Tecnologia dos Pneus (I)

Tecnologia dos Pneus (I)

Super esportivas e esporte turismo

O maior laboratório de desenvolvimento de pneus de motocicletas ou de automóveis sempre esteve nas pistas de corrida. Na MotoGP, por exemplo, a pesquisa e o desenvolvimento tentam superar os limites de tração e desgaste oferecidos pelos atuais pneus de competição. As fábricas usam de técnicas na construção e nos compostos de borracha buscando transferir a potência, várias vezes superior às motos comuns de rua, visando controlar o movimento das máquinas, também bem mais leves que as de uso cotidiano.

Atualmente com argumentos técnicos e aparentemente por motivação política, hoje apenas uma marca de pneu se aplica em cada tipo de corrida do Mundial. A MotoGP ficou exclusivamente por conta da Bridgestone, que em setembro de 2008 foi designada pela FIM como a única fornecedora oficial para os três próximos anos desta competição. Já na Superbike, a Pirelli foi quem ganhou a exclusividade.

Para nós, motociclistas do cotidiano, parece injusto estarmos sujeitos ao desenvolvimento tecnológico de um só fabricante, desfavorecendo a pesquisa das outras marcas e a livre concorrência, em um mercado naturalmente competitivo. Afinal, há vários outros fabricantes de pneus de qualidade. Podemos citar, por exemplo, a Metzeler, que se dedica exclusivamente à fabricação de pneus para motocicletas, e a Michelin, que tem presença marcante no nosso mercado, além de preços bem competitivos.

Apesar do monopolismo existente, tentarei abordar nesta matéria as técnicas de construção dos pneus mais utilizadas pelas categorias de motos de corrida, assim como os resultados que os fabricantes obtêm ao aplicá-las nas várias categorias de motos do mercado.

Nesta publicação, começaremos pelas classes Superesporte e Esporte Turismo e continuaremos com a próximas categorias nas matérias seguintes.

Com participação exclusiva no Superbike e com uma linha bem completa, atualmente a Pirelli é uma das marcas mais populares no Brasil. Entre seus pneus mais desenvolvidos, estão os da série Diablo Rosso – uma evolução da linha Diablo.

A utilização de compostos com alto teor de sílica faz com que a tração seja um grande diferencial nesse tipo de pneu. O modelo Diablo Corsa III (ao lado), conta com composição em três zonas distintas. Seu centro e ombros fazem com que a durabilidade em linha reta seja superior às condições de curvas acentuadas, onde o composto promove mais tração em detrimento da durabilidade. Isto não é problema, visto que, nas grandes retas em aceleração e frenagem, o centro do pneu é que sofre mais abuso.

Já o Diablo Supercorsa, derivado dos melhores produtos da marca, é um pneu de competição homologado para uso nas ruas e estradas. É um radial com cinta de fios de aço em zero graus tem grande capacidade de frenagem e dirigibilidade, aliada a uma boa resposta aos comandos do piloto, dado seu perfil otimizado, menos durável, porém mais focado na performance.

Fora da tabela de pneus especiais, os da linha Phantom já compartilham desta técnica zero graus, mas sem o duplo composto podem ser considerados mais em conta.

A Linha da Bridgestone, por sua vez, se mostra mais especializada em motos superesportivas e, talvez por se colocar na MotoGP, apresenta várias técnicas construtivas diferenciadas.

Construído com uma cinta dupla sobre uma cinta de Kevlar, o Dual Belt tem uma concepção revolucionária que mantém um alto nível de tração, potência rotacional e absorção de choques. A cinta dupla, uma em cada ombro do pneu, melhora tanto a tração nas curvas quanto a estabilidade nas retas.

Os compostos utilizados pela marca, também ricos em silício apresentam uma qualidade de tração mais abrangente no que diz respeito à temperatura de trabalho, mesmo no molhado, sendo mais vantajoso em pneus de ruas.

Já a cinta mono espiral compõe-se de um único fio espiralado na circunferência do pneu. Desta forma, elimina-se as múltiplas camadas de cintas com suas costuras e junções. O pneu MSB (mono-spiral-belt), mais leve que o pneu convencional de cintas cruzadas, gera menos calor e melhora a absorção de impactos.

Os melhores resultados estão na soma dessas qualidades. Para isso, a fábrica processa simulações num programa de computador em 3D, comparando várias situações de performance. Uma vez encontrada a melhor combinação de perfil entre pneus dianteiros e traseiros em várias condições de inclinação, obtém-se o máximo de estabilidade nas retas e a maior tração e estabilidade nas curvas.

O desenho em 3D também simula o funcionamento das ranhuras sobre as camadas de água resultando numa menor propensão à aquaplanagem.

Uma técnica exclusiva da Bridgestone, utiliza uma composição de borracha em duplo alinhamento molecular que permite ter em uma só faixa de banda dois comprimentos de moléculas, que vão resultar em tração diferenciada nos ombros do pneu com um centro de baixo índice de desgaste, tudo isso em uma banda contínua de rodagem. Assim, abre-se um novo caminho para desenhos mais amigáveis de ranhuras -de três bandas ou os de cinco bandas, duas mais macias nas bordas externas – que não comprometem o resultado do conjunto.

A linha Battlax da Bridgestone, que cobre toda gama de motos esportivas, desde as mais radicais até as voltadas ao esporte-turismo, utiliza várias tecnologias descritas acima. Bons exemplos são o BT003, mais radical para uso em circuito seco, e o BT016, que aceita um uso mais amplo, na rua seca ou molhada.

Na segunda parte dessa matéria cobriremos os pneus aplicáveis nas motos turismo, street e big trail. Até lá.



Pioneiro no Motocross e no off-road com motocicletas no Brasil, fundou em 1985 o TCP (Trail Clube Paulista), que organizou a 1ª prova de enduro tipo FIM (Enduro da Mentira). Desbravou trilhas em torno da capital paulista enquanto testava motos para revistas especializadas. É editor técnico e consultor no Motonline.