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Seguro de moto: a vez das motos pequenas

Você estaciona, desliga o motor, desce da moto, dá cinco passos e olha para trás. “Será que minha moto estará onde eu deixei quando retornar?”. O medo de ser mais uma vítima do furto de motocicletas está longe de ser uma paranoia pessoal, afinal, somente no estado de São Paulo foi registrada uma média de 106 motos roubadas (ou furtadas) por dia no primeiro trimestre 2017. Uma assombrosa realidade de 4,4 crimes por hora! Diante destes números a necessidade de fazer um seguro de moto é iminente, mas será que compensa financeiramente?

No primeiro trimestre de 2017, o estado de São Paulo registrou sozinho a marca de 4,4 motos roubadas/furtadas por hora! Números assim fazem crescer a procura por seguro de moto específico para roubo e furto

No primeiro trimestre de 2017, o estado de São Paulo registrou sozinho a marca de 4,4 motos roubadas/furtadas por hora! Números assim fazem crescer a procura por seguro de moto específico para roubo e furto

Estes dados são da Fundação Álvares Penteado e Boletim Econômico Tracker-Fecap, com base nos dados da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo. Seguro de moto é um assunto importantíssimo, mas muitas vezes pouco explorado pelos motociclistas, que logo deixam a ideia para lá antes de procurar cotações e ler contratos pressupondo que os valores cobrados serão altos demais diante do preço pago na motocicleta. Isso porque historicamente as coberturas não eram vantajosas para motos pequenas, pois cobram valores anuais muito elevados devido a relação de motocicletas de baixa cilindrada com ocorrências de crime, mas novas opções no mercado podem reverter esta realidade em muitos casos.

Seguro de moto para roubo e furto, a melhor opção custo benefício

Segundo o corretor Glauco Carvalho, profissional da área há 26 anos, morador de Curitiba e especializado em seguro de moto, o mercado trabalha basicamente com duas opções: o seguro total (que prevê coberturas para incêndio, roubo/furto e colisão) e o específico para furto e roubo. Este chegou ao mercado através das seguradoras há cerca de dois anos, sendo antes oferecidos apenas por empresas que faziam a venda casada de rastreador e seguro, algo considerado ilegal pela autarquia que regulamenta o segmento, a SUSEP (Superintendência de Seguros Privados), e tem conquistado o público de motos pequenas.

Para motos mais antigas, assim como às de baixa cilindrada, a opção de seguro específico para furto e roubo pode ser uma boa. Preço costuma ficar entre 6% e 10% do valor da moto, variando de acordo com o perfil do contratante

Para motos mais antigas, assim como às de baixa cilindrada, a opção de seguro específico para furto e roubo pode ser uma boa. Preço costuma ficar entre 6% e 10% do valor da moto, variando de acordo com o perfil do contratante

Glauco explica que a opção contra roubo e furto é vantajosa principalmente para motocicletas de baixa e média cilindrada, que até então tinham taxas muito altas devido aos índices de crimes registrados este segmento. Segundo o corretor, via de regra, o valor anual do seguro costuma variar entre 6% e 10% do valor do bem (considerando a tabela Fipe), mas este número varia muito conforme o perfil do usuário. “Na maioria das vezes, seguro é tratado como uma mercadoria de prateleira, como se chegássemos e pedíssemos dois quilos de seguro para que o preço seja igual ao do seu amigo, mas não é assim. O seguro é desenhado para o perfil da pessoa e da moto que ela usa, compilando dados como CPF, data de nascimento, CEP, estado civil, ano e modelo da moto, uso da moto etc. Ainda que dois irmãos gêmeos façam uma cotação, os valores do seguro serão diferentes, pois eles não possuem o mesmo CPF”, exemplifica.

seguro-de-moto-2Atualmente, muitas seguradoras oferecem a comodidade de possibilitar cotações on-line, sem a necessidade de procurar uma corretora. É um recurso interessante, mas não abuse. “A busca por melhores valores é normal em qualquer mercado ou produto, mas quando se trata de seguros eu aconselho sempre a procurar três cotações – e não mais do que isto. Acontece que vemos casos em que o interessado dispara pedidos para 10 – ou mais – ao tempo, e muitas das seguradoras notam este excesso de cotações no mesmo CPF como algo fora do padrão e acabam aumentando o valor do seguro. Ou seja, na busca por economizar o motociclista acaba por encarecer seu produto”, explicou Glauco.

