Estimativas indicam que existem cerca de 200 milhões de motocicletas em uso no mundo, incluídos os ciclomotores, motonetas, bicicletas motorizadas e outros similares de três rodas.

Sonhar não custa nada

A semana começa com eu, você e mais 6.999.999.998 bípedes dotados de inteligência andando de um lugar para o outro no mais denso e quase redondo corpo celeste do sistema solar.

Estimativas indicam que existem cerca de 200 milhões de motocicletas em uso no mundo, incluídos os ciclomotores, motonetas, bicicletas motorizadas e outros similares de três rodas.

Estimativas indicam que existem cerca de 200 milhões de motocicletas em uso no mundo, incluídos os ciclomotores, motonetas, bicicletas motorizadas e outros similares de três rodas.

Caramba, 7 bilhões de sujeitos de todos os sexos e escolhas, onde na média temos 28 anos de idade, somos casados e pais de um filho, tendo cursado de forma incompleta o ensino fundamental e um celular como bem de consumo no bolso, não temos carro nem conta bancária e vivemos num centro urbano.

Destoantes características num mundinho socialmente “bem equilibrado”, não é mesmo?
Tão equilibrado que na nossa vida real temos a nossa “mótinha”, às vezes um carrinho, mas na média destes 7 bilhões, poderíamos ter no máximo um celular.

Neste monte de sujeitos, cerca de 50% deles estão na fase adulta pra cima, ou seja, somos 3,5 bilhões nesta condição. Se colocássemos um atrás do outro montando uma fila, ela daria quase 22 voltas na terra. Puxa, provocaria uma enorme inveja nas nossas filas do INSS, hospitais, …
Imaginem, hipoteticamente, se fossemos 3,5 bilhões de motociclistas.
Considerando que uma motocicleta ocuparia o lugar de cerca de 5 pessoas enfileiradas, e que na hipótese de melhor aplicação teríamos no máximo duas em cima dela, a fila passaria a dar 55 voltas na terra. De longe o maior comboio que o universo já testemunhou.

Nos prós e contras de um mundo adulto composto por motociclistas, temos absoluta certeza que ele seria melhor, não sabemos exatamente quanto, mas que simplesmente seria.
O motociclismo que pregamos tem o verdadeiro significado pautado na ordem, respeito às leis e aos cidadãos e com forte atuação no campo social, em prol de uma sociedade mais justa e com oportunidades igualitárias. E embora sejamos no mundo tão distintos na nossa criação, formação, costume, profissão, cultura, religião e até no idioma ou sotaque na maneira de nos expressarmos, o pouco que temos em comum por nossa imensa paixão pela motocicleta e tudo que está em sua volta, nos fazem tão iguais, tão idênticos, mantendo-nos fiéis e com um grande orgulho de SER MOTOCICLISTA, na real razão desta existência, traduzida por todos os bons valores de moral e ética pregados pela irmandade.

Existe algo meio inexplicável, não muito claro para identificar exatamente as razões de tal natureza, a ponto de nos fazer entender e acreditar que ser um verdadeiro motociclista é uma benção do Pai Todo Poderoso, O Guia Chefe dos nossos comboios e universo.
Acreditem que estas palavras e pensamentos não provêem de um simples sonhador ou uma pessoa com uma visão ingênua do nosso movimento, pois embora não valha a dor e o olhar, sabemos que as mazelas existem, mas são infinitamente menores do que as desse nosso corrente mundo tosco de força e poder.
Como em toda sociedade, no nosso movimento também existem poucos elementos que o compõe e que por vezes não seguem as suas doutrinas, que por seus atos e por esta própria sociedade serão julgados e condenados, se necessário, mas que jamais representarão ou colocarão em risco o âmago do movimento motociclista.

Pois então, neste corpo celeste quase redondo, agora hipoteticamente dominado por seres sobre máquinas de 2 rodas completamente redondas, também haverá outros problemas a se tratar.
Não somos exatamente 7 bilhões de problemas, devemos ser 7 bilhões de oportunidades pra resolvê-los.
Observando com uma lupa o exemplo atual do universo de condutores de veículos tupiniquins em verde e amarelo, somos de longe, bem ao longe, um exemplo pra qualquer sociedade que se busque almejar.
Os números não mentem, permitimos em 2010, com a toda a nossa precariedade de ruas, estradas, rodovias, leis, fiscalização e comportamento dos nossos condutores, a construção de uma muito triste estatística de acidentes de trânsito, que resultaram na morte de 145 pessoas em ônibus, 738 em caminhões, 1.453 em bicicletas, 8.659 em automóveis, 9.078 em vias públicas como pedestres e 10.134 em motocicletas.
Um absurdo, que nos coloca em números absolutos como o quinto país no mundo em lesões e mortes no trânsito, atrás somente da Índia, China, EUA e Rússia, que têm população e frotas maiores que o Brasil.
Registramos atualmente uma morte a cada 13 minutos que se passam. Somente nas cerca de 5 horas que estarei sobre o teclado pra escrever este texto, 23 pessoas morrerão em função destes acidentes.

