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Retrospectiva 2017: principais lançamentos de motos no Brasil

O ano de 2018 promete ser marcado por uma pequena retomada no mercado, passados cinco anos de retrocesso nas vendas de motos. Este horizonte positivo se deve (muito), com certeza, ao empenho das montadoras presentes no Brasil, que não pouparam esforços ou lançamentos no País ao longo de 2017. Dentre lançamentos internacionais ou importantes atualizações em motos nacionais, vários novos modelos chegaram às lojas no decorrer dos últimos 12 meses e, por isto, nossa retrospectiva inicia abordando os principais lançamentos de motos do ano.

Enfim, a BMW G 310 R

Passados dois anos de expectativas, enfim a BMW G 310 R chegou ao Brasil

Passados dois anos de expectativas, enfim a BMW G 310 R chegou ao Brasil

Pode não ser a motocicleta mais potente ou com maior volume de vendas entre as motos que chegaram ao Brasil em 2017, mas com certeza foi uma das mais esperadas – afinal, praticamente dois anos separaram a apresentação do modelo como um conceito até sua integração oficial ao lineup da marca. A BMW G 310 R é famosa por ser o primeiro modelo com menos de 500 cc da empresa alemã e também o que estreia a parceria da companhia europeia com a indiana TVS. Ela foi desenvolvida na Alemanha, é fabricada na Índia e montada no Brasil – e por aqui ela recebe alguns componentes nacionais. Com a missão de rejuvenescer a base de clientes da BMW no país, o modelo encarou uma forte concorrência em solo brasileiro, formado por KTM 390 Duke, Yamaha MT03 e Fazer 250, Kawasaki Z300, Honda CB Twister e a Dafra Next 250 (em breve, 300). Na pista, mostrou bom desempenho (considerando o motor monocilíndrico e 34 cv) e excelente acabamento e itens de série (como freios ABS, painel digital e lanterna em LED), mas logo no primeiro contato antecipamos que o preço sugerido de R$ 21.900,00 pode ser um problema. Enquanto isso, aguardaremos a chegada da trail G 310 GS por aqui…

Yamaha apresenta a nova Fazer 250

O desafio da Yamaha com a nova Fazer 250 2018 era desenvolver um motocicleta nova, mas sem repassar o preço deste trabalho ao consumidor final. Como solução, o motor permaneceu praticamente o mesmo, porém todo (realmente todo) o restante mudou

O desafio da Yamaha com a nova Fazer 250 2018 era desenvolver um motocicleta nova, mas sem repassar o preço deste trabalho ao consumidor final. Como solução, o motor permaneceu praticamente o mesmo, porém todo (realmente todo) o restante mudou

Apresentada no mercado em 2005, essa street sempre manteve bons números de venda e mostrou várias virtudes, mas carecia de uma atualização mais severa, além das duas visuais que recebeu com o passar dos anos. Então, o mercado pediu e a Yamaha aceitou, apresentando a nova Fazer 250, com mudanças que vão muito além da estética (nos havíamos antecipado esta nova geração lá em fevereiro). “Mudou o chassi e com ele o design e o comportamento da Fazer 250. Uma nova posição de pilotagem surgiu e ela mistura esportividade com conforto, fruto das pedaleiras ligeiramente colocadas para trás e de um guidão em posição mais alta”, dissemos, após o test-ride, destacando que a moto tem novo chassi, suspensão, freios, rodas, tanque, painel, tudo… exceto o motor. Para manter o preço competitivo, a Yamaha precisou fazer algumas economias no projeto, o que incluiu não produzir um novo propulsor, algo aclamado pelos fãs. Mesmo assim, ele recebeu um novo filtro de ar e escapamento, ganhando 0,6 cv a mais de potência, ficando nitidamente mais ‘esperto’ em retomadas. O preço sugerido, no lançamento, era R$ 14.990 mais frete.

