Kasinski Prima Electra 2000 vai bem para percursos curtos na cidade

Teste Kasinski Prima Electra 2000

Kasinski Prima Electra 2000 vai bem para percursos curtos na cidade

Kasinski Prima Electra 2000 vai bem para percursos curtos na cidade

 Muitos dizem que é tendência. Alguns vão mais longe e afirmam que é inevitável e não vai levar mais do que 10 anos para elas serem realidade nas ruas dos grandes centro urbanos. Deixadas as profecias e adivinhações de lado, o desafio sempre foi tornar comercialmente viável um veículo elétrico, seja automóvel ou motocicleta. O tema é pesquisado há muito tempo e alguma iniciativas começam a se tornar realidade.

Uma delas é a Kasinski Prima Electra 2000, um scooter desenvolvido pela chinesa CR Zongshen e montado no Brasil na fábrica de produtos elétricos da Kasinski. Testada em condições de uso cotidiano, a Prima Electra enfrenta bem um grande desafio de uma cidade como São Paulo: subidas. Ela vai bem em qualquer aclive, mesmo mais acentuados, mas não se pode ter muita pressa. Aliás, na Kasinski Prima Electra nunca tenha tanta pressa, pois ela dificilmente supera os 40 km/h (medidos no GPS).

Painel da Prima Electra - todas as informações para melhor autonomia

Painel da Prima Electra - todas as informações para melhor autonomia

O uso na cidade, em trechos de velocidade mais baixa como vias locais, é a melhor forma de se conviver com ela. De maneira nenhuma recomenda-se avenidas e vias expressas. A Prima Electra 2000 carrega no seu corpo três baterias de chumbo-ácido, deixando-a mais pesada que uma scooter a gasolina. Mas o motor de 2000 Watts (2 kW) tem força suficiente para empurrar o condutor de até 90 Kg sem problemas. E o mais interessante é que ao ligar na tomada para carregar as 4 baterias de 35 Ah, gasta-se perto de R$1,01 a cada 100 Km. Ou seja, pouco mais de um centavo por Km (preço médio de energia elétrica residencial – fonte: Aneel). Nada mal.

Quem gosta de navegar sabe da diferença entre um veleiro e um barco a motor. Andar na Electra 2000 é como navegar num veleiro. Apenas o ruído dos pneus é notado ao se passar tranquilamente entre os carros no trânsito muitas vezes parado das grandes cidades. Andando nela, apenas o chiado do motor elétrico se consegue ouvir junto com o som dos pneus. É preciso estar atento e ter certeza de ser visto pelos motoristas ou mesmo um pedestre desavisado.

Na cidade

É na cidade que a Prima Electra encontra seu habitat. Condomínios fechados, ruas tranquilas e vias secundárias são os únicos caminhos possíveis e recomendáveis para se trafegar com ela com um mínimo de segurança, porque a velocidade máxima de 45 Km/h que ela atinge é baixa para trafegar com desenvoltura por ruas e avenidas de trânsito mais rápido.

Voltímetro indica a condição de carga das baterias e, em aceleração cai conforme a demanda e se recupera rapidamente, de acordo com a quantidade de carga e condições das baterias

Voltímetro indica a condição de carga das baterias e, em aceleração cai conforme a demanda e se recupera rapidamente, de acordo com a quantidade de carga e condições das baterias

Com o voltímetro verifica-se a carga das baterias. Como são quatro de 12 volts você tem a voltagem nominal de 48 V. Esse é o limite para se considerar as baterias carregadas. Ou seja, abaixo disso elas estão deficientes em carga, mas isso não quer dizer que se vai ficar na rua. Há outras condições: quando em movimento, o voltímetro indica como as baterias estão fornecendo energia ao motor. Se conseguem manter a voltagem alta mesmo com aceleração ao máximo, isso indica uma condição ótima de carga.

A vida útil das baterias são monitoradas com a voltagem máxima obtida no fim do ciclo de carga e o tempo que ela leva para se recuperar de uma demanda alta. Isso porque no uso normal, depois de um momento de demanda alta (uma ladeira, por exemplo), se as baterias estiverem boas elas voltam a fornecer a mesma voltagem em descanso rapidamente. Ao verificar que elas não atingem a voltagem máxima (acima de 50V) no fim do ciclo da carga, é bom preparar-se para a troca do conjunto de baterias. E esse é um custo pesado e que vai depender da qualidade e tipo de bateria recomendada pelo fabricante.

Botão para vencer as subidas maiores

Botão para vencer as subidas maiores

O amperímetro indica a demanda de energia que o motor está solicitando às baterias, conforme a posição do acelerador e resistência ao deslocamento, como numa subida. Acima de 60 amperes representa uma demanda alta que não deve ser suportada pelas baterias por muito tempo. Apenas em condições de subida íngreme solicita-se tanto consumo. Em condições ideais a demanda deve permanecer entre 30 e 60 amperes. Para condições especiais de subida em carga máxima, utiliza-se ainda do botão “turbo” no punho direito; um toque nesse botão e a amperagem aumenta por alguns instantes para vencer a subida. No entanto, a voltagem nessas condições também cai bastante, mostrando que as baterias estão “sofrendo” com a alta demanda de energia. Para maior autonomia deve-se evitar essas condições.

