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Qual o tamanho ideal de um comboio de motos?

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Uma paixão entre os motociclistas é andar em comboio

O mercado brasileiro em 2014 terá uma queda nas vendas de motos na ordem de 13%. Essa queda vem se mantendo desde 2012. Porém um dado mostra que nem tudo são lágrimas. O segmento de motos ‘premium’- motos acima de 450cc – cresce a cada ano e deve fechar o ano com crescimento em relação a 2013 na ordem de 10,8%.

Serão milhares de motos novas e outro tanto de usadas que entrarão no mercado fruto da evolução natural dos consumidores deste tipo de produto e pelo crescimento do motociclismo em todos os seus aspectos – viagem, esportivo, passeio.

Tudo isso contribui para termos mais motos nas estradas. E mais motos significa mais gente sem experiência, muitos sem CNH – Carteira Nacional de Habilitação, alguns com hábitos etílicos e vários comboios circulando. Sim, falei ‘comboios’.

Antes pela pouca quantidade de motos ‘premium’ rodando era possível reconhecer, conhecer e respeitar esses motociclistas que andavam sempre em grupos menores. Agora os números explodiram de tal forma que chegam a faltar batedores ou capitães-de-estrada devidamente capacitados e experientes com condições de conduzir o grupo com segurança.

Todo mundo junto e misturado! Dará certo isso?

Grandes bondes podem se transformar em um risco a mais

Durante a Segunda Guerra Mundial o tempo de preparação de um piloto era um fator fundamental para que aviões caíssem menos. É algo semelhante. O Japão e a Alemanha depois que perderam seus pilotos veteranos, tiveram que capacitar novos pilotos urgentemente e isso quer dizer em menos tempo. Pilotos formados com menor tempo para capacitação e sem nenhuma experiência de combate eram destinados a combater ases que estavam lutando há pelo menos um ou dois anos. Era morte certa. No mundo das motos não é diferente.

Há, no Brasil, vários cursos de alta qualidade que preparam pilotos motociclistas. Mas poucos que cuidam de preparar para andar em grupo. Vale lembrar que é assim que a maioria dos motociclistas anda: em grupo. De nada adianta um bom piloto no meio de um grupo que não sabe andar em comboio.

Ainda falando em comboios percebe-se uma paixão dos motociclistas para formar bondes cada vez maiores – tipo: – “quanto mais moto melhor”! Pode ser lindo de se ver, mas não é seguro se todos não estiverem devidamente preparados. No meio desses comboios estão motociclistas de todos os hábitos e experiências. Cada um na sua, com seus vícios e todo mundo junto e misturado.

E assim todos pensam estarem seguros e protegidos. Ledo engano. No meio desses bondes encontraremos motociclistas sem experiência, sem CNH, bebendo, com documentação da moto atrasada e sem os devidos equipamentos além do obrigatório capacete.

Tudo isso junto e misturado fez aumentar a estatística de acidentes com motos dessa categoria a ponto de caírem mais que os motoboys (pesquisa HC-ABRACICLO). E todos sabemos o quanto as nossas famílias condenam o motociclismo por acharem perigoso. E é, se o cenário for esse.

Muitos motociclistas utilizam intercomunicadores para controlar melhor a segurança do comboio, mas nem todos podem adquirir um equipamento desses. Mesmo os intercomunicadores têm seus limites e na estrada uma simples ultrapassagem pode vir a ser um grande problema. Quando um carro tenta ultrapassar um comboio a ordem é formar em fila única. Aqui dois problemas – a distância entre o carro e a moto é arriscada e se o carro necessitar furar o comboio em fila única fica mais complicado dar espaço, principalmente se o comboio for muito grande.

A fiscalização deverá ser mais rigorosa.

A distância mínima, mesmo sendo respeitada ainda pode ser um risco para grandes bondes

Tenho conversado com amigos que são motociclistas e policiais rodoviários estaduais e federais e o pensamento é um só. As autoridades que cuidam das estradas estão preocupadas com esses números e estão aumentando a quantidade de policiais rodoviários motociclistas os quais estão sendo preparados para lidar com os amantes das duas rodas. O objetivo será sempre educar e se for o caso, punir. Não duvide.

