Sem furos

Sem furos

Sem furos

Gra‡as a tecnologia estamos cada vez mais livres do inc“modo do pneu furado.

Primeiro ‚ preciso fazer uma diferencia‡Æo entre o que ‚ preventivo e o que ‚ curativo. Um produto que previne e protege os pneus de objetos perfurantes ‚ chamado de preventivo. Dentro dessa categoria, os selantes e cƒmaras especiais seladas sÆo os produtos mais indicados. A Honda foi a primeira empresa no Brasil a equipar suas motos com uma cƒmara Tuff-up, dotada de um revestimento qu¡mico que veda o orif¡cio ap¢s a retirada do objeto perfurante. Parte da composi‡Æo qu¡mica sai pelo furo e, em contato com o ambiente externo, reage e veda o furo. Normalmente essa cƒmara ‚ dispon¡vel apenas para a roda traseira, estatisticamente a mais vulner vel a furos.

Aqui vale uma explica‡Æo. Muita gente estranha o fato de o pneu traseiro ser respons vel por quase 100% dos furos, mas a explica‡Æo ‚ muito mais simples do que se imagina. O prego est  l  no asfalto deitado, em paz. Quando o pneu dianteiro passa por cima, a borracha aderente e aquecida levanta o prego que fica na posi‡Æo perfeita pra penetrar no pneu traseiro.

A aplica‡Æo do selante deve observar as normas contidas no r¢tulo. Normalmente ele ‚ indicado para pneus com cƒmara.  preciso esvaziar o pneu, retirar a v lvula, injetar metade do tubo no pneu traseiro, metade no dianteiro, calibrar e rodar para que a espuma selante se espalhe uniformemente. Se a moto come‡ar a apresentar vibra‡äes na roda dianteira, refa‡a o balanceamento. Use de preferˆncia em pneu novos e quando for trocar o pneu toque a cƒmara tamb‚m e reaplique o selante. Ali s, pelo baixo pre‡o das cƒmaras hoje em dia, ‚ recomend vel sempre troc -la junto com os pneus.

Os selantes foram desenvolvidos durante a II Guerra Mundial para jipes e motos. Um dos truques mais manjados naquela ‚poca era jogar pregos pela estrada para furar os pneus dos ve¡culos militares. Com o selante essa sabotagem foi in£til. Hoje em dia, nos pa¡ses do Norte da Europa, muitos motoristas optam pelo selante nos carros para evitar o risco de ficar com pneu furado sob temperaturas muito baixas.

E depois?
Ap¢s aplicar o selante ‚ preciso fazer inspe‡äes peri¢dicas para conferir se h  objetos penetrados no pneu. Basta retir -los e seguir usando a moto normalmente. Pode ocorrer de perder 2 a 3 libras, ‚ normal, neste caso a simples calibragem volta tudo ao normal.
Al‚m dos preventivos, existem no mercado os curativos, ou seja, produtos que devem ser aplicados depois do pneu furar. Tamb‚m sÆo espumas qu¡micas, mas feitas para injetar depois de aparecer o furo. Raramente vi esses produtos funcionarem satisfatoriamente em pneus com cƒmara. Eventualmente funciona em pneus sem cƒmara, mas para esse tipo de pneus existe solu‡äes mais eficientes.

Uma das vantagens do pneu tubeless (sem cƒmara) ‚ esvaziar de forma mais lenta, principalmente quanto ainda est  quente. Depois que esfria ele esvazia muito r pido. Portanto, aproveite enquanto estiver rodando para chegar a um borracheiro mais pr¢ximo. O remendo de pneu sem cƒmara deve ser cuidadosamente analisado. Motos de alta performance exigem uma vulcaniza‡Æo que poucos borracheiros sÆo capazes de fazer. Em caso de emergˆncia existe um kit de remendo a frio, conhecido pelo apelido de “macarrÆo” que consiste de um tubo de borracha aplicado sob pressÆo no local do furo. Muito usado em autom¢veis, esse remendo nÆo ‚ bem visto em pneus de moto por causa da constru‡Æo radial dos pneus. Em alta velocidade esse “macarrÆo” pode ser espirrado longe. Por isso ‚ um remendo de emergˆncia, que precisa ser refeito assim que encontrar um servi‡o especializado.