Motos de alta cilindrada são as mais seguradas, principalmente nakeds e custom. Em todos os casos, porém, é importante estar atento a todas as cláusulas antes de fechar a contratação

Motos de alta cilindrada são as mais seguradas, principalmente nakeds e custom. Em todos os casos, porém, é importante estar atento a todas as cláusulas antes de fechar a contratação

Outro alerta antes de fechar negócio está relacionado com as coberturas. “Também é importante ver com cuidado quais os benefícios oferecidos, para saber o que se está pagando e o que está recebendo. Rápido exemplo: uma seguradora oferece o seguro para a moto modelo X por R$ 1.200,00 com guincho livre e outro corretor lhe oferece uma cotação por R$ 1.000,00 mas não lhe informa que o serviço de guincho é só de 200 km. Então você sai para fazer aquela viagem dos sonhos, está a 800 km de casa, e sofre uma pane mecânica. Então terá de retornar para sua cidade e descobre que seu seguro cobre apenas 200 km e você terá que pagar a diferença do guincho, que neste caso pode lhe custar R$ 800,00. Ou seja, o que o cliente economizou vai por água abaixo e ainda sobra prejuízo. Por isso, é muito importante ter em mente o exato uso da moto no momento da cotação e não mentir ao preencher os dados”.

Seguro contra terceiros pode ser boa pedida para motoboys

Seguro de moto ainda são pouco explorados pelas corretoras, sendo colocados junto dos seguros de carros em seus catálogos de serviços. Por isso, há uma escassez de informações sobre o tema, impossibilitando saber quantas motos possuem seguro no Brasil ou qual o perfil do assegurado no País, por exemplo. “Não há qualquer dado oficial sobre o assunto, nem fornecido por seguradoras tampouco por instituições e órgãos estatais. Porém, em nossa realidade local e com base na minha carta de clientes, noto que a maiorias dos motociclistas que fazem seguro são homens, com idade acima de 34 anos, casados e com motos custom ou big trail. Também é o perfil que mais ganha descontos na hora da recontratação, pois geralmente faz apenas passeios com a esposa, nunca anda em alta velocidade e não deixa seus filhos pegarem a moto”, afirma Glauco. Porém, aqueles que usam a moto como uma ferramenta de trabalho também podem encontrar opções interessantes no assunto.

Seguro específico para danos materiais e físicos à terceiros pode ser uma boa pedida para motociclistas profissionais, que rodam o dia inteiro na cidade e estão mais expostos a acidentes. Com investimento abaixo de R$ 2,00 ao dia, modalidade possui coberturas que vão de R$ 30 mil a R$ 500 mil

Seguro específico para danos materiais e físicos à terceiros pode ser uma boa pedida para motociclistas profissionais, que rodam o dia inteiro na cidade e estão mais expostos a acidentes. Com investimento abaixo de R$ 2,00 ao dia, modalidade possui coberturas que vão de R$ 30 mil a R$ 500 mil

O seguro com cobertura apenas para danos materiais e físicos a terceiros pode ser uma boa alternativa a motociclistas profissionais, que estão mais expostos aos riscos – e acidentes – do trânsito urbano. Uma de suas vantagens é o preço, geralmente custando entre 3% e 5% do valor do bem, segundo Glauco. “É uma modalidade pouco divulgada, mas muito interessante aos motoboys porque eles estão mais expostos a acidentes. Se eles forem culpados em uma colisão com um carro, por exemplo, eles terão o valor contratado do seguro para cobrir os custos do sinistro. O mesmo se aplica no caso de um atropelamento”. Sobre a contratação, o corretor afirma que o processo é facilitado, pois “não se trata de um seguro total, mas apenas o que chamamos de Responsabilidade Civil Facultativa (RCF). Por isso ele tem análise rápida e feito o pagamento já há cobertura. É importante destacar que este seguro não é um custo adicional ao profissional, mas sim uma garantia que ele não terá eventuais dores de cabeça no futuro ao se envolver em alguma ocorrência. Pagando algo na casa dos R$ 300,00 ou R$ 400,00 por ano, menos de R$ 40,00 ao mês, ele terá uma cobertura de mais de R$ 30 mil – que pode chegar até a R$ 500 mil nesta modalidade”, conclui.

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Jornalista gaúcho convicto de que um passeio de moto em um dia de sol é a cura para praticamente todos os males da vida. Fã de motoaventurismo, competições de moto, café, praia e de rock n roll.