canal do complexo Henry Borden

Rota Márcia Prado 2012 e outra história

Domingo fiz os 100 km de pedal da Rota Márcia Prado, a descida de São Paulo para Santos pela via Grajau, Bororé, estrada de manutenção da Imigrantes, Bairros Cota e Cubatão. Novamente adorei. Sai às 6:08 h da Ponte Cidade Universitária, praticamente uma hora antes da largada oficial, que aconteceu na entrada Vila Olímpia da Ciclovia Pinheiros, onde já havia uma massa de ciclistas circulando e pegando o trem da CPTM para Grajau, o segundo ponto de partida. A largada oficial foi dada às 7:00 h na patética entrada Vila Olímpia da Ciclovia Pinheiros, que virou um festivo caos.

Mais de 7.200 inscritos pela Internet, na CicloBr.org.br, já é uma quantidade de ciclistas notável; mas a divulgação boca a boca apontava para números que chegaram a assustar. Quantos iriam? 10.000? mais? Ninguém sabe ao certo quantos foram, mas mesmo com um tempo esquisito e chuvoso a conta fecha para lá dos 8.000.

Eu cruzei a primeira balsa, de Bororé, em uns 30 minutos, se tanto, mas teve gente que demorou 4 horas para cruzar. Quando cheguei na Imigrantes, lá pelas 11:00 h, conversei com os Policiais Rodoviários, que afirmaram que naquele momento já tinha passado muito mais gente que no ano passado. Vale a pena ver as fotos do Willian Cruz no Facebook, que fez o fechamento do passeio e comparar com as minhas, do início. Fácil entender o tamanho da brincadeira: exatamente às 19:30 h, quando passamos a Serra do Mar de volta para São Paulo ainda tinha muita gente pedalando na estrada de manutenção. Simples.
Pessoalmente gostaria de ver o circo pegando fogo. Com a Ciclo Faixa de Domingo e outras iniciativas abriram a caixa de pandora da diversão e hoje tem muita gente que sabe que consegue pedalar com facilidade até grandes distâncias. Perderam o medo e descobriram que “fazer loucuras” não tem nada de loucura, de sair por ai de bicicleta, muito pelo contrário, é muito bom para a alma e não em preço. Se não acabou a mentira de que “bicicleta não existe” ou “é perigosa”, deu-se um salto imenso no sentido contrário.

Um passeio destes destrói paradigmas negativos sobre a bicicleta e cria demandas que deveriam ter sido resolvidas a muito pelo poder público, o que obviamente também não será atendido amanha nem depois de amanha. Sabe lá Deus quando a absurda lentidão da coisa pública conseguirá fazer sua parte e quais serão as consequências. Se com chuva juntou esta massa para a aventura e diminuiu sensivelmente o número de ciclistas na Ciclo Faixa de Domingo, imagine se tivesse feito tempo legal… Se o evento mais que dobrou do ano passado, o que acontecerá nos próximos anos? Pior, o pessoal que experimentou e gostou provavelmente não vai mais ficar sujeito à programação oficial dos fins de semana e, pior ainda, vai ‘incitar’ os novatos. Situação deliciosamente perigosa.
Como já disse, quem organizou foi a CicloBr.org.br, que fez um ótimo trabalho, principalmente em se tratando de voluntariado. Que inveja eu tenho desta nova geração de ciclo-ativistas… Houveram pouquíssimos incidentes e acidentes, principalmente dadas as condições.
Prefeitura de São Paulo e Governo do Estado deveriam estar mais atentos e presentes. Não cabe mais não vi para não me responsabilizar. É lógico que Guarda Florestal, PM, Polícia Rodoviária estavam lá e fizeram um ótimo trabalho, mas a dimensão do que aconteceu, e todo mundo sabia que iria acontecer, demanda muito mais. Por exemplo: não dá mais para negar que os ciclistas descem o ano inteiro pela estrada de manutenção, portanto é ridículo não sinaliza-la oficialmente, principalmente no dia do evento. Enfim, a burrice está nos estertores finais da negação da existência da bicicleta e ciclistas, que existiam muito antes destes eventos e daqui para frente tende a existir muito mais. Ser burro é uma coisa; agora ser burro, estúpido, cego, surdo e mudo é outra (sem ofensa aos burros, que são quadrupedes bem inteligentes).