Foto: Gilson Scudeler, campeÆo da superbike

Show, show e show

Foto: Gilson Scudeler, campeÆo da superbike

Foto: Gilson Scudeler, campeÆo da superbike

No auge do motociclismo de velocidade, nos anos 80, as corridas eram emocionantes, com grids lotados e o p£blico comparecia maci‡amente. Por uma s‚rie de motivos o interesse pela motovelocidade foi diminuindo at‚ o fim-de-semana de 17 e 18 de novembro, quando o aut¢dromo de Interlagos foi literalmente invadido por um p£blico recorde. Sorte de quem apareceu por l , porque foi premiado por quatro corridas emocionantes, dignas de uma festa completa. Os novos campeäes sÆo: Gilson Scudeler, na Superbike; Ot vio Lucchini na 250Jr, Alecsandre Doca Brieda na Hornet, e Marciano Santin, na 250.

O circuito de Interlagos ficou fechado por quase seis meses para que fossem realizadas as reformas exigidas pela F¢rmula 1. A mais importante foi o recapeamento total do circuito com um novo asfalto, perfeito em v rios aspectos, principalmente pela elimina‡Æo dos torturantes buracos. O resultado foi uma melhora geral nos tempos de volta. “O asfalto est  tÆo bom e tÆo aderente que demorou para eu adquirir a confian‡a necess ria para acelerar muito antes”, explicou Leandro Panad‚s (SelŠnia/Suzuki).

Todos os principais pilotos conseguiram melhorar o tempo e houve quebra de recordes em todas as categorias. Pierre Chofard (Petrobras/Honda) foi o autor da volta mais r pida na categoria Superbike e bateu o recorde para motos em Interlagos com 1min40s984, o £nico a baixar de 1min41s durante o final de semana. Com essa volta r pida Pierre tirou a chance de Gilson Scudeler (Petrobras/Honda) marcar um ponto e sagrar-se campeÆo ainda no s bado.

Foto: Doca, campeÆo na Hornet

Foto: Doca, campeÆo na Hornet

Depois do treino Gilson Scudeler estava relaxado nos boxes, prometendo muita cautela na primeira corrida porque bastaria um quinto lugar para conquistar o hexacampeonato. Mais do que isso, Scudeler revelou um projeto grandioso: criar uma categoria-escola para atrair jovens pilotos a partir de 10 anos. Segundo ele “precisamos gerar novos pilotos, ‚ a £nica forma de garantirmos uma renova‡Æo constante na motovelocidade”. Seria mais ou menos como a Petrobras faz hoje com o kart, com a Seletiva Petrobras, respons vel pela revela‡Æo de muitos pilotos para o automobilismo. Vamos torcer para o projeto emplacar em 2008!

Algumas iniciativas deram novo impulso … esta quinta e £ltima etapa. A entrada foi franqueada, bastava retirar o convite em alguma concession ria Honda durante a semana. Al‚m disso, a concession ria Japauto fez um moto-passeio que reuniu 800 motociclistas e ainda alugou um espa‡o exclusivo em Interlagos para receber os convidados para um churrasco. A Honda tamb‚m aproveitou para realizar um evento dedicado aos melhores vendedores, com um espa‡o destinado a eles e … imprensa (muito confort vel por sinal). E a assessoria de imprensa da Honda fretou um “nibus para levar jornalistas. O resultado? Gente, muita gente em Interlagos! Havia muitos anos que nÆo se via um p£blico tÆo grande, ainda mais em pleno feriado prolongado de seis dias que mais parecia f‚rias!

Outra not¡cia estimulante veio do Jos‚ Roberto Belstrein, do Centauro Motor Clube, que pretende resgatar a Ta‡a Centauro em 2008, um dos torneios mais importantes do motociclismo nacional nos anos 70, al‚m da volta das 500 Milhas de Interlagos. “S¢ falta atrair os patrocinadores, mas depois dessa etapa acredito que ser  mais f cil”. Entre os planos est  a cria‡Æo de uma categoria destinada a estreantes acima de 34 anos. “Vamos convidar esse pessoal que hoje se arrisca correndo nas estradas”, explicou Belstrein. Tamb‚m o presidente da Federa‡Æo Paulista de Motociclismo, D‚cio Fantozzi, estava entusiasmado com a possibilidade de reviver o campeonato paulista de motovelocidade em 2008. Bastar constatar que dos cinco pilotos no p¢dio da superbike quatro eram paulistas para perceber que SÆo Paulo merece ter um campeonato regional.

