Foto: Tite

Quando o impossível acontece

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Um motociclista entra em casa, mancando de uma perna, com o capacete debaixo do bra‡o e aparˆncia visivelmente contrariada. Rapidamente a esposa inicia um verdadeiro inqu‚rito:

– Vocˆ caiu da moto?
– NÆo.
– Bateu em algum carro?
– NÆo.
– Foi mordido por um cÆo raivoso?
– NÆo.
– U‚, o que foi, entÆo?
– Um carro parou em cima do meu p‚…

Acontece. Por mais incr¡vel e imposs¡vel que possa parecer, acontecem os mais absurdos acidentes envolvendo motociclistas e seus correlatos (garupa, filhos, parentes etc). O caso descrito, por exemplo, aconteceu com um colega jornalista que parou calmamente sua moto num farol. Logo em seguida, um motorista parou seu carro tÆo pr¢ximo que a roda dianteira ficou apoiada em cima do p‚ do motociclista, que tentava inutilmente avisar, mas o capacete abafava o som dos seus gritos desesperados.

Para quem nÆo quer passar por semelhante e dolorida situa‡Æo, basta manter os p‚s o mais pr¢ximo poss¡vel das pedaleiras da moto. De preferˆncia apenas um p‚ no chÆo e bem protegido. Quem coloca os p‚s muito para fora, corre o risco de deix -los em salmora por algum tempo.

Ainda no setor dos “p‚s acidentais”, alguns motociclistas j  se viram diante da vergonhosa situa‡Æo de cair com a moto parada, simplesmente por nÆo conseguirem se desvencilhar do enrosco do cadar‡o do sapato nos pedais de partida, alavancas de cƒmbio ou freio. Al‚m do cordÆo do sapato, as barras da cal‡a dobradas para fora (barra italiana) podem ficar presas nas pedaleiras provocando o mesmo e vexat¢rio tombo com a moto parada, bem em frente ao ponto de paquera da cidade.

Para safar-se desse espet culo tragic“mico, recomenda-se utilizar sapatos com cordÆo curto e cal‡as com a bainha costurada. Qualquer apˆndice enroscante pode provocar um daqueles acidentes imposs¡veis.

Quem poderia imaginar algu‚m saindo com a moto, devidamente protegida contra roubo, sem soltar os cadeados ou cabos de a‡o? Parece imposs¡vel acreditar que o motociclista esque‡a de retirar os cadeados que colocou justamente para que algum aventureiro nÆo lan‡asse mÆo de sua moto. Mas na hora de sair, apressado, ele liga a moto, engata a primeira e… leva o maior susto quando a moto p ra inexplicavelmente. As conseqˆncias desse imposs¡vel esquecimento podem ir desde um simples susto, a um tombo inofensivo e at‚ quebra de algum componente da moto.

Antes de sair e se envolver num acidente absurdo, ‚ melhor verificar se nÆo ficou esquecido nenhum dos artif¡cios antifurto. No caso das motos com sistema secreto de seguran‡a, recomenda-se avisar aos futuros propriet rios da existˆncia do equipamento para evitar que um motociclista fique desesperado tentando fazer sua moto funcionar sem entender o que acontece.

Um dos maiores absurdos imposs¡veis de acontecer foi narrado por outro colega jornalista. Ele ficou horas tentando, inutilmente, convencer sua namorada que seria perigoso andar na garupa da moto com um vestido longo e esvoa‡ante. Mais tarde, os convidados que estavam na porta de uma festa de formatura nÆo entenderam nada quando uma moto passou na porta do clube levando uma garota seminua na garupa. Tudo porque a mo‡a nÆo acreditou que seria poss¡vel sua saia enroscar na coroa da moto e deix -la numa situa‡Æo igualmente enrascada.

