Bullet, porta de entrada da Royal Enfield - Foto: Gustavo Epifânio

Test Ride Royal Enfield: primeiras impressões

As primeiras especulações sobre a vinda da Royal Enfield para o Brasil geraram muitas dúvidas sobre os modelos que seriam trazidos e como tais motos se comportam em terras brasileiras. E agora, enfim, pudemos acelerar as motos em nosso chão e ver como elas se saíam! Na semana passada fomos convidados pela Royal Enfield para passar o dia inteiro rodando nos três modelos que já estão sendo comercializados por aqui, rodando em um percurso com cerca de 140 km que testemunhou a essência clássica prometida pela marca inglesa-indiana.

Continental GT, Classic e Bullet, os três modelos comercializados por aqui

Motos seguem a receita antiga da Royal Enfield – Foto: Gustavo Epifânio

Aceleramos entre as cidades de Itupeva e Serra Negra (SP), onde tivemos a oportunidade de enrolar o cabo com a Continental GT, a Classic e a Bullet. São modelos que remetem a uma época longínqua, da década de 50, nos possibilitando uma verdadeira viagem no tempo. Estamos falando de um tipo diferente de moto, destinada a um nicho específico, feito para quem curte um rolê com estilo, degustado sem pressa, sem olhar o relógio e se preocupar com que horas vai chegar. Eles definem isso como “Motopurismo”.

Seguindo sua receita de clássicas autênticas e ‘puras’, a Royal Enfield aposta na simplicidade e minimalismo, com motos de acabamento simples e mecânica bastante robusta. Apesar de estarmos falando de motos com 500 cc, não espere um desempenho arrebatador, pois essa não é a proposta delas. A ordem aqui é sentir o torque em baixa e apreciar a viagem.

Bullet, porta de entrada da Royal Enfield - Foto: Gustavo Epifânio

Bullet, porta de entrada da Royal Enfield – Foto: Gustavo Epifânio

O mesmo motor nos três modelos

O mesmo propulsor serve de base para Bullet, Classic e Continental GT. Ele conta com injeção eletrônica, é arrefecido a ar e trabalha em conjunto com câmbio de 5 marchas, embreagem multidisco em banho de óleo. Apesar das aperfeiçoes que o tempo trouxe, a Royal Enfield manteve algumas características da década de 50, como pistão com curso longo e engrenagem volante, responsável pelo torque em baixos giros.

Continental GT recebeu alterações no motor. Com 535 cc, oferece 29,1 cv - Foto: Gustavo Epifânio

Continental GT recebeu alterações no motor. Com 535 cc, oferece 29,1 cv – Foto: Gustavo Epifânio

A Classic e a Bullet utilizam exatamente o mesmo motor. São 499 cc, que oferecem 27,2 cv de potência a 5.250 rpm e torque de 4,2 kgf.m a 4.000 rpm. Já a Continental GT recebeu melhorias para corresponder ao apelo mais esportivo de sua proposta café racer. O motor sofreu diversas alterações para ganhar mais cilindrada e potência. Com 535 cc, ele oferece 29,1 cv a 5.100 rpm e 4,49 kgf.m a 4.000 rpm. É um motor que cresce de forma gradual, que não gosta de giros altos, mas saiba acelerá-lo que a diversão é garantida.

Tanto na Continental quanto nas irmãs os motores são monocilíndricos e vibram bastante quando exigidos em altas rotações, passando essa sensação diretamente para as mãos e pés. Quando atingimos altos giros a vibração atrapalha, inclusive, o ato de olhar pelo espelho. Mas a pegada dessas motos é outra e não adianta querer extrair o máximo de potência delas, afinal, elas não foram fabricada para isso. O divertido mesmo é jogar a quinta marcha e curtir o passeio sem preocupações.

Test ride da Royal Enfield Continental GT

A Continental GT foi a moto que mais me agradou durante o teste, em partes pelo seu estilo, em noutras pelo desempenho e posição de pilotagem mais agressiva. Nela as pedaleiras são posicionadas para trás, remetendo o estilo de uma autêntica café racer da década de 60.

Continental GT, autêntica Café Racer da década de 60 - Foto: Gustavo Epifânio

Continental GT, autêntica Café Racer da década de 60 – Foto: Gustavo Epifânio

Das três, a Continental é a que oferece maior performance. Ela é leve e ágil, e com seus 184 kg encara curvas muito bem. A moto é dotada de um chassi de duplo berço e rodas de alumínio, além de freios a disco nas duas rodas, assistido com pinças Brembo – que aliás, freiam a moto com eficiência. O sistema de suspensão utiliza garfo telescópico na dianteira e dois amortecedores Paioli na traseira. Ela é calçada com Pneus Pirelli Sport Demon. O assento é um tanto quanto duro e a posição de pilotagem, embora divertida, não facilita para trechos mais longos.

