Passeio de moto e pouca grana, uma combinação difícil...

Passeio de moto e pouca grana, uma combinação difícil…

a Difícil sairmos assim. É complicado conciliar porque alguns integrantes trabalham… Então normalmente marcamos passeios tipo “bate e volta” em que vamos e voltamos no mesmo dia. Saímos cedo em 4 motos: Andre’s e sua esposa Nil, Eu e Sal, Castilho com sua sobrinha “Pingo” e Juva (irmão do Castilho).

Preciso falar um pouco dos personagens de nosso Moto Clube para que o leitor possa entender o contexto: Os irmãos Juva e Castilho são “sexis” (sagenários). Não que isso seja um fato que atrapalhe alguma coisa. Eles têm mais vitalidade do que eu e meu marido que ainda estamos “perto” dos 40 anos… A sobrinha deles “Pingo” é uma bela jovem cristã. Não tinha namorado à época do ocorrido. André’s é o Presidente do Moto Clube. Um cara muiiiito legal, mais jovem que a maioria do grupo e que faz o possível para atender aos desejos da maioria e garantir que até a minoria fique satisfeita. É um verdadeiro mestre na arte de “pisar em ovos”, principalmente quando o assunto é grana, tutu, cacau, dindim, money!

A viagem até Piracicaba? Maravilhosa! Piracicaba é uma cidadezinha encantadora… Tem alegria para ambos os sexos: As mulheres logicamente adoram a natureza explícita da cidade, a feira de artesanato… Já os homens ficam encantados com as motos estacionadas no entorno da cidade… E olha que tem muita moto bonita nessa cidade nas tardes de sábado ou domingo!

Bem… Chegamos a Piracicaba… Fomos ver o rio que luta para continuar lindo apesar da existência de nós seres humanos… Tira foto daqui, tira foto dali… Bateu a sede e resolvemos beber alguma coisa… Na beira do rio, sobre um assoalho de madeira suspenso, no meio daquele monte de peixe esperando um comando para ser assado, resolvemos nos refrescar cada qual pedindo e pagando a sua bebida… Eu e meu marido pedimos um suco de abacaxi com hortelã. Foi em meio a esse estado de delícias, que alguém lembrou: Precisamos achar um local para dormirmos!

Na nossa mesa ao lado estavam sentados 2 motociclistas. Como não podia deixar de ser, os caras foram super solidários, nos indicaram um local onde havia um bar que funcionava como ponto de encontro para motociclistas. Eles até nos disseram que de repente algum motociclista poderia nos abrigar como hóspedes. (Nada impossível nesse mundo de motociclismo). Saímos à procura de um hotel, pensão ou o que quer que fosse e que pudesse aconchegar nossos ossos, depois de horas andando de moto. Só que para a escolha do hotel deveríamos levar em conta o poder econômico do grupo! Aí começa a complicar… Mas quem anda de moto é um aventureiro por natureza, não é mesmo? O que há de errado com uma noitezinha mal dormida?

Avistamos nossa primeira tentativa. O hotel deveria de ter “meia estrela”. Perfeito! (Para o nosso “poder econômico consensual”)… As “meninas”, ou seja: eu, Nil, Pingo e as 4 motos, ficamos do lado de fora do hotel esperando que os “meninos” resolvessem a questão…

Esse foi o nosso primeiro erro. Imagina a cara do recepcionista quando viu 4 homens todos vestidos de preto, com colete de couro cheio de badulaques, capacetes, casacos de couro, botas e etc. De certo imaginou que eram arruaceiros… O fato é que uns 10 minutos depois nossos “meninos” saíram do hotel dizendo que não havia vagas… Eram por volta de 7 horas da noite, estava um princípio de noite quente, olhei para cima e vi o hotel com varias janelas fechadas sem reflexo de luz em seu interior… Estranho… Acho que o recepcionista preferiu não arriscar.

Bem, a partir daí resolvemos seguir o conselho dos irmãos motociclistas. Fomos então ao ponto de encontro de motociclistas na cidade. Ainda era cedo, havia poucas pessoas no bar. Impressionante que em menos de 10 minutos todos pareciam que se conheciam há muito tempo… Coisas do mundo motociclístico… Ali deu para abrir o jogo. Não é que faltassem hotéis na cidade, a situação é que digamos assim… o grupo não dispunha de muita grana…

Pela disponibilidade de hotéis da cidade começamos a perceber que talvez tivéssemos que fazer como Bruno e Marrone e “dormir na praça”! Então alguém sugeriu o óbvio: Por que vocês não dormem num motel?

Eu e a Nil A D O R A M O S a idéia! Afinal estávamos com nossos maridos, poderíamos unir o útil ao “agradável”. Foi aí que percebi o olhar de desespero da “Pingo”, pois para “valer a pena financeiramente” ela deveria dormir no mesmo quarto que os tios! A despeito do desespero dela de dormir num local meio “antro”, começamos a fazer diversas combinações econômicas. Pensamos em deixar a Pingo sozinha e os 2 irmãos juntos e então olhávamos para aqueles distintos senhores imaginado-os em cuecas numa cama redonda disputando lençóis…

Não dava mais para pensar, nem falar, começamos a rir, muito! Os três muitos constrangidos, se sentindo sacaneados. Porque fazer aquilo com eles era pura sacanagem. Já pensávamos em registrar o momento com nossas máquinas digitais… Mas o Presidente, mestre na “arte de pisar em ovos”, viu que aquilo daria uma omelete de primeira se não fizesse algo. Foi então que retornamos a praça principal para jantarmos e pensarmos melhor sobre a questão.

Após degustar um peixe delicioso entre gargalhadas homéricas, na hora de pagar a conta aconteceu um milagre. (Acho que foi por intermédio da Pingo). A dona do restaurantezinho conhecia um hotel bem baratinho que ficava ali perto… E lá vamos nós para outra tentativa, mas dessa vez entramos juntos, meninos e meninas pois o cansaço já não permitia erros. O hotel era péssimo, mas a recepcionista era uma graça. Ainda por cima era a cara de uma integrante do nosso moto Clube que não foi ao passeio de Piracicaba. Muito atenciosa, apresentou-nos os quartos. O meu particularmente tinha duas camas de solteiro que juntamos para fazer uma de casal. O hotel só tinha 1 cama de casal disponível. E eu que tinha intenção de uma romântica noite em um motel…

André’s e Nil dormiram mais afastados, em outra ala. Deixamos a cama de casal para o Presidente e a primeira dama, e foi com muita frustração que soubemos que eles não dormiram direito porque ouviram badaladas do sino da igreja a noite toda e que o colchão era duro para caramba… No entanto, os tios e a bela sobrinha sorriam, alegres, felizes… Pois é, moto Clube é isso: um por todos e todos por um!

De qualquer forma, valeu! O dinheiro pode comprar muitas coisas, mas a cara que eles ficaram com a possibilidade de dormirem num motel não tem preço!