Projeto Bloodhound: carro a mil milhas por hora

Projeto Bloodhound: carro a mil milhas por hora

Projeto Bloodhound: carro a mil milhas por hora

Richard Noble, além de querer fazer seu carro esporte híper-avançado, nesses últimos dois anos esteve envolvido até o pescoço num projeto muito mais avançado, e que a maioria dos engenheiros acha impossível: fazer um carro capaz de atingir velocidade de mil milhas horárias, ou mais de 1.600 km/h. Noble e alguns de seus amigos ingleses acham que nada é impossível, e que os britânicos precisam muito voltar a ser recordistas mundiais de velocidade.

Duas barreiras são formidáveis para tal projeto: aerodinâmica e calor. Um desenho realmente aerodinâmico para essas velocidades depende basicamente de detalhes -literalmente milhares deles. O primeiro desenho, chamado Configuração Zero, apareceu em agosto de 2007, e de lá para cá já passou por n pequenas mudanças vindas de testes em túnel de vento – como diz o próprio Noble, -pontuadas por pequenos -Eurekas!-

A configuração atual, Jet Over Rocket, Jato sobre Foguete, tem trabalhado extremamente bem nas simulações de computadores, com os dois motores equilibrando lateralmente o centro de gravidade do veículo e criando menos força para baixo nas rodas dianteiras quando o motor de foguete é ligado. No presente momento, os engenheiros de projeto estão passando por um exercício de detalhamento que eles chamam de -Otimização Paramétrica-: quais pequenas mudanças trabalham melhor com quais outras.

Entre esses parâmetros, encontram-se o bordo de ataque do montante delta, o ângulo de ataque deste montante, a cambagem do estai, a área de base, a bitola traseira, o comprimento da carenagem de pico, a altura dele e o ângulo da traseira tipo barco. Um problema até agora não mencionado pelos projetistas é o da hiper-violenta passagem de ar por baixo do veículo, que muitos acham que vai tirá-lo do chão.

A barreira térmica está sendo estudada pela Zircotec, especializada em coberturas protetoras e seus materiais: aço, alumínio, titânio, compósitos e cerâmica borrifada de plasma – esta última para proteger o piloto, a estrutura e os sistemas elétricos sensíveis ao calor.

Aplicações-chave para este tipo de proteção são os painéis de carroçaria ao redor das pétalas do bico do pós-queimador, feitas de titânio e normalmente expostas ao fluxo de ar de um caça Typhoon. O conjunto do catalisador, no final da carcaça do foguete Falcon de 18 polegadas que gera quase 12 toneladas de empuxo, é outra área que gera uma enorme quantidade de calor. Além dela, há os coletores de escape do V12 MCT de 650 hp, que estará girando a 10.500 rpm durante 22 segundos durante o ciclo de arranque do foguete. Todos revestidos de cerâmica borrifada de plasma da Zircotec, com menos de 1 mm de espessura.

Espaço, peso e necessidade absoluta de proteção térmica são condições críticas que exigirão a criação de novos produtos, muitos aplicáveis a instalações mais leves, seguras e eficientes nos futuros carros de produção, além de residências e indústrias.


José Luiz Vieira, Diretor, engenheiro automotivo e jornalista. Foi editor do caderno de veículos do jornal O Estado de S. Paulo; dirigiu durante oito anos a revista Motor3, atuou como consultor de empresas como a Translor e Scania. É editor do site: www.techtalk.com.br e www.classiccars.com.br; diretor de redação da revista Carga & Transporte.