Foto: Paulinho (d) fala com o piloto Massoud Nassar

Paulinho Stedile renasce para o motocross

Foto: Paulinho (d) fala com o piloto Massoud Nassar

Foto: Paulinho (d) fala com o piloto Massoud Nassar

SÆo Paulo (SP) – Superar os limites. Esta frase tem sido regra na carreira e na vida de Paulo Stedile, paranaense bicampeÆo brasileiro de motocross. Afastado das pistas h  um ano e meio ap¢s sofrer um grave acidente que o tirou os movimentos da cintura para baixo, o piloto de 26 anos voltou a competir. E em grande estilo. Ele venceu no dia 23 de abril a terceira etapa do Campeonato Paranaense de Veloterra, na cidade de Campo Tenente.

A fatalidade aconteceu em Marilƒndia, no Paran , na abertura do Brasileiro de Arena Cross de 2004. Em uma disputa com o mineiro Jorge Balbi, Paulinho cometeu um erro num salto e acabou caindo. O acidente provocou uma lesÆo muito grave na sua coluna. Durante dois meses e oito dias, ele ficou sem os movimentos da parte inferior do corpo, mas nem por isso abandonou o sonho de voltar a andar de moto.

Nesta entrevista, o atual coordenador t‚cnico da equipe Pro Tork conta como foi a recupera‡Æo e o retorno …s pistas, al‚m de anunciar que brigar  pelo t¡tulo do Arena Cross e pelo tricampeonato brasileiro em 2007.

Como foi a fase de recupera‡Æo ap¢s o acidente?
Depois do acidente, tudo em minha vida ficou em fun‡Æo da recupera‡Æo. Apesar de ser um processo lento, sempre acreditei que iria me recuperar. Para acelerar o processo, eu fazia duas ou trˆs vezes mais os exerc¡cios da fisioterapia. Se o tempo estipulado fosse de 1h30, eu fazia quase trˆs horas. Sempre disse que ia dar certo e, agora, est  acontecendo.

Vocˆ lesionou uma v‚rtebra e a medula, ficando mais de dois meses sem andar. Conte um pouco sobre sua luta.
Fiquei exatamente dois meses e oito dias sem andar. Foi complicado e, apesar de nunca ter desistido de voltar a andar de moto, o primeiro objetivo naquela fase era voltar a andar. Gradualmente fui recuperando os movimentos e for‡a das pernas. A esperan‡a de voltar a correr aumentou a cada evolu‡Æo.

E a cabe‡a, como foi administrar esta batalha?
Em momento nenhum eu desisti de voltar a andar de moto. O objetivo sempre foi este na minha cabe‡a. Eu sempre me imaginava andando de moto, mesmo antes de voltar a andar. Em alguns momentos eu at‚ “constru¡a” treinamentos e tomadas de tempo na minha cabe‡a. Corria s¢ na imagina‡Æo, como se fosse uma coisa muito real.

E depois que j  estava quase recuperado? Quando vocˆ subiu em uma moto?
Ainda no in¡cio da recupera‡Æo, mesmo de muleta, eu j  estava come‡ando a andar de moto. A Pro Tork me deu uma TR50F (mini-moto exclusiva da Tork) e eu ficava brincando com minha sobrinha no s¡tio, com um pouco de dificuldade. Com o tempo, ainda na TR50F, fui vendo que estava melhorando. Tinha mais for‡a e consegui ficar de p‚. A partir da¡ eu senti que dava e que logo iria voltar a andar de moto.

Ap¢s esta certeza, como foi o caminho at‚ o Paranaense de Veloterra?
Claro que nÆo foi de cara, pelo contr rio. H  trˆs semanas vi uma Tornado de trilha e competi‡Æo na f brica da Pro Tork e pedi para andar, fazer umas trilhas. No come‡o, o pessoal ficou meio reticente e nÆo queria deixar, mas dei um jeito (sorriso). Nas semanas seguintes fiz algumas trilhas e andei na minha pista de motocross. Dei algumas voltas bem devagar, sem saltar, apenas para sentir como eu estava. Neste momento vi que poderia tentar algo mais.

E como veio a decisÆo de encarar o Veloterra?
Isso foi coisa do Marlon Bonilha (diretor de marketing da Pro Tork). Ele falou que havia arrumado a moto para mim e que agora eu teria que correr na pista. Ele falou brincando, mas eu topei o desafio. No in¡cio disse que apenas treinaria na sexta-feira da semana do evento e ele concordou. EntÆo fomos para Campo Tenente. Na sexta treinei como havia combinado e cheguei ao final todo dolorido, com o bra‡o duro. Para ter uma id‚ia, passei a noite fazendo gelo, mas nÆo senti nada relativo ao acidente. S¢ voltei a andar no domingo no warm up.

Vocˆ falou de emo‡Æo. E no gate, como foi?
Vivi um sonho ali. S¢ de estar no gate j  era uma vit¢ria para mim. Meu objetivo era andar e ficar entre os cinco para estar no p¢dio, mas no decorrer da prova, senti que dava para ganhar. Coloquei na cabe‡a que precisava fazer algumas voltas r pidas para vencer e aconteceu. Senti o cansa‡o e tive muita dor no bra‡o, mas no final foi muito bom. Nem acreditei na bandeirada e segui acelerando. Foi muito bom. Pude voltar a fazer o que gosto, o meu trabalho.

Esta foi uma volta definitiva?
Estou voltando ao poucos. Ainda fa‡o o trabalho de fisioterapia pela manhÆ e quero voltar a treinar devagar. Daqui um mˆs come‡o a treinar com uma moto de competi‡Æo da Pro Tork e meu objetivo ‚ poder reestrear no motocross na primeira etapa do Brasileiro de 2007. Ainda nÆo posso garantir 100%, mas ‚ isso que quero.

Vocˆ falou que ainda falta evoluir na parte f¡sica. O que ‚ preciso melhorar?
Ainda preciso de for‡a na perna. J  recuperei todos os movimentos da perna sem carga, mas ainda preciso fazer um trabalho espec¡fico para esfor‡o, principalmente no joelho esquerdo. Como perdi um pouco dos movimentos do p‚ esquerdo, ainda uso muito o joelho para compensar na hora da troca de marchas e isso desgasta demais. Acho que neste segundo semestre consigo adquirir esta condi‡Æo para vislumbrar o Arena Cross, que ser  prioridade em 2007, e o Brasileiro.

D  para pensar em t¡tulos?
Eu quero estar no gate. O resultado ser  conseqˆncia do meu trabalho, mas quem sabe nÆo belisco alguma coisa? ·s vezes me empolgo com a possibilidade de vit¢ria, mas s¢ de participar j  ‚ uma grande vit¢ria.

E neste per¡odo, quem esteve ao seu lado e que vocˆ gostaria de agradecer ou lembrar?
Primeiramente a Pro Tork, que sempre esteve ao meu lado, nÆo somente com o incentivo financeiro, mas com o apoio emocional, me incentivando na recupera‡Æo. Tamb‚m tive o apoio da Surpass (confec‡Æo de roupas) e a Mitas (pneus), que continuaram ao meu lado mesmo depois do acidente. Tamb‚m nÆo posso deixar de lembrar da minha irmÆ Silmara, amigos, minha fisioterapeuta Dra. Ana, que sempre falou que eu iria voltar a andar de moto, e todos que mandaram cartas e torceram por mim. Muito obrigado!