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Primeiro contato com a pista

Enviado por Motonline, qua, 04/08/2010 – 17:02

Chegou o momento de aprender a pilotar uma moto na pista, e para isso nada melhor do que um curso de pilotagem! A série já lhe mostrou o ambiente ideal, o que usar, e agora vai abordar as técnicas essenciais para acelerar uma moto com segurança e controle. O nosso participante cursou o Módulo Alumínio, da Alex Barros Riding School, que apoia a nossa série. Veja no vídeo abaixo uma visão geral do dia.

Conheça os detalhes e as sensações dessa experiência através do depoimento do nosso participante sobre o dia do curso.

“Amanhã começo! Pista, aí vou eu! Preciso dormir cedo para estar bem amanhã.” Era esse basicamente o meu pensamento no dia anterior ao curso. Porém, por causa da ansiedade, fui dormir à 1h00 da manhã. Felizmente isso não gerou nenhum problema e às 6h00 da manhã saí de casa em direção ao autódromo de Interlagos, com a moto em cima na carretinha.

Cheguei por volta das 7h00 da manhã. Na recepção do curso preenchi algumas fichas para finalizar o processo de inscrição e fui orientado a entregar a moto para vistoria, vestir o macacão e colocar todos os equipamentos de segurança. Pilotos experientes vestem o macacão sozinhos, sem problemas. Já eu, novato no assunto, com um macacão novo ainda não laceado, tive um bom trabalho e só consegui colocar a parte de cima do macacão com a ajuda de outra pessoa. Espero daqui a algum tempo conseguir fazer isso sozinho!! rsrs…

Por volta das 7h30 fui para o local onde é servido o café da manhã, que está incluído no curso. E que café da manhã!!! Um buffet completo com frutas, sucos, café, leite, pães, frios, sanduiches, entre outras coisas. Muito bom! Tomei meu café e às 8h00 fui chamado para o início do curso.

O Módulo Alumínio tem a duração de um dia e intercala teoria e prática. Durante o período da manhã, conhecemos em sala de aula importantes técnicas de pilotagem e fizemos exercícios práticos na pista. Veja no vídeo como é o Módulo Alumínio. Os instrutores responsáveis por esse módulo no dia foram Marcelo Camargo Corregiari e Pablo Berardi.

Pablo Berardi ensina aos alunos o contra-esterço (foto: Danilo Máximo)

Pablo Berardi ensina aos alunos o contra-esterço (foto: Danilo Máximo)

Pablo Berardi ensina aos alunos o contra-esterço (foto: Danilo Máximo)A primeira técnica abordada é a do contra-esterço. Em sala nos ensinaram a teoria e nos explicaram o exercício prático que faríamos em seguida: o slalon longo. Aqui cabe uma curiosidade: eu, como membro do Motonline, convivo com o assunto de duas rodas o tempo todo, e por essa razão sempre ouvi falar do contra-esterço: “Cara, você vira o guidon pra um lado e a moto faz a curva pro outro!”. E eu pensava: “Nossa, que viagem!!” e, sinceramente, não acreditava naquilo. Bom, depois de ver a teoria e praticar na pista, posso dizer: É verdade!!!! Essa técnica funciona pra valer!!!

A técnica é tão eficiente que logo no começo do exercício prático já é possível perceber como ela facilita a pilotagem e o domínio da moto. Essa técnica é usada para facilitar a entrada da moto em uma curva, para conduzir a moto durante a curva, e também, pensando em ambientes urbanos, para desviar de imprevistos. Eu ando de moto há 13 anos e gostaria muito de ter aprendido técnicas como essa antes.

