Rculpado

Sobre a morte de Juliana na avenida Paulista

Sem investigação, análise e perícia técnica, tudo vira linchamento

Sem investigação, análise e perícia técnica, tudo vira linchamento

O culpado já deve estar definido no coração de muita gente: o motorista do ônibus.

Para mim este tipo de julgamento tem nome: linchamento. Brasil é, segundo um respeitado organismo internacional, um dos países que mais lincha. Como todo nosso sistema de justiça é muito precario, não raro injusto, o povo parte para a própria justiça sumaria, o linchamento.

Por escrever para jornais e revistas a muito tempo, acabei tendo que investigar alguns acidentes fatais e em todos casos sempre houve a versão dos ciclistas, imediatista, definitiva, incontentável; e nunca veio a tona a realidade baseada em investigação cientifica. É normal que a versão emocional, justificadora, seja forte e fique impregnada nas mentes e almas. Mas é muito triste que não busquemos a verdade. Vivemos uma sociedade individualista onde a culpa é sempre do outro, mui dificilmente de nós próprios ou de nossos iguais.

A única forma de reverter esta barbárie de nosso transito é ter fé na ciência, em suas tecnicas, procedimentos, análises e conclusões. Se a população não se der conta da importância do trabalho da autoridade, da policia, pericia técnica, escrivãos e não exigir do poder publico a melhora na condição de trabalho destes, o Brasil não irá parar o banho de sangue que estamos vivendo. Não há outra saída. Ou vamos para o legalismo, ou seguimos nesta baderna.

Estou fora do Brasil e só soube da notícia da morte de Juliana alguns depois do fato. Tive que parar para pensar e acalmar. Depois vi a notícia sobre a bicicletada nacional. Espero que tenha ocorrido em paz. A questão da bicicleta tem uma oportunidade histórica, imperdível, de transformar as cidades para o bem, mas só o fara através do bem. Encontrar culpados rapidamente não leva a nada.