Superbike e Moto GP

Superbike e Moto GP

No próximo domingo dia 16/7 tem MotoGP na Alemanha, e no domingo seguinte Mundial de Superbike na Republica Checa, no circuito de Brno (o nome é esquisito mesmo, lê-se BeRno).

Falando sobre as duas categorias, Superbike e Motogp, recebo constantemente perguntas sobre as diferenças entre elas. Achei que seria uma boa escrever aqui pra tentar esclarecer um pouquinho as dúvidas.

Superbike (www.worldsbk.com)

Carlos Checa (Moto GP: www.motogp.com)

A grande diferença entre as duas categorias está na origem das motos. Na MotoGP as motos são desenvolvidas puramente para a competição. Elas nunca chegarão às lojas, e muito menos nas ruas. São bólidos que utilizam a mais alta tecnologia, independentemente do custo. Estima-se que a moto do Valentino Rossi custe por volta de 4 milhões de Euros (!!!). Inclusive, existem no regulamento da competição, regras que impedem o uso de peças de motos de produção, o que reduziria custos, mas também reduziria a evolução tecnológica. Além dessas regras, existem algumas para impedir o uso em excesso de materiais compostos como a fibra de carbono. No geral as regras da MotoGP são mais para impedir uma escalada de custos e garantir o mínimo de competitividade, impondo limites mínimos de peso dependendo do número de cilindros de cada moto.

Já na Superbike, as motos derivam das motos de rua que encontramos nas lojas. Para competir com uma moto, o fabricante precisa homologá-la junto a FIM. O regulamento é muito duro com o que se pode alterar nas motos, garantindo o máximo de equivalência possível com as motocicletas de rua, e ao mesmo tempo o máximo em competitividade. Também é exigido um número mínimo de motos vendidas do modelo a ser homologado, para evitar que os fabricantes tentem competir na SBK com protótipos à lá MotoGP. Este número varia de acordo com a produção total de motos do fabricante, o que obriga a Honda ter que vender mais motos que a Ducati para poder homologar uma nova moto. Isso parece injusto à primeira vista, mas garante um equilíbrio muito grande na competição, e permite que pequenas fábricas como a Foggy Petronas participem do campeonato.

Na MotoGP cada equipe pode mudar o que quiser entre uma corrida e outra, por exemplo, pode correr com um motor V2 em uma corrida e com um 4 em linha na próxima. Na ultima corrida da MotoGP, em Donnington Park , a equipe oficial Honda HRC, correu com duas motos diferentes, Dani Pedrosa utilizou o chassis atual da RC211V, já Nick Hayden utilizou o chassis que está em desenvolvimento para os novos motores que entrarão em uso no ano que vem com a capacidade cúbica limitada em 800cc. Coisa que seria impossível na Superbike.

Como as motos da SBK são derivadas das motos de rua, não dá pra fazer muita mágica e acrescentar muita potência ou mexer muito na moto, ou seja, ela já tem de ter o DNA de pista, senão nada feito. A cada ano, alguns fabricantes lançam versões especiais de suas motos de rua, com mais potência e em muitas vezes um chassis diferente. É o jeito que encontraram de evoluir as motos do Superbike sem ter que lançar novas motos a cada ano. É o que acontece com as Ducati 999R. Em 2003, essas italianas tinham até menos potência que as outras motos da mesma linha, mas tinham um motor diferente, que permitia muito mais preparação, ao ponto de chegar aos 195 cv na moto de pista. Número inimaginável em uma moto de rua. Foi também o que aconteceu ano passado com as Yamaha R1 SP, só que essas eram para homologação para o Superstock, uma outra competição que acontece junto com a Superbike, mas que corre com motos quase originais.

Principais Diferenças entre as categorias: O quadro Na hora de fabricar, ou projetar, uma MotoGP, não é levado em consideração que essa moto tem de enfrentar buracos, longas viagens, carregar garupa, ter lugar para amarrar bagagem, e muito menos oferecer conforto para o piloto. O projeto é pura e simplesmente feito visando desempenho em pista. Já o regulamento da SBK impede qualquer alteração no quadro da moto, nem reforços, e nem alívios. Tem que ser conforme homologado.

As suspensões Na superbike podem ser mudadas tanto as suspensões dianteira e traseira, inclusive a balança pode ser trocada, mas mantendo o formato da moto original. Não podendo, por exemplo, colocar uma balança monobraço em uma Suzuki GSX-R1000.

Os motores Como foi explicado as Superbikes são derivadas de motos de rua. O que não quer dizer que para competir a equipe vai na loja, compra uma moto, faz a preparação e vai para a pista. Os fabricantes fornecem as motos, às vezes vendendo para as equipes, às vezes alugando, em forma de leasing, mas não são motos tiradas da linha de produção normal. Elas são construídas à mão. Uma a uma, peça a peça. Conforme a moto de rua, mas sem as limitações e tolerâncias da linha de produção. Isto, por si só, já garante uma diferença de desempenho entre a moto de rua e a de competição. Segundo informações não oficiais, as Honda CBR1000RR de superbike já saem de fábrica com pouco mais de 200cv no motor. Enquanto isso, na MotoGP, já estão falando em 280cv. Haja pneu pra por isso tudo no chão.

E por falar em pneus Aí também está uma das grandes diferenças de desempenho das motos. Na GP, cada equipe escolhe seu fornecedor de pneus, e os fornecedores chegam ao ponto de desenvolver compostos específicos para cada moto ou até, para cada piloto. E na SBK somente a Pirelli fornece os pneus, e são idênticos para todas as equipes. O número de pneus usados por fim de semana de corrida também é limitado na Superbike, o que não acontece na MotoGP.

Apesar de toda essa diferença, comenta-se que o grande trunfo em desempenho das MotoGP está nos pneus. Pois como o lema de um fabricante diz, potência sem controle não é nada. Mesmo tendo menos potência, as Superbikes têm atingido velocidades finais próximas as das motos de GP nas retas, e os tempos por volta tem se mantido com uma diferença entre as categorias por volta de 4s, em favor dos bólidos da MotoGP. O que mostra o quanto as motos de rua, de onde saem as SBK, evoluíram ao longo dos últimos anos.