Honda mostra as novas Biz, CB 650F e CBR 650F

CBR 650F

CBR 650F

CB 650F

CB 650F

CB 650F

CB 650F

A posição de pilotagem ficou um pouco mais "no ataque" e o motor, mais esperto. Será o suficiente pra Honda voltar a crescer no segmento?

Se a Yamaha sofria certa pressão do público para atualizar o motor da Fazer 250, como podemos definir o ‘clamor’ dos ‘viúvos’ da CB 600F Hornet por uma sucessora mais potente? Atenta ao mercado, a Honda fez uma série de pequenas mudanças na naked CB 650F (e na irmã CBR 650F), tornando a moto mais potente e ágil. “Por isso a Honda resolveu dar uma (boa) mexida na linha de 650 cc da marca, buscando resgatar aqueles motociclistas que ficaram viúvos pelo desaparecimento da Hornet e mudaram de marca”, dissemos. O motor DOHC agora gera 88,5 cv a 11.000 rpm e 6,22 kgf.m de troque a 8.000 rpm. “Na pista foi possível notar claramente a maior diferença técnica entre o novo motor da CB 650F e o que equipa a versão até 2017: a força e a rapidez com que a velocidade cresce a partir da segunda marcha, tanto nas acelerações quanto nas retomadas de velocidade. O preço público sugerido dos novos modelos são R$ 33.900 (CB 650F) e R$ 35.500 (CBR 650F).

A Biz é um fenômeno, permanecendo desde seu lançamento - em 1998 - entre as quatro motos mais vendidas do Brasil

A Biz é um fenômeno, permanecendo desde seu lançamento – em 1998 – entre as quatro motos mais vendidas do Brasil

Sucesso de vendas desde seu lançamento, há 20 anos, sempre estando entre as três motos mais comercializadas no País, a Biz também recebeu um novo modelo em 2017. A moto, em suas versões 125 cc e 110 cc, foi renovada na estética e também ganhou alguns componentes para maior conforto e reforçar seu caráter urbano, como tomada 12v (pensada para os carregadores de smartphone) no compartimento sob o banco, painel (blackout) totalmente digital e gancho retrátil. Como as novidades não poderiam vir de um acréscimo considerável no preço, os motores das duas versões da Biz foram mantidos, tratando-se de dois motores de um cilindro arrefecidos a ar e dotados de injeção eletrônica PGM-FI. O sistema de freios combinados (CBS, ou combi brake), também permaneceram. Disponibilizada em duas cores na versão 110 e em quatro na 125, os preços públicos sugeridos são R$ 7.590,00 para a Biz 110i e R$ 9.390,00 para a Biz 125i. Ainda em tempo, vale lembrar que a Biz vendeu 3,13 milhões de unidades desde seu lançamento, em 1998.

Z650, Versys X-300 e mais. Kawasaki foi pura agressividade em 2017

Enquanto a BMW apresentou a G 310 GS como uma moto ainda sem data para chegar, a Kawasaki largou na frente e já está vendendo por aqui a crossover Versys X-300

Enquanto a BMW apresentou a G 310 GS como uma moto ainda sem data para chegar, a Kawasaki largou na frente e já está vendendo por aqui a crossover Versys X-300

Definitivamente, a Kawasaki se esforçou para deixar claro que tem planos maiores para o Brasil, afinal, trouxe ao nosso mercado todos os grandes lançamentos apresentados no exterior ao longo do ano. Isso inclui, por exemplo, a aguardada Versys X-300. A ‘pequena’ trail (está mais para uma crossover, na verdade) inaugurou o segmento das ‘aventureiras premium’ e deixou ainda mais clara a versatilidade do motor que já conhecíamos na Z300 e Ninja 300 – que ganhou mais torque em médias e baixas rotações, o que acabou lhe gerando um cavalo a mais de potência, totalizando 40 cv. Dentro da sua proposta aventureira, destaque para a baixíssima vibração, fruto do bom acerto do motor e outros detalhes, como os coxins instalados no guidão. Também há louros para a acertada ciclística e a versão Tourer, equipada para viagem. O preço (de R$ 22.990 a R$ 26.990, dependendo da versão) e o motor com carência de torque em baixa (força máxima de 2,6 kgf.m atingidos lá nos 10.000 rpm) podem ser os ‘poréns’ do modelo.

