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Setor de motopeças sobrevive e prevê retomada a partir de 2017

O que se vê no Salão das Motopeças é animador. Poucas marcas, mas com muito movimento de clientes, representantes, distribuidores, atacadistas e até compradores do exterior. A Abertura do evento nem tinha acontecido oficialmente, mas os diretores da Anfamoto, cada qual também cuidando do estande de sua própria empresa, tiveram que abreviar o bate-papo com jornalistas para atender seus próprios clientes e outros potenciais.

A julgar por este movimento intenso neste primeiro dia da IX Salão das Motopeças, realmente parece que há um certo entusiasmo com a volta dos negócios no nosso combalido e esvaziado segmento de peças e acessórios. “Se não vende moto nova, isso significa que a moto velha precisa de manutenção, e nossa frota circulante é bastante significativa, representando claramente um movimento maior para os fabricantes e distribuidores de peças”, analisa o presidente da Anfamoto, Associação Nacional dos Fabricantes e Atacadistas de Motopeças, Orlando Leone.

Salão mostra maturidade e até certo entusiasmo dos expositores

Salão mostra maturidade e até certo entusiasmo dos expositores

Leone afirmou ontem na abertura do evento, em São Paulo, que o setor não percebe grande diferença no movimento dos negócios do ano passado para este ano. “Só isso já é para nós um indicador positivo e por isso esse Salão das Motopeças é fundamental para toda a cadeia produtiva, porque isso sinaliza a retomada do crescimento”, prevê o sorridente presidente da Anfamoto, enquanto caminhava pelas alamedas do evento ao lado do candidato à Prefeitura de São Paulo, o deputado federal Celso Russomano, a quem Leone credita grande ajuda para o segmento de Duas Rodas. “É importante manter o meio político informado sobre as nossas questões, que são bem particulares e requerem conhecimento específico para evitar erros da parte do poder público”, justifica Leone.

Leone (centro) acompanha Russomano e o "xerife"  do consumidor: aproximação com políticos é importante

Leone (centro) acompanha Russomano e o “xerife” do consumidor: aproximação com políticos é importante

Nesse sentido, o presidente da Anfamoto recordou a criação da Frente Parlamentar dos Veículos de Duas Rodas, com o objetivo de viabilizar políticas públicas para defender os motociclistas e fomentar o setor de motopeças. “Queremos desenvolver estudos para aperfeiçoar a legislação, discutir a tributação, realizar campanhas de segurança e também campanhas contra a comercialização de peças de má procedência ou contrabandeadas”, falou Leone.

Buscamos no evento mais algumas razões para justificar o entusiasmo do presidente da Anfamoto e encontramos a gigante alemã do setor automobilístico, Bosch, que mostra no evento vários novos produtos de sua marca para o mercado de motos. “Queremos mostrar aos consumidores que a mesma tecnologia que está disponível para as motos maiores, também está disponível aos consumidores de motos menores, mais populares”, explica Camila Loureiro, chefe de marketing para duas rodas da Bosch. Camila citou os lançamentos da empresa que estão sendo mostrados ao mercado. “Uma nova linha de patim de freio, kits de bombas de combustível, novos modelos de baterias, um novo portfólio completo de velas de ignição, fluido de freios e buzinas são alguns destaques”, enumerou. Camila.

Perdido entre os expositores de produtos estava um pequeno estande da Intermot – Feira de Colônia. A presença foi explicada pelo acordo de cooperação entre a Anfamoto e a Intermot – Feira de Colônia, cujo objetivo é promover as relações entre o mercado europeu e brasileiro de motociclismo. O objetivo desse acordo é montar já para este ano uma missão de empresários brasileiros que possam participar do evento na Alemanha, em outubro, para tentar abrir oportunidades para os produtos brasileiros na Europa, o mesmo podendo ser feito pelas empresas europeias no evento brasileiro a partir da próxima edição.Separador_pecas



Sidney Levy

Motociclista e jornalista paulistano, une na atividade profissional a paixão pelo mundo das motos e a larga experiência na indústria e na imprensa. Acredita que a moto é a cura para muitos males da sociedade moderna.