Proteção divina contra acidentes. Amém!

SÇO JOS DE RIBAMAR, MA – H  anos tem muito maranhense que, em vez de gastar tubos de dinheiro na contrata‡Æo de seguro para os autom¢veis, apela … ajuda divina.

Na pequena cidade-santu rio de SÆo Jos‚ de Ribamar, na Ilha do
MaranhÆo, a cerca de 30 quil“metros da capital SÆo Lu¡s, depois das missas de domingo forma-se uma fila de autom¢veis para receber a bˆn‡Æo do ministro da eucaristia e sacristÆo do Santu rio de SÆo Jos‚ de Ribamar, JoÆo Alberto Rabelo, de 74 anos. Placas de trƒnsito ao redor da igreja indicam ”Permitido estacionar. µrea para benzimento”. – SÆo cerca de 50 carros a cada domingo, uma tradi‡Æo de 20 anos. Jogo  gua benta nos carros, fa‡o uma ora‡Æo e repito: ”Para que este carro sempre fique firme e protegido na face da Terra” – conta JoÆo Alberto, ou apenas seu JoÆo, como ‚ conhecido pelos moradores de Ribamar. Em tom espirituoso, ele acrescenta:

– Nem precisa fazer seguro.  Deus quem protege, carro e ocupantes, contra roubos e batidas. Al‚m de tudo, ‚ econ“mico e a cobertura, maior, pois os passageiros estÆo inclu¡dos – diz, com humor celestial, o simp tico sacristÆo.

Segundo ele, a tradi‡Æo passa de boca a boca, principalmente entre os que compram carros novos. Haja  gua-benta!

O h bito, no entanto, tem seu lado infernal: controlar a fila de carros a caminho da bˆn‡Æo nÆo deve ser nada f cil. Ou ‚?

– J  me acostumei com a movimenta‡Æo grande todos os domingos – garante S‚rgio Lu¡s Ferreira, de 45 anos, respons vel por controlar o tr fego nas imedia‡äes da igreja.

– Vem gente de todas as partes, at‚ de outros Estados, mas a maioria ‚ de SÆo Lu¡s. Em setembro, entÆo, quando tem a festa do santo, o n£mero de carros aumenta … be‡a – observa o agente de tr fego.

Maiana Melo, de 20 anos, saiu de SÆo Lu¡s e foi com os pais benzer seu Corsa preto novinho em folha. (Aqui entre n¢s, pela dificuldade demonstrada em estacionar o compacto numa vaga bem generosa, SÆo Jos‚ de Ribamar vai ter bastante trabalho.)

– Todo carro que compro trago logo aqui para benzer – conta o pai da mo‡a, o funcion rio p£blico Lu¡s Lopes, de 55 anos.

NÆo existe um prazo de validade para a bˆn‡Æo, mas ‚ bom de vez em quando renov -la. Para nÆo acontecer algo parecido ao dissabor pelo qual passou Fernado Cardoso, de 42 anos, h  duas semanas. Ele dirigia um Palio pela cidade, quando o micro-“nibus que levava este rep¢rter acertou-o em cheio ap¢s uma marcha-…-r‚ que supostamente corrigiria um erro de percurso.

– Ih, acho que batemos em alguma coisa – detectou o motorista do “nibus, com perspic cia.

Era o Palio azul da irmÆ de Fernando, a frente retorcida. Mas o carro nÆo foi bento?

– Sim, j  foi batizado, s¢ que tem mais de um ano. Acho que est  faltando renovar a bˆn‡Æo… Ainda bem que foi s¢ uma batidinha e ningu‚m se machucou – resignou-se Fernando, que prometeu, tÆo logo conserte o carro, voltar … cidade (‚ morador de SÆo Lu¡s) para renovar a benzedura.