Exercício prático para treinar a "direção do olhar" (foto: Danilo Máximo)

Exercício prático para treinar a "direção do olhar" (foto: Danilo Máximo)

Voltamos para a sala de aula e nos ensinaram duas outras técnicas: controle da moto utilizando acelerador, embreagem e freio traseiro; e a “direção do olhar”. A primeira técnica é usada para controlar a moto em baixa velocidade, ao manobrá-la em uma garagem de prédio, por exemplo, ou mesmo para passar lentamente em um corredor mais apertado. A técnica da “direção do olhar” ensina que a moto vai para onde você olha. Se você olhar para o buraco, passará em cima dele. Se olhar para o trajeto que passa ao lado dele, não cairá no buraco. Na pista, ao entrar em uma curva, se olhar para a zebra interna, conseguirá fechar corretamente a curva. Se olhar para a área de escape, é pra lá que você vai!!!

Partimos para o exercício do slalon triangular, para praticar essas duas técnicas. Com o trio acelerador, embreagem e freio traseiro, eu me dei bastante bem. Já a técnica da “direção do olhar” eu achei bem mais complexa. Terminei o exercício sem a entender por completo, mas tenho certeza de que com um pouco mais de treino, conseguirei compreendê-la melhor.

Em seguida nos explicaram o conceito da frenagem de emergência. No exercício prático, a partir de uma velocidade de 60 Km/h, devemos acionar a embreagem e frear a moto até sua parada completa, usando freios dianteiro e traseiro, com ênfase no dianteiro. Esse exercício tem como objetivos demonstrar a capacidade de frenagem da moto, deixando claro que é maior do que pensamos e ensinar a forma correta de usar os freios em uma emergência.

Erro durante a frenagem: roda traseira travada (foto: Danilo Máximo)

Erro durante a frenagem: roda traseira travada (foto: Danilo Máximo)

Camargo passa orientações sobre a frenagem (foto: Danilo Máximo)

Camargo passa orientações sobre a frenagem (foto: Danilo Máximo)

 

Final da manhã, pausa para o almoço. O buffet, que fica à disposição dos alunos durante o dia todo, agora servia a refeição. Excelente! Um ambiente ideal também para conversas sobre o que havíamos praticado durante a manhã.

Aprendizado sobre o traçado (foto: Danilo Máximo)

Aprendizado sobre o traçado (foto: Danilo Máximo)

A parte da tarde é mais voltada à prática usando a pista toda. Fizemos 3 saídas de 20 minutos cada e entre cada saída, conversamos sobre as dúvidas em sala. Na pista, os instrutores nos mostraram o traçado correto do circuito, e enquanto isso, praticamos todas as técnicas apresentadas anteriormente. Utilizei o contra-esterço nas entradas e durante as curvas. Pouco a pouco aumentava a segurança na frenagem que antecede as curvas. A importância da “direção do olhar” ficou mais clara e quanto mais essa técnica era aplicada, mais simples se tornavam as curvas e o traçado. Minha compreensão sobre essa técnica melhorou muito, mas confesso que ainda não consegui absorver 100%. Neste primeiro módulo a velocidade é alta para o que eu estou acostumado, mas ainda moderada em relação às condições oferecidas em uma pista.

Na segunda saída da tarde, o primeiro susto. Ao frear no final da reta dos boxes, reduzi duas marchas rápido demais. A roda traseira travou por alguns instantes e eu senti a moto “rabeando” bastante. Achei que ia perder o controle da moto. Felizmente assim que a velocidade diminuiu um pouco, a roda traseira voltou a girar normalmente e a moto ficou sob controle novamente. Ufa!!

E o que fazer em caso de queda? Esse é um ponto que eu gostaria que tivesse sido abordado neste módulo, mas não foi. Ao frequentar uma pista de competição, logo se percebe que cair faz parte do jogo. Na medida em que a velocidade aumenta, a sensação de que em algum momento chegará a minha vez fica mais clara. Tive algumas orientações conversando com os instrutores, mas se eu não tivesse perguntado o assunto não teria sido abordado. E claro, difícil deve ser conseguir se lembrar da orientação na hora da queda!!

