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Teste da Suzuki Boulevard M800

Da série Boulevard da Suzuki, a M800 é o modelo de maior sucesso no mundo. Mas ela não é conhecida por esse nome em todos os países onde é vendida. M50, (porque são 50 polegadas cúbicas de motor) e VZ800 são os outros nomes que ela recebe ao redor do planeta. Se você se interessa por motos Suzuki, consulte o Guia de Motos do Motonline e veja a opinião de quem tem motos da marca.

Quando foi lançada seu nome era VL800 Intruder Volusia. Mais tarde ficou reduzido a Volusia apenas e tinha o design inspirado na VZ800 Marauder. Em 2005 recebeu injeção eletrônica e uma traseira inusitada, com uma lanterna de LEDs que lembrava aquela figura da sombra do batman. Nessa época também foram unificados os dois motores que havia (VL800 e VZ800) em um único conjunto para diminuir o número de peças e facilitar o processo industrial de fabricação da moto.

Suzuki M800 em movimento chama atenção com os grandes escapamentos cromados

Suzuki M800 em movimento chama atenção pelo porte e os grandes escapamentos cromados

Em 2010 recebeu um “face lift” onde o pára-lama traseiro foi modificado e uma pequena carenagem foi adicionada para o farol, definindo esse modelo avaliado. A M800 é uma custom que tem como grande característica a facilidade de uso e a simplicidade, sem abrir mão do estilo e conveniência. Na família há também uma versão “R”, M800 R, que tem o farol menos pronunciado e há uma capa para substituir o banco traseiro, o que dá um incremento no visual desta simpática custom.

O perfil da M800 mostra detalhes de uma custom clássica que não abre mão da tecnologia: eixo cardã e arrefecimento líquido dão resultado e ainda mantém o visual

O perfil da M800 mostra detalhes de uma custom clássica que não abre mão da tecnologia: eixo cardã e arrefecimento líquido dão resultado e ainda mantém o visual

Ao sentar-se na moto você percebe como o banco é baixo e, apesar do peso você tem pleno controle do peso da moto e de seu tamanho. Rodas de 15 polegadas na traseira e 16 polegadas na dianteira com pneus grandes e largos reforçam o visual robusto é possível sentir o peso no guidão ao manobrar no estacionamento e na preparação para sair.

A versão R tem outro farol, mais leve e uma rabeta que retirando o banco do garupa adiciona um visual mais integrado

A versão R tem outro farol, mais leve e uma rabeta que retirando o banco do garupa adiciona um visual mais integrado

Instrumentação simples, como na maioria das custom falta o conta-giros

Instrumentação simples, sem conta-giros como na maioria das custom

 

Motor – Ao dar a partida o som grave do motor em “V” a 45º agrada bastante. Logo na partida, com o motor ainda frio, a moto avaliada emitia um barulho mecânico que ao esquentar desaparecia. Consideramos normal, mas vale prestar alguma atenção a isso. Nas arrancadas, você solta a embreagem, de acionamento bem leve e precisa, a primeira marcha cresce rápido e a segunda é logo necessária assim como a terceira, quarta e a quinta. Assim, em cada marcha você passa um pequeno tempo utilizando-a porque logo acaba o torque e a próxima é solicitada.

M800 nas curvas, vai bem até o limite das pedaleiras - normal numa custom

M800 nas curvas vai bem até o limite das pedaleiras – normal numa custom

Essa sequência na aceleração é muito favorecida pelas grandes qualidades do câmbio. Um pequeno corte no acelerador, coordenado com um leve toque da alavanca de câmbio e as marchas passam muito rapidamente, sem necessitar uso da embreagem enquanto se desenvolve velocidade. Num instante você está na frente de todo mundo, na velocidade desejada. Dai em diante é só manter o ritmo e apreciar a paisagem pois o trânsito ficou para trás.