Nas motos pequenas, custom ou touring o uso do remendo a frio resiste por mais tempo, as tamb‚m deve ser substitu¡do pela vulcaniza‡Æo assim que poss¡vel. Existe dispon¡vel no mercado um kit de remendo a frio para pneus sem cƒmara, incluindo pequenos cilindros de ar comprimido para encher o pneu.

Lixa, cola, anda
Os pneus com cƒmara tamb‚m podem ser remendados a quente (vulcaniza‡Æo) ou a frio. O sistema a quente ‚ simples e tÆo antigo quanto o pr¢prio pneu. Como j  foi explicado, atualmente as cƒmaras estÆo tÆo baratas que em cidades como SÆo Paulo sai mais barato trocar a cƒmara do que fazer a vulcaniza‡Æo.

Para as emergˆncias o remendo a frio funciona muito bem. Trata-se um kit composto por tiras de borracha, lixa e cola. O procedimento exige a retirada da roda para acessar a cƒmara. Basta localizar o furo, lixar a  rea, passar a cola de benzina e depois colar o remendo. A opera‡Æo toda ‚ muito simples, mas tudo pode ir por terra se faltar uma simples bomba de encher pneu, ou o cilindro de ar comprimido. A exemplo do remendo no pneu sem cƒmara, esse remendo deve ser substitu¡do pela vulcaniza‡Æo ou troca completa da cƒmara.

Para os praticantes de fora de estrada, h  anos existe a cƒmara tipo mousse. Nada mais ‚ do que uma espuma de densidade variada que substitui o ar da cƒmara. Nos enduros e ralis funciona muito bem, mas como ‚ sens¡vel …s altas temperaturas, nÆo pode ser usada por muito tempo no asfalto, sob risco de virar p¢.

Recentemente a Michelin apresentou o revolucion rio pneu sem cƒmara nem ar para scooters. A fun‡Æo do ar ‚ feita por uma espiral de pl stico e o pneu inclusive nÆo tem as laterais (“ombros”).  um passo decisivo para um futuro tÆo sonhado pelos motociclistas, quando nunca mais um simples furo no pneu poder  acabar com todo um final de semana.

Mais lendas
Mais uma vez os f¢runs de motociclistas da Internet sÆo respons veis por novas boatarias e lendas sem sentido. O selante ‚ uma das maiores v¡timas com uma avalanche de teses mirabolantes. Uma delas ‚ que a cƒmara fica “entupida” e nÆo permite mais calibragem. Outra ‚ que nÆo se pode usar no pneu dianteiro porque “tira” o balanceamento. Ambas sÆo lendas. O pneu poder  ser calibrado normalmente, sem alterar em nada o procedimento normal de uso. E se for usado na quantidade e da forma correta nÆo h  porque comprometer o balanceamento. Claro que sempre tem um ou outro presepeiro que faz as coisas erradas e condena o produto por isso.

Aproveitando o tema, uma nova lenda est  se espalhando pela Internet: a tal descarboniza‡Æo. Descarbonizar um motor ‚ opera‡Æo complexa, que exige desmontagem, retirada e polimento de pe‡as como pistÆo, v lvulas, dutos etc. O que tem ocorrido ‚ uma verdadeira aberra‡Æo: “mexƒnicos” colocam querosene no c rter, ligam o motor e deixam funcionando para “descarbonizar” o motor. Al‚m de nÆo descarbonizar nada, esse procedimento destr¢i os retentores, risca o cilindro e manda seu motor mais cedo pro ferro-velho.