Depois de tantas boas promessas, as provas come‡aram com um pequeno atraso por causa do ¢leo derramado por uma moto. O novo asfalto nÆo pode receber qualquer produto para retirar o ¢leo, por isso teve de ser lavado, o que deu um tremendo trabalho.

As disputas come‡aram com a primeira bateria da Superbike. Pierre Choffard largou como um foguete e abriu mais de 2 segundos na primeira volta e parecia que venceria tranquilamente at‚ chegar na curva do Laranjinha e “perder” uma marcha na reduzida. A roda traseira travou e ele saiu voando sem se machucar, mas a moto ficou irrecuper vel para a segunda bateria. Sem Pierre, Gilson j  era campeÆo e largou mÆo da pilotagem “preventiva” para passar ao ataque num emocionante duelo com o goiano Cristiano Vieira (Spiga/Honda). Cristiano fez duas belas ultrapassagens e venceu com Scudeler colado na roda traseira dele! Depois da bandeirada Scudeler relaxou, “este t¡tulo teve um sabor especial. Comecei o ano com muitas dificuldades. Sofri uma fratura no ano passado e tive de conviver com isso durante toda a temporada”, contou o hexacampeÆo.

Na segunda bateria da Superbike, Gilson Scudeler fechou a temporada com chave de ouro com uma vit¢ria, depois de um emocionante duelo com Cristiano Vieira e Leandro Panades.

Na categoria 250, Murilo Ribeiro foi o vencedor da categoria depois da desclassifica‡Æo de Willian Costa, que havia sido o primeiro. O t¡tulo da 250 estava decidido desde a etapa anterior, disputada em Campo Grande (MS), quando Marciano Santin sagrou-se campeÆo. Murilo Ribeiro ficou com o vice e Maico Teixeira terminou com a terceira coloca‡Æo.

Apenas um ponto definiu o t¡tulo da categoria 250Jr. O campeÆo foi o paulista Ot vio Lucchini. Ele terminou a prova na nona coloca‡Æo na classifica‡Æo geral e segundo entre os pilotos da J£nior, ficando apenas um ponto na frente de Douglas Figueiredo (86 a 85) no campeonato. “Eu corri com a mÆo (direita) fraturada, nÆo sabia se teria condi‡äes de andar. Estou feliz porque vou correr o ano que vem na Copa Red Bull, nos Estados Unidos e Europa, motivado por esta conquista”, disse o campeÆo.

Pode-se dizer que o t¡tulo da categoria Hornet foi decidido no s bado. O ponto extra conquistado por Alecsandre Brieda, o Doca (Bardhal) por ter sido o mais r pido nos treinos classificat¢rios foi o que decidiu a competi‡Æo a seu favor. Doca terminou a corrida na segunda coloca‡Æo, chegando a 108 pontos, um a mais que Carlos Cruz, o vencedor e vice-campeÆo. “A tomada de tempo foi muito importante. Foi o que me deu o campeonato”, contou o piloto de Piracicaba, SP. Para se ter uma id‚ia no n¡vel de equil¡brio do campeonato Brasileiro, em duas categorias os t¡tulos foram decididos pela diferen‡a m¡nima de UM ponto! Que venha 2008!

Classifica‡Æo final do Campeonato Brasileiro

250Jr – 1) Otavio Lucchini, 86 pontos; 2) Douglas Figueiredo, 85; 3) Lucas Mattei, 77; 4) Diego Faustino, 66; 5) Danilo Lewis, 43

250 – 1) Marciano Santin, 82 pontos; 2) Murilo Ribeiro 73; 3) Maico Teixeira, 64; 4) Marcos Mardegan, 62; 5) Osmar Cefrin, 49

Hornet – 1) Alecsandre Brieda, 108 pontos; 2) Carlos Cruz, 107; 3) Fabio Peasson, 85;
4) Willian Pontes 49; 5) Norton Masera, 35.

Superbike – 1) Gilson Scudeler, 191 pontos; 2) Pierre Chofard, 128; 3) Leandro Panades, 105; 4) Danilo Andric, 94; 5) Murilo Colatrelli, 89.