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Solidariedade motociclística

Texto de Wado Santista

Estão compartilhando um vídeo genial e muito bacana a respeito da solidariedade que nós motociclistas prestamos quando vemos alguma situação onde podemos ajudar de alguma forma quem precisa. Claro e pra variar um pouco, lembrei-me de uma engraçada.

Vinha eu pela 23 de maio, em São Paulo, quando vi parada na pista da direita uma mulher com o pneu dianteiro direito furado, ela fora do carro, uma mão com o celular na orelha e na outra mão uma fralda abanando para os carros desviarem dela, coitada! Dentro do carro, no banco de trás, 3 crianças, sendo uma na cadeirinha, chorando muito, e as outras duas fazendo a maior zoeira que eu já vi.

Um pneu furado em uma avenida movimentada e três crianças no banco de trás

Um pneu furado em uma avenida movimentada e três crianças no banco de trás

E a coitada da mulher surtando.

Parei a moto protegendo-a e falei: – entra no carro por favor que você em pé aqui fora pode ser atropelada. Abra o porta-malas que eu vou trocar esse seu pneu rapidinho. Ela me passou o celular e do outro lado estava o marido desesperado. Falei para ele que estava passando de moto, disse que ia trocar o pneu do carro da esposa dele e que ele se acalmasse. Ele agradeceu.

Devolvi o celular pra mulher, abri o porta-malas, coloquei o triângulo a uns 50 metros e ajeitei a moto pra me proteger – se alguém atropelasse alguma coisa, que fosse a minha moto e não eu.

Estou eu trocando o pneu, quando para um motoboy e fala :  – Quer ajuda mano?
Falei: -Quero, fica lá perto do triângulo com sua moto e fique acenando para os carros desviarem enquanto eu troco esse pneu, é rapidinho.

Dentro do carro a mulher acalmando o bebê e dando bronca nas duas crianças pequenas que estavam adorando aquilo tudo.

Troquei o pneu rapidamente, guardei tudo, fui até à janela da mulher e falei, tudo certo, pode ir embora e quando puder liga para o seu marido que ele estava em pânico, coitado, e sorri.

A mulher em vez de ir embora logo, falou pra mim: – Obrigado, mas espera um pouquinho por favor; pegou a bolsa, sacou 10 reais da carteira e queira me dar. Eu falei rindo: – Que isso? Não precisa, por favor guarde o seu dinheiro e tire o seu carro da pista, vá embora por favor. Ela retrucou: -Precisa sim… Precisa sim.

Eu vendo que ela não iria embora e que discutir com ela seria perda de tempo, peguei os 10 contos rindo muito. Ela foi embora, o motoboy já estava na moto dele e do lado da minha, esperando e me protegendo pra eu subir na minha com segurança. Peguei os 10 contos que a mulher tinha me dado, dei pra ele e ele falou: – Aeeeeeee! Valeu mano!  Eu falei: – Eu que te agradeço véio!

Subi na moto, buzinei, ele buzinou, e fomos embora todos felizes!

Engraçado que a mídia em geral nos pinta como loucos e desequilibrados. Essa senhora, mãe desses 3 filhos, e todos os que passaram de carro naquela avenida movimentada com certeza mudaram esse preconceito ruim que têm, de quem anda de superbike e dos motoboys.