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O Brasil de moto pelas ruas chinesas

Destaque da nova safra de pilotos de motovelocidade do país, Rafael Paschoalin crava de vez a bandeira brasileira em solos internacionais. Em uma das mais arriscadas disputas realizadas em circuito de rua do mundo e também sua mais recente participação, o 59º GP de Macau, na China.

GP de Macau, na China

GP de Macau, na China

No circuito onde vale a experiência do piloto e o perfeito funcionamento da memória para decorar o traçado, por ser uma pista traiçoeira que utiliza as ruas da cidade chinesa, não há área de escape nem sequer margem para erros. Pela beleza do espetáculo e por todos esses motivos, mais de 72 mil expectadores e pelo menos 300 veículos de mídia de todas as partes, acompanharam o legendário GP de Macau e a 46ª edição da prova com motocicletas, desde 1954.

É correto afirmar que em qualquer parte do mundo, o bom senso e as leis sugerem punições para quem participa ou organiza corridas em vias públicas. Mas felizmente, para alegria dos milhares de admiradores deste esporte, e de alguns poucos e corajosos pilotos, essas competições ganharam status e importância a ponto de serem oficializadas, recebendo inclusive, ajuda das autoridades para a realização. Pois foi em uma dessas provas que o piloto brasileiro Rafael Paschoalin participou no último final de semana, entre os dias 15 e 18 de novembro.

Paschoalin: sonho de disputar as provas do Ilha de Man

Paschoalin: sonho de disputar as provas do Ilha de Man

A bordo da motocicleta BMW S1000RR número #113, máquina e piloto encararam um extenso trecho de ruas e avenidas. Totalizando 6120 metros em forma de um circuito bastante desafiador, tanto por suas longas retas quanto pelas curvas extremamente apertadas, o que dificulta as ultrapassagens e favorece os acidentes. Rafa conta que praticar este esporte é uma forma de superar os próprios limites e completa dizendo que: uma vez vestido o capacete e todo o equipamento de proteção, em provas de Road Race como esta, meu maior adversário sou eu mesmo, meus medos e convicções. Em relação à ansiedade pela estreia e ao acidente ocorrido durante os treinos, que vitimou tragicamente o amigo português e também piloto, Luis Carreira, Paschoalin ressaltou o apoio que recebe da família para superar estas dificuldades. Eles torcem muito por mim, incentivam minha participação e minha carreira, ao menos é o que sinto do meu pai, minha mãe e meu filho… brinca o piloto de apenas 29 anos.

Superados os obstáculos até a China, o próximo desafio seria a classificação. Competindo entre 28 pilotos de diversas nacionalidades, com diferentes níveis de experiência em provas deste tipo para se conquistar um lugar no grid, mais uma vez Rafael se superou. Após passar pela complicada classificação como o segundo melhor estreante na prova, ocupando a 19ª posição no grid, o clima e a previsão meteorológicas obrigaram a organização a adiar a prova, prevista inicialmente para acontecer no sábado, às 15h30 do horário local, 5h30 pelo horário de Brasilia. Com nova data e horário anunciados para às 16h do domingo, 6h da manhã no Brasil, algumas das preocupações de Rafael estavam amenizadas. Além de conseguir um pouco mais de tempo para se recuperar fisicamente do desgaste dos treinos, houve a redução de 15 para 10 voltas no número total da prova, fato que agradou piloto e equipe, devido às dúvidas sobre a capacidade de duração do combustível durante a corrida.

Dores tiraram Paschoalin da prova em Macau

Dores tiraram Paschoalin da prova em Macau

Já no domingo, mostrando um semblante desapontado, Paschoalin teve que abandonar a prova pouco depois de completar 5 voltas, devido as fortes dores no antebraço direito que impossibilitavam o domínio da moto nas frenagens mais duras do circuito. Paschoalin adiantou que nas previsões para o próximo ano, já está carimbada sua participação na famosa prova do TT na Ilha de Man (Tourist Trophy Isle of Man), na Irlanda, considerada a prova mais difícil da categoria.