Pepsi turbinada!

Pepsi turbinada!

Quem acha que os motociclistas do interior são pacatos e calmos, esta completamente enganado! Construída em uma pequena cidade do interior paulista, essa Suzuki surpreende não só pela quantidade de modificações, mas também pela ousadia de seu dono e de seu preparador.

Suzuki GS 500 Turbo

Construindo um sonho

Apaixonado por moto desde quando se deu por gente, o divertido Empresário José Horácio Cardoso Oliveira de 34 anos, afirma que seu grande orgulho é a impressionante GS 500 turbo, que com muito sacrifício, foi construída do jeito que sempre sonhou. Conhecido em sua cidade como “Shimu”, o jovem empresário comprou sua GS 500 zero quilometro em 2002, mas o visual original de fábrica duraria bem pouco, já que com 600 km rodados, um tombo fez com que ele e sua máquina sentissem o quanto é duro e abrasivo o asfalto.

Os ralados e o bolso do pobre Shimu, doeram mesmo quando ele recebeu o orçamento de um concessionário da Suzuki, que segundo ele era tão alto, que a opção mais viável encontrada por ele, foi personalizar sua GS 500.

E foi o que ele fez, além das peças que haviam sido danificadas, outros acessórios foram instalados e pequenas modificações também fizeram a GS uma moto mais atraente. Quando tudo estava pronto e a motoca rodando reluzente, um outro tombo, desta vez muito mais destruidor, fez com que a pobre Suzuki chegasse perto da destruição total. Se da primeira vez, o sabor do orçamento já havia sido amargo, o que pensar de uma moto que apenas o motor e parte do quadro sobraram inteiros? A saída encontrada por Shimu, foi transformar sua moto em algo verdadeiramente diferente, que chamasse a atenção de todos que a vissem. A vendo pronta, vimos que o objetivo do rapaz foi alcançado.

Quando a nescessidade daz a ocasião Sem saber se era possível ou não aproveitar o que havia sobrado de sua pobre Suzuki, o jovem empresário procurou Enio A. Leandro, proprietário da Performance Motorsport, responsável por ter encontrado uma solução para o primeiro tombo de Shimu. Enio conta que a moto estava realmente em mal estado, e que a coisa mais sensata a fazer, seria modificá-la de vez.

Com experiência na área naval, que atesta sua aptidão em desenvolver projetos onde a precisão e a resistência são primordiais, o preparador e artista teve a idéia de transformarem a suspensão que originalmente é um mono-cheque, e um mono-braço, mesmo sistema utilizado largamente nas italianíssimas Ducati. A empreitada exigiu muito tempo de trabalho, muitas noites em claro além de muita pesquisa e força de vontade. Ele confessa ainda que por ter sido a primeira vez que ele fez algo do gênero, a pesar do funcionamento ser preciso e confiável, as formas da peça parecem ter sido inspiradas no Dr. Frankenstein, e o peso da peça, em virtude de rua robustez, acabou ficando um pouco alto.

Um dos pontos altos desse projeto ficou por conta do disco de freio e da coroa, que agora trabalham do mesmo lado, próximos um do outro. Ainda falando em freio a disco, o modelo utilizado nessa motocicleta além de grande, com medida próxima ao diâmetro da roda de 17 polegadas, possui um design arrojado, contribuindo para o visual nervoso da moto e também para ótimas frenagens.

Empolgados com o resultado parcial, proprietário e preparador, durante uma pesquisa na Internet, viram um antigo protótipo da Honda cujo diferencial, eram os freios perimetrais, mais tarde adotados pela Buell.

Após estudar com o fazer um freio similar para a GS 500 que se tornava uma moto cada vez mais interessante, Enio desenvolveu um suporte para o disco que foi fixado na borda da roda, e a partir de desenhos feitos por ele, uma empresa especializada, o construiu. Seu diâmetro inspira confiança: 375 mm. A pinça utilizada foi a de Twister, pois sua área de contato era ideal para trabalhar no novo disco.

Buscando mais estabilidade, a suspensão dianteira foi substituída por uma do tipo up side down da marca Kayaba, exigindo um retrabalho no encaixe das novas e largas mesas. Vale lembrar que tanto na frente quanto na traseira, as rodas foram substituídas por modelos mais largos, e os pneus que as vestem, são nada mais nada menos que um 120/70 na frente, e um 180/55 na traseira, dando margem a abusos em curvas de diferentes raios.

Pepsy Energy, a inspiração Durante uma das conversas entre Enio e Shimu, alguém comentou sobre a pintura de uma latinha de Pepsi Energy X que estava na mesa. A bela cor da lata de refrigerante, chamou a atenção de Shimu, que logo consultou Enio se seria possível deixar sua moto com o mesmo aspecto da lata…, o resultado você pode conferir nas fotos, um belíssimo tom de azul metálico, com rajados de preto. O quadro foi repintado, mas mantendo a cor de quando saiu de fábrica, o prata, que também foi escolhido para dar acabamento as rodas.

Tanto a suspensão dianteira, quanto o quadro elástico traseiro, e o pára-lama dianteiro foram pintados de preto fosco, que ajuda ma manter a moto um tanto quanto “discreta”.

