Seminário de Segurança Veicular discute o tema “2014 – O ano do veículo seguro” em São Paulo

Sistemas de frenagem em motocicletas “esquentam” debates

O Milenium Centro de Convenções transformou-se em um palco de debates, propostas, estudos, pesquisas e trabalhos voltados à segurança no trânsito, durante o Seminário de Segurança Veicular, pautado nesta edição sob o tema “2014 – O ano do veículo seguro”.

Seminário de Segurança Veicular discute o tema “2014 – O ano do veículo seguro” em São Paulo

Seminário de Segurança Veicular discute o tema “2014 – O ano do veículo seguro” em São Paulo

O evento, ocorrido na última quinta-feira (26) em São Paulo foi promovido pela Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA) e reuniu mais de 150 participantes, entre engenheiros automotivos, técnicos de órgãos públicos, fornecedores, concessionários, jornalistas, acadêmicos, entre outros.

“O tema segurança no trânsito traz estatísticas elevadas e existe uma convergência de esforços com o intuito de melhorarmos o que tanto impacta na sociedade, inclusive no ponto de vista da legislação”, disse Antonio Megale, presidente da AEA, durante sessão de abertura. “A partir do ano que vem, teremos a obrigatoriedade do uso do airbag e freios ABS nos automóveis, cenário implementado de forma gradual. O próximo passo é trabalhar nas mudanças tecnológicas e buscar evolução, principalmente para minimizar a distância que temos quando comparada com outros países mais evoluídos”, afirmou.

O painel “Evolução do desempenho de frenagem” teve início com a palestra “Segurança de frenagem; identificando motos com freio a disco e ABS”, ministrada por Emerson Feliciano, gerente técnico da Centro de Experimentação de Segurança Viária (Cesvi Brasil). Com o objetivo de defender a segurança viária, Feliciano apresentou o tema por meio de uma pesquisa que reflete a valorização do sistema de freio ABS. Para falar sobre frenagem de moto, Feliciano apresentou dados como o crescimento da frota circulante no País, de 4 milhões em 2000 para 18 milhões em 2011 e o aumento de 134% das ocorrência de morte com motocicletas, crescimento de 7,5 mil registros em 2.000 para 17 mil em 2011.

“O Cesvi acredita no conceito da eficiência de frenagem, independente da tecnologia. Essa eficiência é baseada no conceito de reduzir a velocidade do veículo, na menor distância possível, mantendo sua dirigibilidade em qualquer condição de piso”, diz o gerente que exibiu ainda um estudo internacional que identificou uma redução de 31% de acidentes fatais com a adoção do ABS nas motocicletas.

O diretor comercial da Real Simuladores, Gil Pierre Herck, em palestra “Simulador de direção , dirigindo com o futuro”, defendeu a importância do uso de um simulador durante a obtenção da Carteira Nacional de Habilitação. De acordo com ele, 90% dos acidentes são o resultado direto da falha humana e os estudos comprovam redução de mais de 50% dos acidentes nos primeiros 24 meses após a obtenção da CNH, com treinamento em simuladores de direção. “O simulador educa e acelera o aprendizado, aumenta o nível de discernimento de forma controlada, repetitiva, mensurada e sem riscos”, informou Herck.

Melhorias nas técnicas de pilotagem, como adaptação da motocicleta de acordo com a estatura, postura sobre a moto, ponta dos pés na pedaleira e o trabalho do corpo para direcionar a motocicleta, segundo Leandro Mello, piloto e comentarista do programa Auto Esporte, da TV Globo, são grandes diferenciais durante a condução que podem evitar acidentes graves ou até mesmo fatais. O piloto ainda defendeu o uso da motocicleta, já que o veículo é menos poluente e traz qualidade de vida, principalmente em países desenvolvidos.

A evolução dos sistemas de freio em motocicletas foi tema que despertou especial interesse durante o seminário

A evolução dos sistemas de freio em motocicletas foi tema que despertou especial interesse durante o seminário

O painel “Evolução do desempenho de frenagem” foi encerrado com debate mediado pelo jornalista e editor-chefe da Agência InfoMoto, Arthur Caldeira. A palestra “A experiência britânica na segurança viária”, por Ian Yarnold, ministro dos Transportes do Reino Unido, reuniu dados importantes, como o programa Safe Road, criado pelos ingleses com o objetivo levar educação do trânsito às escolas, elaborar normas de condução com foco em melhorias contínuas, além de investimentos em engenharia de veículos e em rodovias. Yarnold ainda destacou a importância das tecnologias empregadas nos veículos que auxiliam a condução contribuem significativamente com a segurança dos ocupantes, como câmera de ré, sistema de alerta ao motorista em ponto cego, freios antitravamento, entre outros.

Identificar e especificar quantitativamente os fatores responsáveis pelo tipo e gravidade de lesões em acidentes, resultantes da correlação funcional entre o efeito mecânico e a lesão resultante foi o objetivo de Fábio Viviani, diretor da FLV Automotive Safety e gerente geral da Kistler Brasil Instrumentos de Medição, em apresentação “Ensaios biomecânicos – evolução”. Na oportunidade, o diretor informou que os equipamentos disponíveis para testes biomecânicos evoluíram de maneira significativa nos últimos anos e continuarão a evoluir e ainda que as normas de testes cada vez mais exigentes (NCAP). “Existe a necessidade do Brasil estar preparado com laboratórios equipados e pessoal treinado e como resultado, a conscientização maior da sociedade para demandar carros brasileiros mais seguros”, afirma Viviani.

“Para prover confiança à sociedade brasileira nas medições e nos produtos, por meio da metrologia e da avaliação da conformidade, promovendo a harmonização das relações de consumo, a inovação e a competitividade do País, é preciso regulamentação”, informou Leonardo Rocha, do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), em palestra “Certificação de componentes”. Rocha aproveitou para mostrar ao público presente os principais pontos da regulamentação dos freios hidráulicos, das baterias automotivas e terminais e barra de direção.

A obrigatoriedade do airbag nos veículos produzidos no País a partir do ano que vem entrou em pauta e levantou questões importantes sobre sua utilização na última palestra do dia, “O airbag também tem seus riscos”,  ministrada por Rodrigo Laurito, vice-coordenador da Comissão Técnica de Segurança Veicular da AEA. O vice-coordenador expôs situações em que o airbag frontal pode não deflagrar, como a intrusão de elemento diretamente no habitáculo, colisão em postos de baixa velocidade e no centro do veículo, impactos em traseira de caminhão, choque oblíquo-frontal e capotamento. “A deflagração do airbag está associada à desaceleração do veículo, ao obstáculo, ao ângulo de colisão e ao risco de lesão grave ou fatal”, afirmou Laurito. Ainda de acordo com ele, o airbag e o cinto de segurança têm um potencial de redução de 51% do risco de morte. “Mas é imprescindível que o equipamento seja usado de forma correta, pois transportar crianças no colo de adultos no banco dianteiro, colocar os pés sobre o painel, ter o ocupante do carro fora de posição e ainda objetivo e/ou animais entre o motorista e a região do airbag podem causar consequências ainda mais graves”, explicou Laurito.