Superbike acelera e deixa a crise financeira para trás

Superbike acelera e deixa a crise financeira para trás

Superbike acelera e deixa a crise financeira para trás

O Campeonato Mundial de Superbike 2009 tem recorde de pilotos inscritos e sete fábricas na luta pelo título

A largada para a temporada 2009 da motovelocidade mundial acontece neste final de semana com a abertura do Campeonato Mundial de Superbike, no circuito de Phillip Island, Austrália. Enquanto a recente crise mundial causou cortes e até mesmo o cancelamento dos programas de competição de muitas montadoras em outras categorias, o Mundial de Superbike segue competitivo e com o grid cheio.

Para 2009, recorde de pilotos inscritos: 32 ao guidão de motos de sete diferentes fabricantes ao longo de 14 etapas espalhadas por cinco continentes.

Diversos são os motivos para o sucesso da categoria. A começar pela própria filosofia da Superbike. Só podem participar do campeonato motos superesportivas fabricadas em série. O que, além de baratear os custos, vai ao encontro dos interesses das marcas e também cativa os fãs. Afinal, o motociclista que possuir uma Ducati 1098 pode se gabar, nas conversas de mesa de bar, de “ter na garagem a moto campeã mundial de Superbike”.

Em 2008, o australiano Troy Bayliss conquistou seu terceiro título na categoria pilotando o modelo da marca italiana.

Superbike acelera e deixa a crise financeira para trásAo contrário da MotoGP, onde as montadoras constroem protótipos para competir, na Superbike as equipes oficiais de fábrica utilizam como base as motos comercializadas. São feitas apenas alterações – previstas e regulamentadas pela Federação Internacional de Motociclismo (FIM) – para melhorar o desempenho das motos na pista. Com isso, o custo fica menor e o apelo do marketing, maior.

Em anos anteriores, pesquisas mostraram que a superesportiva de 1.000 cc que faturasse o título mundial, acabava garantindo também o topo mais alto na lista das mais vendidas.
Outra medida, adotada já há alguns anos foi transformar a categoria em monomarcas nos pneus. Desde 2004, a Pirelli é fornecedora oficial e exclusiva da Superbike (para motos de 1.000 cc) e também da Supersport (para motos de 600cc). A categoria ganha com custo fixo menor, mas também em competitividade, pois todos têm à disposição os mesmos pneus.

A Pirelli também sai ganhando: reforça sua imagem entre o público-alvo e tem a disposição um excelente laboratório de testes. Tanto que a fabricante de pneus italiana renovou o contrato com a Superbike até 2012. Receita de sucesso que, neste ano, vai ser seguida pela MotoGP: todas as motos vão usar pneus Bridgestone.

Competitivo e atraente
Deixando de lado as questões mercadológicas, o sucesso da Superbike também vem da enorme competitividade entre os pilotos. Em cada uma das etapas acontecem duas baterias, com 50 pontos em disputas. Nesse sistema, em conjunto com as motos de desempenho bastante semelhantes, dificilmente um piloto se isola na liderança e deixa o campeonato “sem graça”. Em geral a decisão do título fica para a última e derradeira etapa.

Neste ano, com a aposentadoria do campeão de 2008, Troy Bayliss, a briga pelo título está mais aberta que nunca. Ainda mais com a entrada de duas novas fábricas investindo pesado: a estreante BMW e a italiana Aprilia, que retorna à categoria.

O experiente australiano Troy Corser foi contratado para assumir o guidão da BMW S1000RR, ao lado do espanhol Ruben Xaus. “Alguns podem pensar que foi uma aposta arriscada, mas tenho certeza que com minha experiência poderei brigar pelas primeiras posições”, declarou Corser, com dois títulos mundiais no currículo.

A Aprilia apostou na mesma receita para seu regresso a Superbike. Contratou o experiente italiano Max Biaggi para acelerar a nova RSV4 nesta temporada. “Esta é uma temporada diferente para mim. Tivemos que fazer tudo acontecer e estou construindo este novo projeto junto com minha equipe. Temos grandes ambições”, declarou o romano que coleciona um tricampeonato na categoria 250cc da Motovelocidade e disputa sua terceira temporada na Superbike.

Com exceção da equipe Honda Ten Kate, oficial de fábrica, todas as outras equipes apostaram em novos pilotos. Uma grande promessa no comando da nova e revolucionária Yamaha YZF R1 é o norte-americano Ben Spies, campeão da categoria em seu país em 2008. “Para mim é uma grande mudança. Nova moto, novos pneus… Tudo está indo muito bem até agora, mas vai ser um ano bastante competitivo. Estava acostumado a disputar com um piloto rápido, mas aqui há mais de dez pilotos na briga pelo título”, declarou Spies, que terá o britânico Tom Sykes como companheiro na equipe oficial Yamaha.

A italiana Ducati apostou em uma mistura de experiência com juventude para brigar pelo seu 16º campeonato – a marca italiana é recordista na Superbike com 15 títulos em 21 anos de disputa. Manteve o jovem italiano Michel Fabrizio e trouxe o japonês Noriyuki Haga, que na segunda-feira, 2 de março, completa 34 anos. “Nitro-Nori”, como é chamado, nunca foi campeão, mas chegou bem perto disso em 2007, ficando com o vice-campeonato. Com a nova Ducati 1198R a disposição, Nori está entre os favoritos.

Já a Kawasaki, que abandonou a disputa do Mundial de MotoGP, focou todas suas fichas (e investimentos) na Superbike. A fábrica de Akashi reformulou sua equipe oficial de fábrica e contratou o japonês Makoto Tamada e o australiano Broc Parkes para acelerar ZX-10R.
Além das atrações da categoria principal, em todas as etapas acontece a disputa do Mundial de Supersport (para motos de até 600cc). Com isso o circo vem atraindo cada vez mais espectadores. Em 2008, mais de um milhão de pessoas assistiram às provas nos circuitos.

Transmitida para mais de 170 países, inclusive o Brasil, pelo canal por assinatura Band Sports, a organização estima em mais de 2 bilhões de telespectadores no ano passado. Em 2009, acelerando para fugir da crise, a Superbike deve atrair ainda mais atenção dos fãs de motos e velocidade.

BOX Calendário 2009 Data Local
1º de março Austrália (Phillip Island)
14 de março Qatar (Doha)
5 de abril Espanha (Valencia)
26 de abril Holanda (Assen)
10 de maio Itália (Monza)
17 de maio África do Sul (Kyalami)
31 de maio Estados Unidos (Salt Lake City)
21 de junho San Marino (Misano)
28 de junho Grã-Bretanha (Donington Park)
26 de julho República Checa (Brno)
6 de setembro Alemanha (Nürburgring)
27 de setembro Itália (Ímola)
4 de outubro Francia (Magny-Cours)
25 de outubro Portugal (Portimão)