Afim de passar todas as informações importantes a quem conduz a moto, Enio adotou um painel de Tornado que trabalha em conjunto com outros três mostradores analógicos, que indicam a rotação, a pressão do óleo e também a pressão do turbo.

Demonstrando capricho, detalhes como os espelhos com aparência e fibra de carbono, as manoplas transparentes com a inscrição GSX-R ou ainda os parafusos em alumínio anodizado em azul mostram que o conjunto de pequenos detalhes contribuem para um bom resultado do conjunto.

Sopro milagroso Apesar de ser um bom motor, o bicilíndrico da GS 500 não é nenhuma referência em potência, afinal sua concepção é um tanto antiquada. Ainda assim, com pequenos “traquejos”, a motoca atinge 200 km/h. No entanto, Shimu e Enio, em mais uma das conversas regadas a uma boa e gelada cerveja, imaginaram a Invocada GS 500 com fôlego de moto grande, ou melhor ainda, com o fôlego redobrado de um turbo.

Contrariando muitos que o chamavam de louco, Shimu levou adiante o projeto de turbinar sua moto, e mais uma vez, Enio foi encarregado de fazer isso acontecer. Com auxílio técnico da Fôlego, uma oficina especializada em instalação de turbos na cidade de São Paulo, o criativo preparador desenvolveu a idéia, e confessa que a instalação foi relativamente fácil. A pedra no sapato ficou por conta do acerto da alimentação, que o fez perder inúmeras madrugadas, além de fios de cabelo…

A primeira tentativa foi a de utilizar só os carburadores originais da moto, com apenas alguns trabalhos. O resultado foi péssimo já que a moto falhava muito, apresentndo um desempenho pior eu a de uma moto original.

Esperando que as dores de cabeça fossem embora e a solução dos problemas fosse enfim encontrada, Enio retirou os carburadores e optou por instalar injeção eletrônica proveniente das motos quatro cilindros da marca. Segundo ele, a moto ficou um rojão em altos giros, mas em médios giros, ainda não agradava, tirando todo prazer da pilotagem.

A solução só veio quando ele teve a brilhante e curiosa idéia de fazer o carburador trabalhar em conjunto com dois bicos de injeção eletrônica. Para que isso pudesse acontecer, pequenas flanges em metal, foram instaladas entre o coletor e o motor, e então, os bicos foram posicionados.

O sistema funciona da seguinte maneira: até os seis mil RPM, a moto funciona normalmente com os dois carburadores originais, após essa faixa de rotação, o turbo começa a atuar, e nesse momento, os bicos de injeção suplementares começam a trabalhar.

Segundo Enio, esse misto funcionou muito bom, pois o funcionamento do motor se apresenta linear, sem qualquer espécie de buraco ou falha. A pressão utilizada é pequena, apenas 0,4 bar, e a turbina usada foi uma Garret ponto 48 bipulsativa. Para que o sistema funcionasse perfeitamente, todos os elementos utilizados em um carro turbo, também foram incorporados, como Waste gate, válvula de prioridade, equalizador de vácuo e bomba de combustível.

Da água para o vinho Confesso que achei muito interessante todas as modificações realizadas nesta bela moto, mas o que mais estava curioso para conferir, era o funcionamento do turbo. Fiquei na expectativa quando a chave do contato foi girada e o botão da partida do motor acionado.

A moto pegou muito fácil, talvez porque Enio decidiu não utilizar o álcool como combustível, já que a maioria dos preparadores costuma fazer essa opção. Sem oscilações, a marcha lenta mostra um ronco mais grave que o convencional, sem ser escandaloso e ruidoso demais.

Para que o turbo funcione bem, e o motor não sofra danos, é necessário que a moto fique um tempo aquecendo. Após essa pequena espera, pude ver a moto em movimento. O som da turbina funcionando é muito instigante algo como um pequeno assobio. E quanto mais alto os giros, mais peculiar é a sinfonia emanada pelo propulsor. Neste momento, durante as mudanças de marcha, o esperado som é facilmente ouvido: um sonoro e saudável espirro característico da válvula de prioridade, que atrai a atenção de todos e inspirando respeito.

A mudança no desempenho é evidenciada na rapidez com que os giros crescem dos seis mil aos doze mil. Vigorosa, a aceleração da GS 500 mudou da água para o vinho, tornado-a muito divertida e mais prazerosa de pilotar.

O turbo pede cuidados, como por exemplo, a bomba de gasolina sempre ligada e atenção redobrada na pressão do óleo, pois um descuido o motorzinho pode ir para beleléu. Mas o grande barato de senti-la acelerando forte, é ver a velocidade crescendo até o painel indicar pouco mais de 250, sempre transmitindo segurança, já que o conjunto ciclístico é super-dimensionado.

O balanço de todo esse projeto é positivo. Apesar de ter demorado três anos para ficar pronto e o custo ter sido alto, cerca de R$ 30.000, Shimu afirma que valeu a pena, e diz estar muito feliz com um de seus sonhos que se tornaram realidade.