Não bastasse todas as mazelas da administração pública que impede a provisão de boas condições para trafegarmos, existe outra grave tolerância, nossa e do estado, com relação ao consumo de álcool.
Somamos em 2010, no Brasil, 40 mil mortos e 146.000 internações hospitalares decorrentes de acidente de trânsito. Média de 111 e 400 por dia, respectivamente.
Acreditem, 40% das vítimas com óbito, ou seja, 16.240 pessoas, estavam embriagadas quando morreram.
Numa grande pesquisa realizada junto a milhares de condutores de veículos, apenas 17,6 % responderam que nunca bebe quando dirige.

Mas “agora” somos neste corpo celeste quase redondo, e hipoteticamente, um mundo de motociclistas.
Então, por equivalência, traduzindo estatisticamente este mundinho tupiniquim verde amarelo no novo mundo de motociclistas, estamos ferrados, literalmente.
Os números nunca mentem, em 2010 ocorreram no Brasil a quantidade de 6,18 mortes pra cada 10 mil motocicletas, e 2,33 mortes pra cada 10 mil automóveis. Ou seja, para o mesmo número de motocicletas e automóveis, temos quase 3 vezes mais falecimentos de motociclistas ou garupas por acidente de trânsito em relação aos condutores de automóveis.
Estimativas indicam que existem cerca de 200 milhões de motocicletas em uso no mundo, incluídos os ciclomotores, motonetas, bicicletas motorizadas e outros similares de três rodas.

Imaginem, no nosso hipotético novo mundo, com a relação de 2 pra 1 de motociclista pra motocicleta e cerca de 1,75 bilhões delas, em que patamar estaria a quantidade de óbitos decorrentes de acidentes de trânsito seguindo o exemplo verde amarelo?
Não dá !!! Qual deve ser a intolerância pra nossa grave tolerância com relação ao consumo de álcool e a ineficácia do estado para assegurar medidas de prevenção e punição aos infratores?
A Lei Seca !!! Triste engano, pois a nossa inicialmente tão elogiada Lei Seca, em certos aspectos e pela falta de outros dispositivos legais, deu abertura pra uma situação pior do que a anterior, quando amparado pela própria Lei, os ora suspeitos, mesmo em estado de total embriaguez, por direito podem se recusar a fazer o exame. Premissa obrigatória pra que eles sejam enquadrados nela, e que pela recusa, podem no máximo receber uma multa de R$ 957,00 e ter a carteira suspensa pelos míseros 5 dias.
Antes desta Lei, um policial, ou na pior hipótese clinicamente um médico, podia atestar que o condutor do veículo não estava em condições de dirigir, pela “Lei de Percepção de Bêbado” mais antiga do mundo e que não precisa de nenhum medidor de teor alcoólico no sangue pra ser evidenciada.

Não nos abdicamos de sonhar e transformar este corpo celeste quase redondo, de 7 bilhões de bípedes supostamente inteligentes, num universo de trilhas, estradas e rodovias habitadas por 3,5 bilhões de motociclistas de todas as nacionalidades, estilos, aparatos e indumentárias. Certamente temos muito a oferecer quanto a plena e frutífera convivência de diferentes seguindo os mesmos ideais, mas como o presente, e por outro lado, temos muito pouco a oferecer com relação a uma justa e responsável condução de todos os nossos veículos, ressaltando com tristeza, a da nossa apaixonante motocicleta.
Deixemos isso para um futuro, tratemos de cuidar do presente. E sonhar.

“Sonhar não custa nada, pois o meu sonho é tão real que mergulhei nessa magia e era tudo que eu queria. Deixe a sua mente vagar, pois não custa nada sonhar pra viajar nos braços do infinito, onde tudo é mais bonito, nesse mundo de ilusão, que faz transformar o sonho em realidade e sonhar com o pé no chão” (montagem de trechos do samba enredo “Sonhar Não Custa Nada Ou Quase Nada” de 1992 da Mocidade Independente de Padre Miguel)