Em velocidades acima de 120 km/h a vibração, até então não percebida, começa a ser notada e a necessidade de um pára-brisa também, mesmo que seja bem pequeno. O vento começa a cobrar um grande desgaste de energia para o piloto se manter sobre a moto. Por sua vez, um garupa também vai gostar muito se tiver um encosto para ficar mais acomodado. Esses acessórios são quase mandatórios para essa classe de moto.

Chegando nas curvas a sensação é de muita segurança. Com um pequeno movimento no largo guidão a moto responde com a inclinação para o outro lado, resultado do contra-esterço muito bem definido. Assim é a resposta da sua ciclística, você determina a inclinação para mais ou para menos, com um leve movimento do guidão até o limite das pedaleiras com muita definição na pilotagem. Quando elas raspam a ponta do parafuso guia nas pedaleiras é porque está no limite e além desse ponto o chassi está sujeito a pegar no chão e não é recomendável mesmo estando ainda longe do limite dos pneus.

Mas essa é a natureza das Custom ou “Cruisers” como chamam os americanos. São motos extremamente baixas, verdadeiras cruzadoras do asfalto, devoradoras de milhas (aqui quilômetros), com uma posição baixa no assento, confortável para longos trechos.

Geometria de Cruiser, com longo trail e ângulo de rake pronunciado - Suspensão traseira ajuda muito na estabilidade por causa da longa balança

Geometria de Cruiser, com longo trail e ângulo de rake pronunciado – Suspensão traseira ajuda muito na estabilidade por causa da longa balança

A geometria segue o padrão das cruisers americanas, oferecendo grande estabilidade nas retas com muito conforto. O grande ângulo de ataque do garfo (Rake) associado ao longo entre eixos dá essa sensação de muito controle sobre a motocicleta, mesmo quando passa sobre piso irregular.

A bela suspensão invertida na frente dá boa estabilidade na moto em situações de asfalto ruim

A bela suspensão invertida na frente dá boa estabilidade na moto em situações de asfalto ruim

Suspensão – Para as condições brasileiras das estradas a M800 até que se sai bem. Os garfos invertidos apresentam um pouco de “grude” ou “stiction”. É um efeito da resistência das bengalas no início do curso de um movimento por causa do atrito. Você repara que passando sobre pequenos ressaltos na pista a moto responde com uma vibração correspondente.

Freios a altura do conjunto faz da M800 uma moto coerente

Freios a altura do conjunto faz da M800 uma moto coerente

Pode se tornar cansativo em longos trechos com essa característica, como trincas no asfalto, cantos vivos de pequenos buracos ou pedriscos. Nas grandes oscilações a suspensão mostra suas melhores qualidades. Absorve bem os impactos de todas as intensidades com muita precisão e progressividade graças às boas qualidades do garfo dianteiro e da geometria da suspensão traseira, que tem links conectando o amortecedor único. Essa configuração proporciona mais progressividade e o resultado é ser mais macia no início do curso e vai endurecendo conforme se aproxima do fim do curso.

Nessas condições o chassi também faz a sua parte, mantendo o alinhamento perfeito nas condições mais usuais de uso. Apenas nas piores condições do piso, combinando com as maiores forças aplicadas ao chassi, como em curvas acentuadas, em aceleração ou frenagem, se percebe alguma flexão. Mas nada que se apresente no uso diário de um motociclista.

Transmissão por eixo cardan garante silêncio, limpeza e baixa manutenção

Freios – Quando chega a hora de diminuir de velocidade ou parar completamente os freios se apresentam bem. A distribuição de peso mais para a traseira favorece o uso do freio nessa roda, que pode ser utilizado na maioria das situações, para ajustes menores de velocidade e ajudar nas pequenas correções de percurso. Para frenagens maiores, o uso dos dois freios, com a proporção mais na dianteira se faz necessário para um bom resultado. Os freios são bons, adequados a uma custom, mas o dianteiro não ofereceu a progressividade esperada e possivelmente necessita de alguma manutenção na unidade avaliada. A M800 vem com um grande tambor na traseira e um disco simples na dianteira.

Se você tem uma SUZUKI M800, opine sobre ela!
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devoradora-de-asfalto

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M800-perfil

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