Prosseguindo a série de testes

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clássicos,

Chegou a vez da Honda NX 350 Sahara.

(O teste é de junho de 1993)

O mais recente proprietário de uma Honda NX 350 Sahara, novinha, 93, corre para mostrar a moto para toda família.

– Olhem, comprei três motos! anuncia.

Ninguém entende quando olha para a garagem e vê apenas uma.

– Sim, são três – explica – uma estradeira para viajar nos fins de semana; uma fora-de-estrada para relaxar nas estradinhas de terra ao redor do sítio e uma urbana para ir e voltar do trabalho todos os dias.

A Honda NX 350 Sahara é isso mesmo: três em uma. Desde que foi lançada, em 1990, em substituição à XLX 350R, a Sahara mostrou-se uma interessante opção. Para quem quer uma moto versátil capaz de enfrentar várias situações, sem exigir uma pilotagem profissional. Motor elástico, suspensões de curso longo, economia de combustível e boa velocidade são as, qualidades desse modelo, que tem ainda importante item de conforto: partida elétrica.

Para 1993 a Honda não mexeu na parte mecânica. Em compensação trocou o visual sóbrio das versões anterior por uma decoração moderna, agressiva e cores metálicas bem vivas. O resultado foi uma moto que chama atenção por onde passa, chegando a ser confundida com modelos importados ou de maior cilindrada.

O motor é um quatro tempos, monocilíndrico, de exatos 339cc que desenvolve potência máxima de 31,5 cv a 7.500 rpm e torque máximo de 3,13 kgf.m a 6.500 rpm. Não são dados excepcionais, mas podem levar a Sahara a uma velocidade máxima de quase 140 km/h (137,7 km/h reais), com um consumo médio na cidade de 20,3 km/litro.

Na rua

Na estrada

Na estrada

Boa na cidade A maior qualidade desse motor é sua grande faixa de utilização. Pode-se acelerar em última marcha (6ª) praticamente desde os 3.000 rpm até a faixa vermelha, aos 8.500 rpm. A retomada de velocidade de 60 km/h a 100 km/h é feita em 8,9 segundos, a melhor em sua categoria (que inclui a XLX 250R e a Yamaha DT 200). Justamente essa elasticidade é que faz da Sahara uma moto muito prática para uso urbano.

A posição de pilotagem proporciona muito conforto e maneabilldade, mesmo a pilotos com menos de 1,70m, que precisam apenas esticar um pouco as pontas dos pés para tocar o chão. Seu estilo dacariano também facilita as manobras, graças à boa altura (1.315 mm), que permite rodar pelos corredores de carros sem bater com o guidão nos espelhos retrovisores.

A pavimentação das ruas brasileiras não é exatamente um tapete. Nesse aspecto a Sahara mostra outra face de sua versatilidade, talvez a melhor de todas. Com uma suspensão de longo curso (215 mm na dianteira e 200 mm na traseira) e os benefícios do mono amortecimento central (Pro-Link) na traseira, pilotar uma Sahara nas ruas esburacadas torna-se fácil. O motociclista praticamente só tem o trabalho de levantar um pouco do banco e bumba! superar o obstáculo.

Mesmo quem gosta de pilotar com esportividade, encontra na Sahara estabilidade suficiente para permitir curvas seguras em alta velocidade. Novamente o crédito recai sobre a suspensão progressiva e também aos pneus Pirelli MT 40 (3,00 x 21 na dianteira e 4,60 x 17 na traseira) com desenho para uso tanto em asfalto quanto na terra.

Boa na estrada A Sahara tem um porte considerado intermediário para quem quiser pegar estrada. Ela fica situada entre as pequenas (como Honda NX 150 e, XL 125, Yamaha OT 200 e OT 180) e as grandes (Yamaha XT 600 Ténéré e Super Ténéré, importada). A velocidade de cruzeiro pode ser mantida na faixa dos 100/120km/h, mesmo rodando com garupa, por muito tempo, sem cansar o piloto. Só a espuma do banco ainda continua um pouco dura, obrigando paradas para relaxar certos músculos glúteos.

Sua vocação estradeira é reforçada pelo pequeno, mas útil, bagageiro. A carenagem oferece uma proteção parcial contra o vento, o frio e a chuva, melhorando o conforto em longas viagens. Mas acima de 140 (de velocímetro) a frente acusa uma oscilação mínima, suficiente para o piloto lembrar que trata-se de uma moto de uso misto e não uma superesportiva. A média de consumo na estrada é de 16,7 km/litro e pode chegar a 20 Km/litro a velocidade constante de 100 km/h.

Boa de terra Nem precisa ser um especialista para imaginar a pouca adequação da Sahara às trilhas muito travadas. A grande carenagem e o pouco esterçamento do guidão dificultam as manobras em baixa velocidade, principalmente quando o piloto encontra cavas, ou nos corredores de galhos, entre as árvores. Os pneus também não gostam muito de lama, formando uma camada de barro que deixa a moto como se estivesse com pneus slick (liso).

No início de sua comercialização, em setembro de 1990. alguns enduristas até chegaram a usá-la em competições, mas com algumas adaptações como o pára-lama dianteiro da XLX 350R, afastado do pneu. Mais tarde, uma revenda Honda de São Paulo, SP, a Mesbla Motos, chegou a oferecer um modelo híbrido entre Sahara e XLX 350R, batizado de Reborn (renascida). Na transformação, a Sahara volta a ter o visual da XLX 350R, com a vantagem da partida elétrica. Mas é bom lembrar que a Sahara não tem pedal de partida, portanto, existe o risco de ficar atolado em fundo de vale, com a bateria descarregada, cercado de subidas por todos os lados.

Portanto, sua personalidade dacariana deve ser endereçada às estradas de terra, com algumas incursões de leve em terrenos arenosos. Nos estradões de terra ela tem um desempenho muito bom, permitindo desenvolver altas velocidades mesmo em curvas. A suspensão, um pouco macia para fora-de-estrada, absorve bem as irregularidades do tipo costelas, mas chega a bater no fim do curso em saltos ou buracos mais exigentes.

Com seu preço tabelado em Cr$ 255 milhões (US$ 7.200 no câmbio comercial de 13 de maio de 93), a Sahara ainda estava sendo comercializada com descontos que variavam de 8% a 10%. E ainda poderia ter seu preço reduzido com a nova alíquota (menor) do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços).

Dentro das opções de mercado, a Honda NX 350 Sahara fica numa posição solitária. Acima dela está a Yamaha XT 600Z Ténéré, ou brevemente a XT 600E. Em todo caso, a diferença de preço é muito grande, chegando a 55% a mais no caso das Yamaha. Abaixo da Sahara está a Yamaha DT 200, com um preço 25% menor. Na prática, a maior concorrente da Sahara no mercado é uma moto da mesma família, a Honda XLX 250R, que oferece quase os mesmos números de desempenho, a um preço 13% menor.

Medições/Ficha Técnica

publicada em 05/02/2006 ……