Um dos 7 viadutos entregues ao tráfego na rodovia Régis Bittencourt na Serra do Cafezal (Foto: Rafael Neddermeyer/JV Foto)

Rodovia Régis Bittencourt duplicada… 40 anos depois

Com certeza você conhece alguém que ficou horas parado em algum congestionamento na Rodovia Régis Bittencourt, no trecho que liga São Paulo a Curitiba, principalmente na chamada Serra do Cafezal, entre os municípios de Juquitiba e Miracatu, ainda no estado de São Paulo. Talvez este alguém tenha sido você mesmo que, como eu, passou por esta estrada – que ficou conhecida como “Rodovia da Morte” – inúmeras vezes.

Dos 390 quilômetros que ligam São Paulo a Curitiba, cerca de 12 quilômetros da Serra do Cafezal levaram mais de 50 anos para ficarem prontos. Aliás, pronto sempre esteve, mas não em condições ideais de segurança para uma rodovia desta importância para a economia do País. Ou seja, ao contrário do restante do trecho que sai de São Paulo e Chega a Curitiba, o trecho da Serra do Cafezal não estava duplicado e devidamente sinalizado para proporcionar uma viagem segura aos milhões de usuários.

Um dos trechos da Serra do Cafezal, entregue pela concessionária no dia 13 de dezembro de 2017 (Foto: Rafael Neddermeyer/JV Foto)

Um dos trechos da Serra do Cafezal, entregue pela concessionária no dia 13 de dezembro de 2017 (Foto: Rafael Neddermeyer/JV Foto)

A obra de duplicação do trecho finalmente foi entregue no dia 13 de dezembro de 2017 e, claro, a concessionária Autopista Régis Bittencourt (Arteris) com pompa e circunstância fez o anúncio da entrega do trecho mais perigoso, onde milhares de pessoas sofreram danos (físicos e materiais) entre outros tantos que perderam a vida, além de milhões em prejuízo a pessoas físicas e jurídicas com atrasos e perdas de mercadorias as mais diversas. Evidentemente, a festa justifica-se porque a obra conclui a completa duplicação.

A rodovia, que foi entregue pelo então presidente Juscelino Kubitschek em abril de 1960, um dia antes da inauguração de Brasília, logo alcançou seu esgotamento com o tráfego pesado de caminhões, em pleno ciclo de desenvolvimento rodoviário do Brasil – e da indústria de automóveis e caminhões. Assim, a exigência por duplicação começou cedo, na segunda metade da década de 1970. Mas a partir dali ela foi sendo vítima e objeto de barganha por verbas federais pelos ministros e governadores dos dois estados envolvidos, além de prefeitos das cidades por onde passava.

Trecho dos 7 km de viadutos entregues ao tráfego na rodovia Régis Bittencourt na Serra do Cafezal (Foto: Rafael Neddermeyer/JV Foto)

Trecho dos 7 km de viadutos entregues ao tráfego na rodovia Régis Bittencourt na Serra do Cafezal (Foto: Rafael Neddermeyer/JV Foto)

Números da Rodovia Régis Bittencourt

  • VMD (volume médio diário) de tráfego em 1975: 8 mil veículos (75% caminhões)
  • VDM de tráfego em 1985: 23 mil veículos (80% caminhões)
  • VDM atual: 127 mil veículos (60% caminhões)
  • Investimento final para duplicação (30,5 km entre Miracatu e Juquitiba): R$ 1,3 bilhão (BNDES)
  • Obras especiais para ter o mínimo impacto ambiental: 4 túneis e 7 km de viadutos
  • Tráfego atual: 3,8 milhões de veículos/mês (passam nas 6 praças de pedágio)
  • Tráfego atual de caminhões: 2 milhões (aproximadamente, segundo a Arteris)

    Um dos 4 túneis na Serra do Cafezal, na rodovia Régis Bittencourt

    Um dos 4 túneis na Serra do Cafezal, na rodovia Régis Bittencourt

Agora que a rodovia está “pronta”, cabe aos usuários, que pagam pedágio (que deve aumentar a partir de agora, em ritmo mais forte), cobrar da concessionária a correta manutenção, mais pontos de parada, descanso e assistência mecânica, mais rampas de escape nos seus muitos longos trechos de declive, e ampliação da conectividade (wi-fi e telefonia móvel), pois há muitos pontos cegos ao longo da rodovia. Todos estes detalhes são fundamentais, não apenas porque trata-se de uma simples questão de direito do cidadão que paga tributo e pedágio, mas principalmente porque essa é a única ligação entre o Sudeste e o Sul do País por onde é possível passar todos os tipos de veículos com segurança.

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Sidney Levy

Motociclista e jornalista paulistano, une na atividade profissional a paixão pelo mundo das motos e a larga experiência na indústria e na imprensa. Acredita que a moto é a cura para muitos males da sociedade moderna.