Voltas na pista para se acostumar à velocidade (foto: Danilo Máximo)

Dando voltas na pista para se acostumar à velocidade (foto: Danilo Máximo)

Na última saída para a pista, mais um momento de tensão: “passei reto” no Laranjinha! Achei que ia cair, mas consegui colocar a moto “em pé” antes de passar pela zebra, para então frear na área de escape, com o coração já saindo pela boca! Meu erro foi não ter direcionado corretamente o olhar. Quando a moto começou a abrir a curva, eu olhei para a área de escape, e foi pra lá que a moto foi!!

Encerramento do curso e entrega do diploma (foto: Danilo Máximo)

Encerramento do curso e entrega do diploma (foto: Danilo Máximo)

Durante todo o curso, recebemos orientações em relação à postura correta em uma moto, posicionamento dos pés na pedaleira e dos dedos no freio e embreagem. Apesar de ser em grupo, a atenção prestada é muito grande e cada aluno recebe orientações personalizadas. Neste módulo também aprendemos as regras e sinalizações usadas em pistas.

No encerramento, uma ótima notícia! O tempo para aprovação neste módulo para uma moto 250cc é de 2’38” e o meu tempo médio foi de 2’32”. Aprovado!!!

Assim foi o meu primeiro contato com a pista. Repleto de aprendizado e já com uma boa dose de adrenalina. Saí de Interlagos muito mais preparado para conduzir uma moto tanto em pista quanto em ruas e estradas.”

O curso de pilotagem é uma das maneiras de se acessar a pista com segurança. Mas não é só isso. “O objetivo do curso, especialmente do módulo Alumínio, é ensinar importantes técnicas para se obter o controle da moto, e assim formar melhores motociclistas. O foco não é apenas a pista, e sim qualquer ambiente”, disse Alex Barros. A Alex Barros Riding School foi lançada em fevereiro de 2010 e é uma realização Alex Barros Grupo e Grupo New Marketing.

Além dos módulos Alumínio, Carbono e Titânio, também é possível fazer os cursos compactos, nos quais o aluno faz saídas de 20 minutos para a pista ao longo do dia, com a supervisão de instrutores. Serve para aprimorar as técnicas aprendidas nos módulos e treinar com segurança. É claro que não deixaríamos isso fora da série! Não perca no próximo capítulo.

Veja abaixo um vídeo que apresenta o curso, elaborado pela Alex Barros Riding School.

Comportamento da Kawasaki Ninja 250R durante o Módulo Alumínio do curso

Ninja 250R durante o curso (foto: Danilo Máximo)

Ninja 250R durante o curso (foto: Danilo Máximo)

Ninja 250R durante o curso (foto: Danilo Máximo)A “ninjinha” se comportou de forma exemplar neste primeiro contato com a pista, e permitiu uma ótima compreensão de  todas as técnicas abordadas. O fato da moto ser relativamente leve se comparada com as motos maiores, de 600cc ou 1000cc, faz com que o contra-esterço e o controle da moto com acelerador, freio traseiro e embreagem se tornem mais fáceis. No exercício de frenagem a moto também se saiu muito bem.

Para uma moto como esta, as retas da pista não geram muita emoção, pois se atinge rapidamente a velocidade final por volta de 165Km/h e aí é só esperar a reta terminar. Já as curvas são bastante desafiadoras e geram muita adrenalina. A moto apresenta uma ótima estabilidade nas retas e curvas.

Por ser uma moto sport touring, sua posição de pilotagem é menos deitada do que a das superesportivas, o que proporciona um conforto maior para o piloto e não gera grande desgaste físico.

Obs.: Para facilitar a discussão sobre esse assunto, além da área de comentários abaixo, criamos um tópico no fórum para os motonliners que preferem este formato. Clique aqui para acessar o tópico.

Veja também os outros capítulos:

Capítulo 1 – Lugar de acelerar é NA PISTA

Capítulo 2 – Conheça o ambiente da pista

Capítulo 3 – Motocicleta e equipamentos: faça a escolha certa

Capítulo 5 – A evolução ocorre com o treino

Capítulo 6 – Preparação da Ninja 250R para a pista

Capítulo 7 – Copa Ninja