2012-MVAgusta-Brutale989R1

Previna problemas com oficina: exija tudo por escrito

A MV Agusta Brutale, pivô de toda a confusão

A MV Agusta Brutale, pivô de toda a confusão

Sabe aquele ditado que diz – “faça tudo comigo, mas não mexa com a minha moto, senão….”. Pois é. O bicho pegou feio aqui entre cliente e dono de uma oficina em Fortaleza (CE) quando uma MV AGUSTA Brutale foi acidentada quando estava sob responsabilidade da empresa.

Além de muito desagradável, o fato serve de alerta para que motociclistas e oficinas de serviços, autorizadas ou não, tomem certos cuidados para evitar a sucessão de erros que relato a partir de agora.

De um lado está a oficina Wânio Motos que já tem alguns anos de funcionamento e pertence ao Sr. Wânio e que atende motos de diversas marcas. De outro está o cliente – Dr. Breno Tashiro, médico e motociclista.

Um problema com solução simples tomou grandes proporções

Vamos aos fatos. O Dr. Breno levou sua MV Agusta para um ajuste de injeção eletrônica na oficina do Sr. Wânio e troca de velas. O senhor Wânio consertou a moto e ao ir deixá-la na casa do Dr. Breno, segundo ele informou a este repórter, “inexplicavelmente a moto travou o freio dianteiro fazendo com a que a moto caísse e danificasse algumas peças” as quais, somadas, resultariam em um prejuízo de R$ 4.800,00.

É aqui que a confusão começa. O Sr. Wânio colocou a culpa na moto e disse que “uma falha de projeto da MV AGUSTA ocasionou o estrangulamento da mangueira de freio e isso resultava em travamento do pistão, pois o óleo não tinha como retornar”.  Como o que está ruim pode ficar pior, o Sr. Wânio disse que “não iria pagar o prejuízo por que a culpa dele ter levado o tombo e consequentemente resultado em prejuízo era do cliente que era dono da moto”.

O tempo fechou. O Dr. Breno foi tomar satisfação e exigir que o prejuízo “fosse reparado e que outros laudos fossem feitos”, pois ele se recusava a acreditar que uma moto dessa qualidade viesse a apresentar um defeito grave desses. Ocorre que o Sr. Wânio não quis conversa e literalmente soltou um cachorro Pitbull adestrado para colocar o Dr. Breno pra correr.

Oficina onde estava a moto do Dr. Breno

Oficina onde estava a moto do Dr. Breno

Num ataque de fúria o Dr. Breno pegou seu carro e destruiu a lateral do carro do Sr. Wânio e tudo isso foi parar no Facebook. A este repórter o Dr. Breno diz que a questão “não é financeira”, pois ele vai pagar pelo prejuízo causado por ele e está ciente disso. O que mais o revoltou foi “o descaso e a forma irresponsável como o Sr. Wânio tratou o caso”. Acrescente-se a isso a falta de habilidade de tentar buscar um ponto de negociação por parte do Sr. Wânio, o que acabou gerando tudo isso. Lembro que por muito menos, mais precisamente por sete reais de diferença em uma conta – pessoas são assassinadas.

O fato acima serve para mostrar como essa relação cliente – mecânico muitas vezes azeda a ponto de virar um veneno quase mortal. Neste caso há erros de ambas as partes.

O primeiro deles é entregar uma moto dessas sem registro de entrada ou mesmo uma simples abertura de Ordem de Serviço. Outro erro é ir deixar moto em casa de cliente rodando. No reboque já é perigoso imagine uma moto de alto custo. Detalhe: a casa do Dr. Breno fica há duas quadras da oficina do Sr. Wânio. Culpar a moto ou o cliente de um acidente ocorrido, recusando-se a pagar o prejuízo, com a moto (pilotada pelo dono da oficina) é no mínimo muito difícil de entender.

A postura correta, neste caso, seria informar o problema ao cliente, ressarcir e consertar a moto por conta do acidente e depois, junto com o cliente, elaborar um laudo onde registraria o ocorrido. Junto com esse laudo seriam acrescidos mais dois outros independentes. Feito isso, seria encaminhado ao fabricante e dependendo da resposta poderia se iniciar uma ação judicial. O fato de ser feita em conjunto, mecânico e cliente, daria ainda mais força a ação, mas infelizmente escolheram o pior caminho – aquele que de lugar nenhum se leva ao nada.

Casos como esses acontecem diariamente, porém se a moto estava na oficina a responsabilidade é de quem estava com a moto para conserto. Para piorar ainda mais a situação, testemunhas me informaram que o que ocasionou a queda “não foi uma falha de freio” e sim uma “manobra mal executada” chamada de ‘RL’ onde se freia a moto de forma que a traseira levanta e ela fica apoiada apenas na roda dianteira. A tal manobra, mal executada, provocou o acidente de forma que painel e farol ficaram destruídos.

Situação semelhante a que ocorreu no acidente com a MVAgusta Brutale na manobra que não deu certo

Situação semelhante a que ocorreu no acidente com a MVAgusta Brutale na manobra que não deu certo

De qualquer forma não é assim que se deve tratar uma moto de cliente. O caso foi parar na polícia e encaminhado à justiça e vai render um bocado de dor de cabeça. Conversando com o Dr. Breno a respeito da atitude impensada de avariar o carro do Sr. Wânio ele assume que perdeu a cabeça. “Pra mim”, diz o Dr. Breno, “o problema não foi e não é financeiro, mas sim moral e está relacionado a grande irresponsabilidade e falta de profissionalismo do Sr. Wânio”, finaliza.

Fatos como esse servem de alerta a clientes e aos donos de oficina de serviços a tomarem mais cuidado com os bens que estão sob sua responsabilidade. Documentar tudo que acontece e realizar os testes de verificação da moto em condições seguras e não cair na tentação de ficar fazendo ‘firulas’ ou resolver dar um ‘rolê’ na moto do cliente sem nenhuma necessidade.

Se for transportar a moto do cliente para a oficina, pague um guincho ou traga em um reboque. Registre na entrada se a moto tem arranhões ou avarias e fotografe tudo. Informe ao cliente e peça a ele para assinar. Na entrega realize o mesmo procedimento. Tudo ficando documentado, o problema em questão não tomaria esta proporção.

E se algum funcionário seu danificar a moto, seja por que razão for, providencie o reparo imediato, pois a única pessoa que jamais pode sair no prejuízo e sem culpa é o cliente. E cliente zangado…  nem me fale e se mexeram na moto dele… vixe é caso de polícia!



Motociclista desde os 18 anos. Jornalista e apaixonado por motos desde que nasceu.