Pipas e fiação, uma relação perigosa

Pipas e fiação, uma relação perigosa

Pipas e fiação, uma relação perigosa

Com a chegada das férias e o aumento de crianças nas ruas e parques das cidades, uma preocupação toma conta das equipes de técnicos e eletricistas da CPFL. É a proximidade de pipas com as redes elétricas aéreas.

Os números não mentem. Linhas e parte dos brinquedos enroscados nos fios provocam curtos-circuitos, desligamento de redes de distribuição e acidentes com choques elétricos, podendo em alguns casos mais graves culminar em morte. O desafio de evitar essa tragédia urbana não é apenas da empresa, mas recai sobre toda a sociedade.
Brincar muito próximo a redes elétricas e utilizar cerol nas linhas representam os maiores riscos de acidentes quando o assunto envolve pipas. No entanto, é possível reverter essa ameaça com conscientização de todos e a adoção de algumas medidas preventivas. Ninguém precisa ficar sem seu brinquedo e a solução não passa pela proibição das pipas. Muito pelo contrário. A primeira providência é escolher um local para brincar longe da fiação elétrica. Por isso a melhor maneira de se prevenir é afastar esse risco buscando locais mais seguros, campos abertos e parques, áreas com menos acidentes geográficos, terrenos planos, fugindo do entorno de rodovias ou das avenidas de intenso movimento, porque o risco de atropelamentos também existe.

Envolver a linha da pipa com cerol é crime. Não são raros relatos de motoqueiros e ciclistas atingidos na altura do pescoço, vítimas da imprudência de alguns. No estado de São Paulo, a Lei nº 12.192/2006 proíbe o uso de cerol ou de qualquer produto semelhante que possa ser aplicado em linhas de papagaios ou pipas, sujeitando o infrator ao pagamento de multa no valor de 5 UFESPs (5 x R$ 16,42 = R$ 82,10, valores para 2010), sendo responsabilizado penalmente ou os pais, caso o infrator seja menor.

Em relação à soltura de pipas, algumas regras básicas devem ser respeitadas, para que uma brincadeira tão especial não se transforme em preocupação. O brinquedo, obviamente, é inofensivo, mas a forma como é utilizado é que o deixa perigoso. Outra preocupação é em relação ao papel utilizado. Aumenta o risco de acidentes se a opção pelo papel alumínio for utilizada, ou mesmo papel laminado, por serem condutores elétricos, facilitando a ocorrência de curtos-circuitos.
A primeira grande orientação é somente soltar pipas longe da rede elétrica. Se acontecer de o brinquedo ficar preso na fiação, a melhor coisa a fazer é não cair na tentação de recuperá-lo. A tentativa de resgatar o brinquedo pode provocar desligamentos no fornecimento de eletricidade, causar acidentes de grandes proporções, inclusive com vítimas. Subir em telhados ou postes para recuperá-las representa risco de choque, assim como tentar removê-las com canos ou bambus. Não é indicado soltar pipas na chuva. O brinquedo funciona como para-raio, conduzindo energia, assim como não é indicado subir em lajes para empinar pipa, porque qualquer distração pode causar uma queda.

Longe de querer acabar com brincadeira tão incorporada na cultura e no folclore brasileiro, as empresas distribuidoras de energia elétrica se sentem na obrigação de fazer esses alertas. Muitos dos desligamentos provocados pelas pipas poderiam ter sido evitados se alguns cuidados básicos fossem adotados, como brincar somente em praças ou campos.

Todas essas preocupações podem ser multiplicadas atingindo grande parte da sociedade envolvida com o problema. É preciso uma mudança de atitude para se evitar acidentes com pipas. Com maior conscientização e respeito à cidadania, sem prejuízo da exibição de seu brinquedo ou da liberdade de lazer de toda a sociedade.

Antonio Carlos Cyrino – Diretor de Operações da CPFL