versão mais mansa, a 848. Peso muito pena e com uma relação peso potência insana. Não sei, mas acho que essa também pode furar a calça.

Ducati 848

Mas o gran finale foi o lançamento da nova Monster. Como disse o projetista, tudo muda e nada muda. Sou suspeito, mas a moto ficou maravilhosa, dando inclusive a opção ao proprietário de adquirir kits para mudar o visual da máquina.

No dia seguinte fui conversar com o projetista, que não é mais o mesmo da primeira geração da Monster. Ele escapou que o tal designer argentino, que estudou na Califórnia e que ajudou a tirar a Ducati da lama (esqueci o nome do sujeito!) e foi o cara que projetou a primeira Monster, hoje está na Aprilia. Se é verdade eu não sei, mas tinha lá no stand da Aprilia uma moto com o indefectível quadro de treliça…

Levantando o pano… A nova Monster

O fato curioso é que, meio perdido no metrô, a caminho da coletiva da Ducati, um sujeito veio pro meu lado perguntando que língua eu falava, e como boi preto anda com boi preto, descobrimos que éramos brasileiros no mesmo barco. Era o Artur da Infomoto. Bem que o Tite disse que eu ia encontrá-lo por lá, mas não disse como nem onde. Além de doutor, profeta.

Andamos juntos durante esses dias e tivemos a sorte de jantar num restaurante temático, mandando ver em um risoto com uma bela BSA ao nosso lado, da coleção particular do proprietário. Para quem quiser, Chama-se Ristorante Sabatini, na Avenida Buenos Aires.

No outro dia lá estava eu de volta, já com a feira aberta à imprensa e aos negócios. Fui conferir os lançamentos da Honda. Um lançamento multimídia, com telões que contavam a história do design e da Honda. Como sou designer por formação, fiquei embasbacado. E aí subiu ao palco algumas novidades, destaque para um mega-scooter-touring, na falta de um termo melhor, com 700cc. Chama-se DN01, já apresentado como conceito e agora em produção Misto de moto touring e scooter, certamente essa moto vai criar uma nova tendência.

Deu vontade de pilotar

Ainda impressionado com o scooterzão, apareceu na sequencia a CB1000F. Lanternas e faról baixo de leds, uma cara invocada e monobraço na traseira. Ainda está dentro do mainstream, formas vincadas e angulosas, mas como foi projetada nos estúdios Honda da Itália, não precisa comentar mais nada.

Como sou bom moço e marido, caprichei nas fotos, mesmo com aquele fumacê de discoteca embaçando tudo. A rapaziada da minha fileira de cadeiras provavelmente nem viu as motos, ficaram comentando sobre o decote de uma tal alemã com uma blusa de renda sentada do outro lado da passarela. Alguns até apontaram aquelas objetivas de fotografar obturação de ponta-esquerda para a coitada. Falta de profissionalismo…

Tudo bem que a frente da moto parece o Dart Vader… Eu colocaria essa roda e ponteira numa moldura

Depois o negócio é andar. O lugar é enorme. Os salões brasileiros são microscópicos perto desse salão. Deve ser pelo menos oito vezes maior que o nosso salão de motos, e sem as frescuras típicas brasileiras. No Brasil para você se cadastra, ganha a credencial, depois vai a feira, apresenta o RG, te pedem o diabo e todo mundo desconfia de todo mundo, sem contar aquele típico segurança de corpo mirrado, com um terno três números maior te esculhambando como se você fosse um verme e ele o próprio James Bond.

Essa é a diferença. Aqui as pessoas têm um pouco mais de confiança entre si e sabem que é feio ficar querendo levar vantagem em tudo. Agora num país onde todo mundo quer passar a perna no próximo, a situação fica insustentável. E dá-lhe desconfiança. Eu adoro viajar para o exterior por causa disso. Sou tratado de forma justa, sem exageros, nem para o bem nem para o mal.

Em breve mais Notocas ou Motícias, ou os dois.

Para saber mais, acesse o site da feira, www.eicma.it