Pesquisa revela: 48% dos consumidores não relacionam produtos chamados `piratas` ao crime organizado

Com objetivo de tra‡ar o perfil do consumidor do “com‚rcio alternativo”, estudo realizado pelo PROVAR – Programa de Administra‡Æo do Varejo em parceria com a Canal Varejo apresenta a atual situa‡Æo do mercado em rela‡Æo ao consumo ‚tico e consciente. Os dados mensurados oferecem aos executivos varejistas elementos para a tomada de decisäes e implanta‡Æo de novas estrat‚gias

Os n£meros impressionam. Segundo o Minist‚rio da Justi‡a, a cada ano cerca de R$ 30 bilhäes deixam de ser arrecadados em impostos em razÆo da pirataria. Al‚m disso, nÆo ‚ exagero afirmar que ao comprar um produto falsificado a pessoa provoca um efeito cascata que pode resultar no desemprego de um familiar. Entretanto, quem ‚ este consumidor que investe em produtos falsificados? O que o motiva? Estas sÆo algumas das questäes respondidas pela rec‚m-divulgada pesquisa “tica – Consumo tico e Consciente”, realizada pelo Provar – Programa de Administra‡Æo de Varejo, da Funda‡Æo Instituto de Administra‡Æo – FIA, maior centro brasileiro de estudos sobre o mercado de consumo, em parceria com a Canal Varejo – Consultoria: Mercado de Bens e Servi‡os.

Segundo dados da pesquisa, 35,2% dos entrevistados sempre fazem compras de produtos do com‚rcio alternativo, enquanto que 55,4% do total dos entrevistados compraram recentemente algum produto “pirata”. “Estes resultados revelam que, embora o consumo respons vel seja visto como um ato de escolha e de cidadania, e a cada dia mais os consumidores estejam atentos …s atitudes das empresas, o mesmo crit‚rio nÆo ‚ referˆncia quando o consumidor se vˆ diante de seu pr¢prio ato de comprar”, afirma o Professor Dr. Claudio Felisoni de Angelo, coordenador geral do Provar/FIA. Isto ‚, 91,7% dos entrevistados afirmam que o pre‡o ‚ a principal motiva‡Æo. Ou seja, na pr tica, a ‚tica no consumo ‚ deixada de lado em lugar da vantagem de pagar menos e levar um produto semelhante, embora sem garantias tanto de qualidade, quanto de procedˆncia.

A pesquisa foi realizada com 500 consumidores da cidade de SÆo Paulo e, al‚m de tra‡ar um perfil geral, tamb‚m dividiu os resultados por gˆnero, idade, grau de instru‡Æo e faixa de renda e estado civil. Comparando os produtos mais escolhidos para as compras, os CDs e DVDs estÆo em primeiro lugar no ranking geral com 67,9%. Quando comparados aos resultados por gˆnero, os homens indicam pequeno aumento na preferˆncia com 69,4%. J  as mulheres apresentam uma discreta diminui‡Æo nesta predile‡Æo com 64,6%. Comparados os resultados por faixas et rias, CDS e DVDs tamb‚m vˆm em primeiro lugar, apresentando 77,3% na faixa et ria “at‚ 25 anos”, 69,7% na faixa et ria “dos 26 aos 35 anos”, 72,4% na faixa et ria “dos 36 a 45 anos”. Na faixa et ria “mais de 45 anos”, apesar de continuar no topo da lista, com 47,4%, os resultados apresentam significativa queda.

Quando indagados se vˆem alguma rela‡Æo entre o com‚rcio alternativo, tamb‚m conhecido como “pirata”, os resultados gerais impressionam: 48,1% afirmam nÆo saber sobre a rela‡Æo deste mercado com o crime organizado. Comparando os resultados por grau de instru‡Æo, o estudo revela que 40,3% dos entrevistados com o “Ensino Fundamental – completo ou incompleto” nÆo percebem a rela‡Æo com o crime, enquanto que 52% dos entrevistados com “Ensino M‚dio – completo ou incompleto” e 54,8% daqueles que tˆm “Grau Superior/P¢s-Gradua‡Æo – completo ou incompleto”, tamb‚m nÆo. “Observa-se que quanto maior o grau de instru‡Æo, menos as pessoas percebem a estreita rela‡Æo entre estes universos da contraven‡Æo.  o reflexo de um dos maiores problemas do Brasil: considerar este crime toler vel, pois faz bem para o bolso”, explica Felisoni de Angelo.

Entretanto, se num primeiro momento, a compra parece vantajosa, dados do Conselho Nacional de Combate … Pirataria revelam o oposto. Estimativas apontam que para cada emprego informal criado (como uma nova barraca de camel“s nas ruas), seis formais sÆo perdidos. Al‚m disso, cerca de dois milhäes de vagas de empregos sÆo fechadas (ou deixam de ser abertas) todos os anos por causa da “pirataria”. “A pirataria ‚ um problema cultura e social no Brasil. O consumidor, ao adquirir um produto falsificado, nÆo sabe o mal que causa a si pr¢prio e ao desenvolvimento do pa¡s. Ao contr rio, nossa pesquisa indica que 21,2% acham que adquirir estes produtos clandestinos traz status. Um verdadeiro contra-senso”, alerta o professor.

Para os pesquisadores, mais do que apresentar um panorama atual desta modalidade clandestina do consumo, o dados apresentados pelo estudo tamb‚m servem para indicar a necessidade de formar consumidores preocupados nÆo s¢ com a qualidade dos produtos, mas tamb‚m com os impactos que as atividades econ“micas causam ao planeta em que vivemos. “O papel das institui‡äes privadas deve passar a ser visto pelos clientes como decisivo para o desenvolvimento sustent vel das na‡äes, principalmente em locais onde o governo regional se mostra ineficaz no tratamento das questäes s¢cio-ambientais”, complementa o coordenador da pesquisa.