Foto: Antonio Jorge Balbi Jr

Pilotos analisam participação brasileira no Mundial de Motocross

Foto: Antonio Jorge Balbi Jr

Foto: Antonio Jorge Balbi Jr

Grandes nomes do motociclismo nacional como Antonio Jorge Balbi Jr, Swian Zanoni, Wellington Garcia, João Marronzinho Júnior, Cristopher Pipo Castro, Leandro Silva, Gabriel Gentil, Jean Ramos, Roosevelt Assunção, Rafael Zenni, Rafael Faria, Gustavo Takahashi, Thales Vilardi, Rodrigo Rodrigues, Hector Assunção, Mariana Balbi, Marcello e Dudu Lima tiveram a oportunidade de disputar uma prova ao lado de campeões mundiais como Antonio Cairolli e Marvin Musquin, nesse final de semana, 12 e 13 de setembro, durante a grande final do Campeonato Mundial de Motocross 2009, o Honda GP Brasil, em Canelinha.

Com a sua experiência Balbi conseguiu um histórico 10º lugar no geral, a melhor colocação de um piloto brasileiro em provas do campeonato mundial.

Para os demais os resultados não foram tão expressivos, mas a oportunidade e a experiência adquirida aliadas ao carinho do público tornaram o final de semana dos pilotos nacionais inesquecível, como disse Marronzinho. -Na primeira bateria eu andei bem e terminei na 16ª colocação. Na segunda estava em 14º, quando sofri uma queda forte, e cai para as últimas colocações, mas ainda consegui chegar na 21ª colocação, terminando a etapa na 20ª posição no geral. Andei na frente de grandes pilotos em alguns momentos, mas infelizmente houve esse imprevisto. Espero ter outras oportunidades como esta e a cada uma delas crescer dentro da pista-, comentou o tricampeão brasileiro, João Marronzinho Júnior.

Gabriel Gentil terminou a etapa na 32ª colocação, mas para ele, a experiência conquistada nesses dois dias valeu mais do que qualquer resultado. -O que estou levando daqui não são os resultados, mas sim a experiência e o convívio com campeões mundiais. Mesmo eu não tendo um bom resultado a energia do público berrando nas arquibancadas a cada volta que eu completava foi incrível. Agora espero colocar em prática tudo o que aprendi com eles (pilotos) e melhorar cada vez mais meu desempenho dentro das pistas-, disse.

O atual vice-campeão brasileiro das categorias MX1 e MX2, Pipo Castro, lamentou ser apenas o 20º colocado no geral, mas destacou a oportunidade e o contato que teve com os grandes pilotos e suas equipes. -Eu posso dizer que eu não tive o resultado que eu queria. Na primeira bateria tive um resultado muito bom, 16º, por pouco não fui o melhor brasileiro, fiquei como segundo melhor brasileiro. Me poupei um pouco na primeira para apostar todas as fichas na segunda bateria, eu estava muito confiante, mas acabou não dando muito certo. Na primeira volta eu tive um tombo um pouco forte, acabei ficando sem ar, a moto demorou pra pegar, acabei perdendo muito tempo, mas consegui recuperar e chegar na 22ª posição. Um resultado razoável, mas eu estou saindo daqui muito feliz e satisfeito porque não é sempre que temos uma oportunidade dessa de estar podendo alinhar junto com os melhores pilotos do mundo-, analisou.

Swian Zanoni foi o melhor brasileiro na MX2. Nos treinos livres foi o mais rápido e nas provas oficiais só confirmou o resultado, terminando a etapa como o melhor brasileiro da categoria, com um 14º e um 15º lugar nas baterias, e o 14º lugar no geral. -Eu queria ficar de qualquer jeito entre os 15. Na primeira volta tomei uma queda, mas consegui uma recuperação e na última curva bati o pé com muita força que me prejudicou um pouco na segunda bateria. Nessa tive que andar com muito cuidado para chegar até o final-, contou.

Com sua experiência nas temporadas do AMA, é natural perceber que dentre os brasileiros Balbi é quem possui a pilotagem mais próxima à dos pilotos do circuito mundial. Porém, também foi fácil identificar que ele não estava totalmente a vontade com a moto que utilizava na pista de Canelinha. -Lá fora a gente anda em pista com mais velocidade, mas com mais saltos, canaletas, terreno mais solto. Aqui por ser uma pista mais travada mas muito técnica, realmente eu tive problemas no acerto com a moto. O principal é que ela não tinha a saída de curvas, faltava torque-.

Balbi esperava ficar entre os 10 da prova e ficou feliz por ter conseguido seu objetivo. -Acho que andei num ritmo muito bom. Estava brigando com pilotos europeus e motos de fábrica. Mas o público tem uma parcela desse sucesso. O público gritou muito, era grande a emoção, sentia que o público gritava a cada passagem-.

Desabafo – Durante a coletiva de imprensa Balbi fez um verdadeiro desabafo, e enquanto pedia desculpas por tê-lo feito, era aplaudido, o que o incentivou a continuar.

-Nós precisamos ter condições de pista como essas. Para eles (os estrangeiros) a pista não é dificuldade nenhuma. Para nós brasileiros, além da concentração da corrida, a maior parte tem que se preocupar com as dificuldades do traçado. Eu me formei em pistas muito diferente dessas, e sei do que estou falando. Temos que dar os parabéns para os organizadores, aqui para a Federação Catarinense, por que agora o Brasil tem pelo menos uma pista nos padrões internacionais. Porém, espero que a CBM finalmente acorde para o que aconteceu hoje. Os nossos melhores pilotos ficaram muito para trás. Temos que separar as categorias amadoras das profissionais. Parem com isso!-, desabafou.

-Piloto bons nós temos, falta a CBM, os patrocinadores, darem condições para a evolução dos pilotos. Temos que ter mais pilotos brasileiros correndo lá fora. O Swian que foi o nosso melhor piloto da MX2, já conhecia alguns pilotos como Musquin, de provas na Alemanha, Suíça e Áustria numa pós-temporada que ele fez em 2007. E hoje o Musquin se tornou campeão mundial! O público estava vibrando tanto hoje com a participação dos brasileiros. Imagine se tivéssemos pilotos brasileiros andando entre os cinco. Eles iriam pular tanto que desmontariam as arquibancadas!-, observou.