No punho esquerdo há ainda uma chave de três posições para um uso leve, médio e pesado. Para uso normal apenas a posição mais forte deve ser utilizada, a não ser que seja para uso interno em salão ou para um usuário aprendiz. A performance fica muito aquém do necessário para uso normal.

O motor fica no cubo da roda, não tem escovas e funciona em corrente contínua a 48 Volts

O motor fica no cubo da roda, não tem escovas e funciona em corrente contínua a 48 Volts

O motor é de corrente contínua, fica dentro do cubo da roda e não tem escovas. Então a aceleração é obtida por intermédio de um circuito chaveado que permite a entrega de potência proporcional à posição do acelerador. A velocidade é também proporcional à posição do punho. Se o acelerador está na metade do curso, a velocidade também será a metade da velocidade disponível.

Outra situação interessante é quando da parada em um semáforo. Para evitar o retardo natural do motor após o início da aceleração, podem ser usados os freios que, quando acionados, cortam o motor. A arrancada será mais rápida e a moto acelera com mais prontidão, como se fosse um avião preso apenas pelos freios, preparando a decolagem. Claro, reservadas as devidas proporções.

Avaliação técnica 

Ciclística

Para o tipo de veículo, um scooter urbano que atinge a velocidade máxima de 45 Km/h, a dirigibilidade está dentro do aceitável, mas com ressalvas quanto a estrutura da frente que flexiona muito sob as forças do freio que influenciam sensivelmente na estrutura da direção.

Suspensão

Novamente, para o que foi desenvolvido as suspensões atendem bem as necessidades do veículo. Melhor na traseira que tem os amortecedores duplos com ajuste na pré-carga. A frente sofre um pouco com os buracos das cidades mal conservadas.

Motor

O destaque na Prima Electra 2000 é o seu motor elétrico. Localizado no cubo da roda ele tem afixados na parte externa rotativa, os imãs permanentes do rotor e no cubo interno, preso no eixo da roda as bobinas elétricas. Tem torque suficiente para levar o veículo, condutor e um eventual passageiro sem dificuldade. Veja no diagrama como ele funciona.

Funcionamento típico do motor DC sem escovas

Funcionamento típico de um motor DC sem escovas: As bobinas são energizadas no momento em que os imãs estão na posição ideal para serem atraidos e repelidos pelo ferro das bobinas. Para sincronizar essa comutação, o registro de velocidade da roda é monitorado por um sensor que ajusta o comando para o tempo correto de comutação para as próximas bobinas

 

Freios

Freio a disco na dianteira tem potência de sobra para parar a moto mas poderia ter mais modulação

Freio a disco na dianteira tem potência de sobra para parar a moto mas poderia ter mais modulação

São potentes o suficiente para controlar a moto mas não tem boa modulação no dianteiro. O acionamento é pouco progressivo para modular corretamente.

Equipamentos

Os instrumentos do painel são bem importantes para monitorar a autonomia de cada carga e as condições das baterias e são bem visíveis e de fácil leitura. Os comandos do guidão poderiam ser melhor posicionados e a presença do cavalete central é bem conveniente, apesar de ficar bem vulnerável, pegando no chão em momentos inesperados. O bauleto convém pois o local abaixo do banco é totalmente ocupado pelas baterias, ferramentas e módulo carregador das baterias.

Tecnologia 

Tecnologia bem aplicada no sistema de propulsão elétrica. Poderia contar com componentes de melhor qualidade para oferecer uma ciclística melhor e freio dianteiro mais modulável. Mas no fim, é uma boa opção para o uso dentro das condições necessárias, a um custo por quilômetro bem atraente.

Acessórios

Sob o banco ficam as baterias, um kit de ferramentas e o carregador para as baterias

Sob o banco ficam as baterias, um kit de ferramentas e o carregador para as baterias

O conjunto de ferramentas sob o banco é bem completo e o bauleto com chave é bom, mas pequeno. O carregador não é bi-volt e isso é um problema, pois é necessário levar dois carregadores, um para cada voltagem. O tempo de carregamento das baterias é bem maior em voltagem de 110 V em relação à tensão de 220 V.

Ao preço de R$ 5.290,00 pode ser uma boa opção porque o custo por Km rodado tem um valor muito baixo, mesmo considerando a vida do conjunto de baterias de um ano e meio ao custo de R$ 600,00 para o kit de baterias (informação do fabricante). Dando uma carga por dia e rodando  50 Km/dia em 240 dias no ano, tem-se um custo total de R$559,08 contra R$783,00 de uma suposta moto a gasolina que faça 40 Km/litro sendo utilizada da mesma forma e trocando o óleo a cada 3000 Km (1 litro a R$15,00). Isso é quase 30% a menos no custo sem falar na ausência de emissões.

Obs.: Para facilitar a discussão sobre esse assunto, criamos um tópico no fórum para os motonliners.
Clique aqui para acessar o tópico.