Como foi rodar nos modelos Classic e Bullet

Classic, estilo pós-segunda guerra mundial

Classic, estilo pós-segunda guerra mundial

Mecanicamente falando, não existem muitas diferenças entre a Classic e a Bullet, afinal compartilham o mesmo chassi de berço simples, motor, painel e freios. A Classic, como o próprio nome sugere, é mais clássica, com design do início dos anos 1950, consagrado no pós-Segunda Guerra Mundial. Ela é a mais confortável das três RE, mérito do mais que estiloso assento com molas e sistema de amortecimento. O banco na motocicleta testada é monoposto, mas no Brasil será oferecido assento do garupa como opcional.

A Bullet é a porta de entrada para a Royal Enfield, com o menor preço entre os três modelos: R$ 18.900. Tanto a Bullet, quanto ela quanto têm o guidão elevado e pedaleiras colocadas à frente, garantindo uma posição de pilotagem relaxada e ereta. Ambas empregam chassi que utiliza o motor como parte da estrutura, suspensão dianteira com garfos telescópicos de 35 mm e curso de 130 mm e suspensão traseira com amortecedores a gás duplos – com curso de 80 mm que se mostraram acertados para o uso na cidade, ignorando pequenas irregularidades do asfalto. Os freios também cumpriram o seu papel, com um disco único de 280 mm na dianteira e o sistema traseiro a tambor (bem que poderia ser a disco), com 153 mm.

Bullet, estilo Street. A única que vem de fábrica com assento para dois

Bullet, estilo Street. A única que vem de fábrica com assento para dois – Foto: Gustavo Epifânio

Conclusão

A Royal Enfield começa sua atuação no Brasil trazendo para cá três motocicletas honestas, que cumprem o que prometem. Elas seguem receitas dos anos 1950 e 60 à risca, com visual, construção e motores dignos do pós-guerra e dos pegas apostados em cafés ingleses, prometendo uma experiência de pilotagem diferente do que já tínhamos em nossas concessionárias. Portanto, apontam como opções interessantes para quem curte estilo retrô e não quer investir muito dinheiro. Agora resta saber como o mercado brasileiro vai reagir a essas novidades. E você, gostou?!

Classic, a mais confortável das três - Foto: Gustavo Epifânio

Classic, a mais confortável das três – Foto: Gustavo Epifânio

Preços da Royal Enfield no Brasil

  • Bullet 500: R$ 18.900
  • Classic 500: a partir de R$ 19.900
  • Classic 500 ABS: a partir de R$ 20.900
  • Continental GT: R$ 23.000
  • Continental GT ABS: R$ 24.500

Fichas Técnicas Royal Enfield

 

Bullet

Classic

Continental GT

Motor / Tipo um cilindro, 4 tempos, refrigerado a ar
Cilindrada 499 cc 535 cc
Diâmetro x Curso 84 mm x 90 mm 87 mm x 90 mm
Índice de Compressão 8.5:1
Potência Máxima 27.2 cv @ 5250 rpm 29.1 cv @ 5100 rpm
Torque Máximo 4,2 kgf.m @ 4000 rpm 4,49 kgf.m @ 4000 rpm
Sistema de Ignição Ignição eletrônica digital
Embreagem Úmida, multi-placas
Câmbio 5 marchas
Lubrificação Carter úmido
Óleo Lubrificante 15W 50 API, SL Grade & above, JASO MA
Alimentação de Combustível Injeção Eletrônica de Combustível
Filtro de Ar Elemento Filtrante de Papel
Partida Elétrica e pedal
Tipo Quadro com estrutura única, motor faz parte da estrutura Quadro com estrutura dupla
Suspensão dianteira Telescópico, garfo de 35 mm, curso de 130 mm Telescópico, garfo de 41 mm, curso de 110 mm
Suspensão traseira Amortecedores à gás duplos com 5 ajustes pré-definidos de carga, curso de 80 mm Amortecedores Paioli à gás duplos com ajuste de pré-carga, curso de 80 mm
Distância entre eixos 1360 mm
Altura em relação ao solo 140 mm 135 mm 140 mm
Comprimento 2140 mm 2060 mm
Largura 800 mm 790 mm 760 mm
Altura 1080 mm 1090 mm 1070
Altura do assento 800 mm 800 mm
Peso 195 kg 190 kg 184 kg
Capacidade do Tanque 13.5 litros
Pneus Dianteiros 90/90 – 19 100/90-18, 56 H Pirelli Sport Demon
Pneus Traseiros 110/80 – 18 130/70-18, 63 H Pirelli Sport Demon
Freio Dianteiro Disco único de 280 mm, pinça com 2 pistões Disco flutuante Brembo 300 mm, 2 pistões e pinça flutuante
Freio Traseiro Tambor único de 153 mm Disco único de 240 mm, pistão, com pinça flutuante
Sistema Elétrico 12 volt – CD
Bateria 12 volt, 14 Ah
Farol 60 / 55 W, halógena
Lanterna traseira 21 W/5 W


Jan Terwak

Publicitário, curte motos desde que se conhece como gente, é piloto de motocross, enduro, cross-country e trilhas. Empresta sua experiência no off-road para as avaliações de motos no Motonline.