Desde os prim¢rdios motocicl¡sticos sabe-se que ‚ extremamente perigoso utilizar roupas esvoa‡antes. Al‚m desse caso do vestido, a cr“nica motocicl¡stica inclui outros acidentes “imposs¡veis”, mas muito comuns, com xales, cachec¢is e o tradicional poncho ga£cho Em caso de frio, ‚ melhor utilizar uma blusa de gola ol¡mpica, ou um len‡o bem preso. por dentro do casaco.

O motociclista roda tranqilamente em um corredor formado entre os carros at‚ que sua moto p ra inexplicavelmente e ele ‚ atirado ao chÆo. De p‚, refeito do susto, ele olha em volta e repara na carroceria de um caminhÆo por onde sa¡a uma corda. O guidÆo ficou preso na corda, desequilibrando o conjunto moto/piloto.

Nesses corredores ‚ preciso pilotar acordado para nÆo cair em armadilhas das mais variadas. Al‚m da corda, alguns motoristas transportam cargas al‚m dos limites de seus ve¡culos e nÆo sÆo raras as vezes que um motociclista precisa desviar de um tubo de PVC, um colchÆo de casal, uma escada e outros objetos desequilibrantes.

A maioria dos motociclistas sabe que nÆo se deve transportar peso excessivo na moto. Mesmo assim alguns moto-boys exageram na quantidade de material em seus ba£s. Numa cena que parecia imposs¡vel de acontecer, um moto-boy, estava saindo do farol quando sua moto empinou sem justa causa, deixando o motociclista a p‚ e a moto de rodas para o ar. Ao acelerar o peso vai para a parte traseira, j  carregada, provocando o desequil¡brio.

Al‚m dessa situa‡Æo nada agrad vel, o exªcesso de peso prejudica a suspensÆo da moto e gasta mais gasolina e pneu. A seguran‡a tamb‚m fica comprometida porque a distribui‡Æo errada do peso tira a estabilidade da moto e compromete a frenagem.

ManhÆ de s bado com sol. Muitos motociclistas levam suas motos para fazer pequenos reparos em oficinas, ou simplesmente para uma lavagem caprichada. V rias motos estÆo alinhadas na cal‡ada quando chega um t¡pico flanelinha com sua impec vel motocicleta. P ra ao lado das outras e coloca-a apoiada no cavalete central. Logo depois uma sucessÆo de ru¡dos met licos precede uma cat strofe. A moto do flanelinha caiu, levando todas as outras a um fant stico efeito domin¢, at‚ a £ltima tombar na cal‡ada.

Consumada a desgra‡a, os col‚ricos motociclistas que estavam dentro da oficina constataram que justamente onde o flanelinha parou sua moto o piso era irregular e cheio de buracos. Para escapar de um poss¡vel linchamento, o desastrado motociclista jurou que pagaria as despesas e que nunca mais iria parar a moto sem verificar onde estava pisando. Uma li‡Æo cara, mas inesquec¡vel.

“Cachorro que late nÆo morde”, diz a lenda. At‚ porque parece imposs¡vel que um cÆo consiga correr atr s de uma moto para morder as pernas aparentemente inating¡veis do motociclista. Mas existem relatos comoventes de v¡timas da persegui‡Æo canina. Por uma questÆo de sobrevivˆncia (dos motociclistas) sempre que encontrar um cachorro solto nÆo provoque o animal, simplesmente reduza a velocidade, levante as pernas e desapare‡a dali. Alguns motociclistas que tentaram chutar cachorros, acabaram caindo e ficando numa dif¡cil e desagrad vel situa‡Æo de ter de explicar ao cachorro ofendido que aquele chute tinha sido “s¢ de brincadeirinha”.

Quando o assunto ‚ seguran‡a o melhor procedimento ‚ acreditar que nÆo existem os chamados acidentes imposs¡veis. Casos absurdos acontecem com uma freqˆncia muito maior do que se imagina. Para que sua hist¢ria nÆo venha juntar -se a essa cole‡Æo, a recomenda‡Æo mais adequada ‚: acredite, o imposs¡vel acontece.