Foto: Avião da equipe EESC USP Micro, da Classe Micro, formada também por alunos da USP São Carlos

Projetos de aviões de universitários brasileiros disputam competição nos EUA

Foto: Avião da equipe EESC USP Micro, da Classe Micro, formada também por alunos da USP São Carlos

Foto: Avião da equipe EESC USP Micro, da Classe Micro, formada também por alunos da USP São Carlos

Quatro equipes, formadas por 45 estudantes de engenharia de Minas Gerais e São Paulo, participam entre os dias 30 de abril e 2 de maio da SAE Aerodesign East Competition, no Texas, EUA. A competição reunirá 65 equipes, que foram desafiadas a projetar e construir aviões em escala reduzida e rádiocontrolados, capazes de transportar o máximo de carga útil dentro das restrições impostas pelo regulamento da SAE International, organizadora da competição. Os projetos foram desenvolvidos em instituições de ensino da Europa e das Américas.

O Brasil será representado pelas equipes Cefast AeroDesign, do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (Cefet-MG); e EESC USP Regular, da Escola de Engenharia de São Carlos da USP (Universidade de São Paulo), ambas pela Classe Regular. Na categoria Advanced Class, a presença brasileira será com a equipe EESC USP Advanced, também da USP São Carlos.

Outra participação do Brasil será com a equipe EESC USP Micro, da Classe Micro, formada também por alunos da USP São Carlos. É a primeira vez que o País disputa nos EUA na Classe Micro.

As quatro equipes ganharam o direito de participar da competição de engenharia após conquistarem as melhores colocações na XI Competição SAE BRASIL AeroDesign, ano passado, em São José dos Campos, SP.

No Flying Field Club, em Fort Worth, onde a competição será realizada, as 65 equipes farão apresentações de projetos e os aviões sucessivas baterias de testes. O clima entre as quatro equipes brasileiras é de muito otimismo, porque em duas categorias – Classe Regular e Advanced Class – o Brasil venceu quatro vezes.

Confiabilidade – a equipe EESC USP Advanced competirá com um monoplano, cauda em H, asa alta, trem triciclo e com motorização ligada à tecnologia de redução com sistema eletrônico de medição de distância de decolagem. O avião pesa 6,5 kg e tem capacidade para transportar 18,5 kg. de carga útil. “O avião é bastante competitivo e confiável, por isso esperamos ótimo resultado para o Brasil”, diz o capitão Bruno Marcolini, estudante de engenharia aeronáutica.

Na Classe Regular, a equipe Cefast AeroDesign também participará com um avião monoplano, com asa alta, geometria trapezoidal, empenagens convencionais e trem de pouso triciclo. Na construção, os estudantes utilizaram madeira, alumínio, nylon e resina acrílica autopolimerizante, esta última aplicada na odontologia. ”Temos um bom projeto, capaz de elevar ainda mais o nome do Brasil na modalidade”, assegura o capitão da equipe, Thalis Pacceli, estudante de engenharia industrial mecânica do Cefet-MG.

Os estudantes da equipe EESC USP Micro participam com um projeto que teve poucas alterações em relação ao apresentado na Competição SAE BRASIL AeroDesign, em 2009. “Facilitamos a desmontagem do protótipo elétrico e agora o carregamos em uma bolsa de mão, bem pequena”, conta a capitã Sheela Khusal, estudante de engenharia aeronáutica de São Carlos.

A pequena aeronave, que possui apenas 1 metro de envergadura, foi construída com madeira balsa, fibra de carbono e fibra sintética de aramida (Kevlar). Com apenas 300 gramas, o avião é capaz de carregar até 1 kg de carga útil e atingir velocidade de 10 m/s. “Construir este avião foi desafio muito grande, pois é totalmente diferente dos demais. Realizamos muitas pesquisas”, afirma Sheela, que espera ficar entre as 10 primeiras equipes colocadas.

Regulamento – Os aviões da competição são classificados em três categorias: classes Advanced, Regular e Micro. Na primeira, não existem restrições geométricas às aeronaves ou ao número de motores instalados, desde que a soma das cilindradas dos motores não excedam 10.65 cc (ou 0.65 in3). A distância máxima de decolagem deve ser medida por um sistema eletrônico embarcado. Desta categoria pedem participar inclusive, estudantes de pós-graduação.

Já na Classe Regular, os aviões são monomotores, com cilindrada padronizada em 10 cc (10 cm3 ou 0,61 in3). O regulamento impõe restrições geométricas que delimitam as dimensões máximas das aeronaves, e que devem ser capazes de decolar em uma distância máxima delimitada, de 61m (200ft).

A Classe Micro não impõe restrições geométricas aos projetos nem ao número de motores, porém a equipe deve ser capaz de transportar a aeronave dentro de uma caixa comercial de 46 x 33 x 14cm (18 x 13 x 5.6in). Nesta classe, as aeronaves podem usar motores elétricos e devem decolar em até 30,5m (100ft).

Para o presidente da SAE BRASIL, engenheiro Besaliel Botelho, o Projeto SAE BRASIL AeroDesign é um celeiro de talentos da nossa engenharia aeroespacial. “A competição é palco para os jovens futuros engenheiros aeronáuticos demonstrarem seu potencial e sua capacidade para desenvolver projetos inovadores no setor”, ressalta Botelho, ao completar que a competição é utilizada como oportunidade para recrutamento de futuros engenheiros pelas grandes empresas da área