No capítulo do CBT – Código Brasileiro de Trânsito – que trata DAS NORMAS GERAIS DE CIRCULAÇÃO E CONDUTA; Art. 26: “Os usuários das vias terrestres devem: I – abster-se de todo ato que possa constituir perigo ou obstáculo para o trânsito de veículos, de pessoas ou de animais, ou ainda causar danos a propriedades públicas ou privadas”;

Um comboio de dez motos equivale a um veículo de aproximadamente 30 metros de comprimento. A Res 210/06 em seu art 1 º e incisos nos demonstra as dimensões limites para todos os veículos, contudo a maior é de 19,80m. Sendo assim porque encontramos na estrada com veículos de 30 metros trafegando pela via? O que ocorre é que para essa medição existe uma autorização chamada de AET – Autorização Especial de Trânsito.

Comboio acima de dez motos é seguro?

Bem amigos, é importante discutir acerca de comboios com mais de dez motos. Acima disso com certeza se cria uma barreira ao trânsito. Apesar do CTB (Código Brasileiro de Trânsito) nada mencionar, especificamente, sobre esse assunto, é importante colocar em destaque a preocupação com a segurança dos irmãos motociclistas que rodam Brasil a fora.

Criar barreira ou obstáculo ao trânsito, andar em distância lateral ou frontal de forma a comprometer a segurança, não dar passagem quando solicitado e não ter a máxima a atenção para fazer a ultrapassagem, nos torna reféns das infrações e o que é pior: produz insegurança, o que no caso de motociclistas, pode vir a ser fatal.

Mitos derrubados.

Grandes bondes necessitam de escolta policial?

Grandes bondes necessitam de escolta policial?

O primeiro mito é o de grandes comboios. Bondes com mais de dez motos necessitam ser divididos. Se o comboio for de 15 motos o melhor é dividir em dois e assim por diante. Para isso precisam de batedores experientes e aqui reside outro problema. A legislação não prevê nenhuma restrição a grandes comboios, mas a fé pública do policial rodoviário pode intervir, se achar que a segurança e o fluxo na estrada estão sendo prejudicados.

Outro mito reside no fato que a polícia rodoviária não irá parar comboios por que “daria um imenso trabalho ter que verificar a documentação de todo mundo” e pelo fato que os motociclistas ainda acreditam que “as polícias rodoviárias acham que andamos sempre dentro da lei”. É mito. As ações estão sendo intensificadas, pois as polícias rodoviárias sabem que neste meio estão muitos irmãos, atualmente, em situação irregular.

Recentemente um amigo foi pego em um comboio de motos. Ele havia bebido na noite anterior e no dia seguinte tomou café da manhã e pegou a estrada. Foram parados e fizeram o teste do bafômetro. O teste acusou 0,17 g/L e depois em um segundo teste 0,13 g/L. A moto e a CNH ficaram presas e ele teve que voltar na garupa da moto de um colega.

Vale destacar que muitos que estão se acidentando tem o perfil de beber e pilotar; não possuem CNH para pilotar motos e/ou não tem experiência para pilotar motos que são verdadeiros ‘caças’.

Para quem ama as motos, uma visão dessas enche o coração de alegria

Em 2013, o Moto Passeio Savages em Curitiba formou um bonde de aproximadamente 8 mil motos

Estou sendo chato, diria você. Mas, infelizmente, cabe a alguém o papel de alertar para os riscos e esse é o papel da imprensa responsável. Alertar e educar em vez de lamentar e condenar a moto. Um acidente acontece por descaso e não por acaso. Muitos de nós são um acidente esperando para acontecer e a hesitação é mais presente em acidentes de moto que a agressividade na pilotagem. Um estudo britânico chegou à conclusão que “soldados britânicos tem mais chance de morrer vítimas do trânsito do que em guerras”. Portanto, comboios grandes demais, pilotar sem a CNH e pior – beber e pilotar nunca serão a receita de um bom motociclista.

O homem, a máquina e o sistema viário são os três fatores necessários a um acidente. Basta que dois deles se cruzem para que o sinistro aconteça. Infelizmente, na maioria das vezes, os fatores cruzados se relacionam ao homem x máquina. Assim, podemos afirmar, que depende de nós, na grande maioria das vezes, voltar vivo e inteiro pra casa.

A decisão será sempre sua, mas saibam que as polícias rodoviárias estarão mais atentas e deverão intervir com mais rigor. Para eles o mais importante é salvar vidas. E este ponto é inegociável.



Motociclista desde os 18 anos. Jornalista e apaixonado por motos desde que nasceu.