O retorno dos americanos

O retorno dos americanos

O retorno dos americanos

Os japoneses começaram a assustar os americanos no fim da década de sessenta, quando iniciaram a venda de carros menores, mais leves e esportivos.

Aqueles primeiros carros, porém, eram vistos (em geral corretamente)com muita desconfiança. O tempo passou, os japoneses mostraram-se cada vez mais confiáveis e a invasão nipônica tornou-se um fato, deixando a indústria automobilística americana cada vez em piores lençóis – e até mesmo os Três Grandes, GM, Ford e Chrysler, a caminho do fechamento. E chegaram quase lá, com a então maior companhia automotiva do mundo tendo de pedir auxílio ao governo e a Chrysler tendo de ser vendida à pequena Fiat italiana.

De um tempo para cá, porém, as coisas começaram a mudar, tanto para os americanos como para os japoneses, entre outras razões pela chegada dos coreanos. A ‘invencível’ Toyota teve problemas de segurança ainda não definitivamente identificados e ganhou uma imagem de dúvidas, enquanto a GM conseguiu em tempo muito curto pagar boa parte de suas dívidas ao governo americano (e bem antes do prazo) – e, não duvide, pode voltar a ser a Número Um. A Ford vem se reerguendo sem ter de recorrer ao governo, e a Chrysler se mantém com água abaixo do nariz, apesar de ter pouquíssimos modelos em produção – e mesmo assim deixa a Honda ligeiramente para trás. Os carros nipônicos, como um todo, pararam de ganhar percentual de mercado (perderam 1,7%) após mais de uma década de forte crescimento constante.

Os problemas dos japoneses começaram em sua própria casa com uma longa recessão associada ao yen muito valorizado em relação ao dólar. Toyota, Honda, Nissan, Subaru, Mazda, Mitsubishi, Suzuki, ficaram de repente sem as centenas de milhões de dólares que remetiam todo ano para casa.

Os carros híbridos são a resposta imediata para a substituição (parcial) dos motores de combustão interna. O melhor deles todos, aparentemente e pelo menos até agora, é o Toyota Prius – mas mesmo seu novo modelo tem apenas um teto ligeiramente mais alto que o anterior, dentro de um mercado de híbridos até agora composto de grandes SUVs. Seus maiores concorrentes, o Honda Insight 1.3 e seu derivado CR-Z de motor 1.5 são também pequenos demais.


José Luiz Vieira, Diretor, engenheiro automotivo e jornalista. Foi editor do caderno de veículos do jornal O Estado de S. Paulo; dirigiu durante oito anos a revista Motor3, atuou como consultor de empresas como a Translor e Scania. É editor do site: www.techtalk.com.br e www.classiccars.com.br; diretor de redação da revista Carga & Transporte.