O tempo, o relógio e o Pateo ...

O tempo, o relógio e o Pateo …

Comer Dantop, bebendo Grapette e assistindo a seção PIM PAN PUM na TV Record. Ficar chateado porque seu pai chegava e exigia ver o noticiário do Repórter ESSO. Contar as folhinhas do calendário esperando Outubro para ir ao Salão da Criança. Levar uma bronca porque quebrou a máquina de escrever do papai. Ver as lágrimas se amontoando nos pequeninos olhos ao ver a primeira transmissão de TV em cores. Ir à feira livre para poder comprar roupas …

Muitas coisas residem na memória de poucos; e ao mesmo tempo perdidas no tempo para muitos.

Hoje as nossas crianças já estão perdendo o significado de coisas como HI-FI, Beta Max, Long-Play; e outras elas já nem fazem idéia que existiram como tele-jogo Philco, computadores Apple, Ceci Jovem Guarda, Cuba Libre, vestuário do Calhambeque, brim, camisas volta ao mundo, código Morse, Telex, teletipo … é melhor eu parar por aqui !

Então … nessa linha, o tempo passa, o relógio registra e o Pateo deveria apenas confirmar!

Estou me referindo a 6ª edição do Encontro Moto e Cia Classic que ocorreu no domingo 27 de junho no Pateo do Collegio, centro de São Paulo. Se não o mais, um dos mais expressivos encontros de motocicletas clássicas do país.

Sim; organizado, bem dividido, mas até um ponto. Aguardado por muitos, conforme as motos eram estacionadas e suas características escritas e penduradas nestas, começamos a observar que alguns exemplares lá presentes começavam a fugir de critérios mínimos para a exposição.

O convite para os participantes era claro, alem de gratuito, as motos deveriam ser fabricadas e anteriores a 1979. Conversando com alguns colecionadores sérios que lá encontrei, percebi que a minha preocupação não era isolada; e pensando nisso preferi me deter nessas exceções que comprovariam a regra.

Uma Triumph Boneville 2005 seria uma clássica ?

Antes de tudo gostaria de declarar que nem sou purista e muito menos puritano. Respeito tanto os colecionadores que resgatam a história ao pé da letra, bem como aqueles que são mais para a linha tuning; Em ambos os casos, os gastos são altos para se alcançar a peça no estágio dos sonhos.

Mas esse seria o ponto … será que o mais adequado, já que a chamada era o encontro de CLÁSSICAS, era se ter um outro evento para as TUNING ?

Todos nós sabemos que não existe nada mais cruel que os olhos de um colecionador observando uma peça de outrem ! … existem até relatos de briga entre velhos amigos por conta de um pequeno parafuso fora de padrão.

Independente disso, mas ainda em total respeito aos nossos heróicos colecionadores, como ficam os visitantes que buscavam informação e cultura, e se deparam com dois modelos de mesmo ano, mesma cilindrada, porém visualmente totalmente diferentes ?

Honda CB 360, provavelmente de 1974, longe de ter a linha original.

OK … lá não tem a função de ser um Museu a céu aberto, porém não estaríamos perdendo uma grande oportunidade de contemplar o olhar dos mais jovens simplesmente com a verdade ?

Yamaha RD 350 com rodas de liga e pára-lama dianteiro de CB 400 … pode ?

Será que em algum lugar existiu a marca Powerguido ? (desculpem-me pelo cacófato) … rodas de liga leve, mono-choque e suspensão up-side-down em Honda 1971 ?

Honda CB750K de 1971 … dá para acreditar ?

Fica o questionamento e o alerta; afinal apenas a verdade poderá ser o legado que irá para os descendentes dos nossos descendentes ! “Se preservar é tudo, divulgar é muito mais !”