O segmento de naked médias possui ótimas opções de compra, e em 2017 ganhou mais uma: a Kawazaki Z650

O segmento de naked médias possui ótimas opções de compra, e em 2017 ganhou mais uma: a Kawazaki Z650

A Z650 chegou dando o que falar pois aposentaria a veterana ER-6N. O modelo foi apresentado no Salão de Milão de 2016 e na sequência, em fevereiro, apresentamos a moto em comparação à antecessora. Em maio ocorreu o lançamento oficial no Brasil e em junho já colocamos a mão na nova naked. Em seu primeiro test-ride, destacamos a agilidade e leveza da moto e também o fato de que “a Z650 perdeu 4 cv em relação à ER6-n e desenvolve 68 cv a 8.000 rpm. No entanto, na prática essa perda de potência não é sentida e, embora tenha perdido potência, ela ganhou um pouco de torque, que agora é de 6,7 kgf.m 6.500 a rpm contra os 6,4 kgf.m”. O preço (R$ 32.990… sugerido) a deixou na briga com outras naked médias de dois cilindros (como MT-09 e CB 500F, para ficarmos apenas nas japonesas). Por falar na família Z e em esportividade, em 2017 a Kawa também lançou no País as novas ZX-10RR e z1000R.

Triumph trouxe a inédita Scrambler e a renovada Street Triple

A Triumph desenvolveu um novo motor de 765 cm³ para o Mundial de Moto2, maior competição de motos do planeta, e logo o empregou na Street Triple. Sem perder um segundo, a marca inglesa trouxe o modelo ao Brasil

A Triumph desenvolveu um novo motor de 765 cm³ para o Mundial de Moto2, maior competição de motos do planeta, e logo o empregou na Street Triple. Sem perder um segundo, a marca inglesa trouxe o modelo ao Brasil

Assim como a Kawasaki, a inglesa Triumph também tratou como prioridade o consumidor brasileiro, trazendo ao nosso mercado os principais lançamentos da marca no exterior. Logo depois que a Street Triple foi apresentada na Inglaterra com o inédito motor de 765 cm³ (o mesmo que será usado no Mundial de Moto2  a partir de 2019), ela foi anunciada por aqui. “Claro, um conjunto impecável de motor, chassi, suspensões e freios que soma 166 kg, oferece 123 cv de potência e 7,9 kgf.m de torque e traz o auxílio de toda a eletrônica disponível não poderia resultar noutra coisa. A nova Street Triple é apaixonante nesse ambiente, onde curvas constantes, rápidas ou mais travadas, exigem do conjunto funcionamento preciso e um casamento perfeito entre homem e máquina”, dissemos, na época da apresentação. Para ser ainda mais competitiva num segmento especialmente disputado (com concorrentes como Honda CB 650F, as Yamaha MT09 e MT07, Suzuki SV650A e Kawasaki Z800) a nova Street Triple chegou em duas versões: S e RS, com preços sugeridos de R$ 38.990 e R$ 48.990, respectivamente.

Triumph Street Scrambler mescla o moderno com o clássico. Modelo chegou para reforçar (ainda mais) a linha de clássicas da marca inglesa

Triumph Street Scrambler mescla o moderno com o clássico. Modelo chegou para reforçar (ainda mais) a linha de clássicas da marca inglesa

Pensando nos fãs de clássicas e da lendária linha Bonneville, a marca também trouxe ao Brasil a novíssima Scrambler. Para fazer jus ao nome, com uma pequena vocação para estradas de terra, pneus de uso misto, escapamento alto e rodas raiadas (de 19º na dianteira). Destaque também ao ABS comutável, que facilita – e torna mais divertidas – as incursões no off-road. O motor é o mesmo 900 cm³ (com intervalo de ignição de 270º e que gera 54 cv a 5.900 rpm e tem torque de 8,15 kgf.m a 3.230 rpm) que já equipava outras motos da linha. “Suas características demonstram que não há compromisso com alto desempenho, mas com uma pilotagem mais descompromissada, para apreciar e ser apreciado”, relatamos durante o teste. “O preço de R$ 41.990  justifica o conceito e a paixão que você pode levar para a garagem.  Uma moto que respira história e estilo, além disso uma baita motocicleta, com um conjunto muito bem acertado”, concluímos na oportunidade em que rodamos com a nova Scrambler.

Royal Enfield indica a força das motos clássicas no Brasil

Royal Enfield chegou ao País acreditando no conceito de 'motopurismo' e sem fazer alardes. Ao invés de estabelecer altas metas de venda, está concentrando esforços em apresentar ao público brasileiro um novo conceito de motos

Royal Enfield chegou ao País acreditando no conceito de ‘motopurismo’ e sem fazer alardes. Ao invés de estabelecer altas metas de venda, está concentrando esforços em apresentar ao público brasileiro um novo conceito de motos

Se o lançamento da G 310 R esteve envolto por muito mistério e expectativas, o início das operações da Royal Enfield por aqui se deu de forma direta e precisa. Sem delongas, a marca (nascida na Inglaterra) oficializou que viria ao País em março, em abril confirmou o preço de seus modelos e em maio já pudemos realizar o primeiro test-ride. Em novembro, o grande público pode conhecer a marca em seu stand no Salão Duas Rodas. A RE trouxe ao País três modelos: a Classic 500 (em estilo pós-guerra, com preços de R$ 19.900 a R$ 22.900), a Bullet 500 (moto de entrada da marca, com preço sugerido de R$ 18.900) e a Continental GT (uma café-racer vinda diretamente dos anos 1950, vendida por R$ 23.000 e R$ 24.500). Diferente de outras marcas que expandiram suas atividades ao Brasil com metas de vendas inatingíveis e campanhas publicitárias em tom agressivo, a Royal Enfield chegou com calma e sem divulgar expectativas de vendas. “O diretor geral da operação brasileira, Cláudio Giusti, enfatizou que o objetivo da empresa não é fazer volume, mas colocar a marca no mercado. E para isso, a ideia central do negócio é permitir que os consumidores façam test-drive nas motocicletas”, dissemos, em abril.

H-D e suas novas famílias, as filhas da revolução

Motor, chassi, suspensões, peso, iluminação, design... a Harley-Davidson renovou com-ple-ta-men-te duas famílias de motos em 2017

Motor, chassi, suspensões, peso, iluminação, design… a Harley-Davidson renovou com-ple-ta-men-te duas famílias de motos em 2017

Mais do que um novo modelo ‘apenas’, duas novas famílias por completo. Em agosto a Harley-Davidson divulgou uma completa reformulação nas suas motos, principalmente nas famílias Softail (Fat Boy, Heritage Classic, Low Rider, Softail Slim, Deluxe, Breakout, Fat Bob, Street Bob) e Touring (CVO Street Glide, CVO Road Glide, CVO Limited Street Glide Special e Road Glide Special). Mudou tudo: motores, chassi, suspensões, peso, design e até mesmo as diretrizes mundiais da empresa, que, celebrando a passagem dos seus 115 anos, adotou o novo norteador “All for Freedom, Freedom for All” – Todos pela Liberdade, Liberdade para todos. Todas elas foram confirmadas para o Brasil pela marca durante o Salão Duas Rodas e um pouco antes tivemos o gostinho de andar com as novas H-D, onde atestamos que, de fato, são novas motocicletas.



Jornalista gaúcho convicto de que um passeio de moto em um dia de sol é a cura para praticamente todos os males da vida. Fã de motoaventurismo, competições de moto, café, praia e de rock n roll.