Zero S a moto mais amiga do verde

Teste moto elétrica Zero S


Andar pela cidade com a máxima destreza, sem incomodar ou ser incomodado, na maior economia possível, sem emitir um grama sequer de poluição ao ar. Para se locomover pela cidade, ir e voltar do trabalho, casa de amigos, enfim para pequenos deslocamentos. Sem nunca passar por um abastecimento em posto de gasolina. O único serviço que vai usar de lá é a calibração dos pneus. Nem óleo precisa trocar.

Zero S a moto mais amiga do verde

Zero S a moto mais amiga do verde

Talvez ainda vá demorar alguns anos mais, mas tudo indica que as motos elétricas serão parte significativa da paisagem urbana. Uma das que já estão disponíveis é esta, a Zero S. Um modelo no estilo supermoto (SM) com motor elétrico impulsionado por uma enorme bateria de íons de lítio. É um sistema proprietário que a Zero chama de Z-force. Ele utiliza células de forma inteligente. Para o Brasil esse modelo disponível é de 2010 porque leva quase um ano para o importador homologar um novo modelo. Portanto é esperado o “novo” modelo 2011 apenas para o começo de 2012. Ficamos sempre um ano atrasado em relação ao que acontece lá fora.

Sempre ao parar, conecte o plug numa tomada para manter a bateria sempre em carga máxima

Sempre ao parar, conecte o plug numa tomada para manter a bateria sempre em carga máxima

Uma moto para o “comuter”, aquele que mora (e dorme) a certa distância (até 60 Km) do seu local de trabalho, onde passa a maior parte do dia.  Até pode pegar a moto para ir almoçar por perto porque ela pode ficar em carga todo tempo que ele está trabalhando. Cada período de 4 horas a bateria se recarrega completamente ao permanecer ligada a uma tomada.

Na cidade:

A primeira coisa que se percebe é o silêncio na arrancada – e que arrancada! Sem mudança de marcha alguma, a moto sai e após alguns segundos já é preciso diminuir a aceleração porque a velocidade já é bastante grande para a maior parte das ruas e avenidas. Nas velocidades atualmente regulamentadas nas vias das grandes cidades brasileiras, (50, 60 ou 70 Km/h) como na maioria das motos a gasolina, também na Zero elétrica tem-se que prestar muita atenção para não superar a velocidade máxima permitida.

O rodar continua silencioso até que aparece a buraqueira. Nessa hora se percebe como a transmissão por corrente é barulhenta. Sem o ruído do motor (apenas um chiadinho), quando a moto passa nos buracos a corrente bate nas peças que protegem a balança e essas batidas acabam por chamar muito a atenção porque é só isso que se ouve. Segundo o importador – Grupo Izzo – , a espera para o modelo 2011 (em 2012) se torna mais interessante ainda porque a corrente no modelo novo deu lugar a uma correia, completamente silenciosa.

A posição do piloto é como numa moto maior, um pouco inclinado para frente, mas com guidão mais largo que uma naked. Não espere muito conforto. O banco é reto, estreito e duro, como nas motos de competição Supermoto ou Motocross (SM ou MX).

Análise Técnica

Ciclística

Geometria rápida e nervosa, um pouco prejudicada pelo alto centro de gravidade

Geometria rápida e nervosa, um pouco prejudicada pelo alto centro de gravidade

Derivada do modelo off road da mesma marca, o chassi foi ajustado para esse modelo com o redimensionamento e calibração da suspensão e pneus. A troca da roda dianteira por uma de 16″ diminuiu o rake de 26,4º para 22º e a medida do trail diminuiu de 89 mm para 82 mm. O resultado foi que a moto ganhou muita velocidade nas respostas aos comandos do guidão, mas o alto centro de gravidade, motivado pela localização relativa da bateria, provoca uma reação que por vezes causa insegurança ao piloto menos acostumado.

O resultado não ficou ruim, mas dá uma impressão estranha as respostas do chassi na parte alta da moto. Essa, faz como uma moto de competição, as respostas são rápidas e precisas, depois que se acostuma a essa característica.

O motor funcionou bem até que parou; característica de eletrodoméstico

O motor funcionou bem até que parou; característica de eletrodoméstico

Motor: Andou muito bem durante o teste. Não sabemos se as condições em que recebemos a moto foi normal, em termos de uso anterior, revisões etc. Houve um fato que até hoje não nos foi esclarecido pelo importador. A moto nos foi entregue com aproximadamente 400Km.
No início do teste pegamos duas ou três subidas íngremes que abordamos seguidamente. No fim das subidas, paramos num semáforo e sentimos cheiro de queimado. Como havia um ônibus ao lado imaginamos que poderia ser ele, até que chegou a hora de sair do semáforo. A luz “Warning” estava piscando e a moto não andou.

Empurramos até uma padaria para tomar um lanche e ao sair dali, alguns minutos depois, a moto ligou normalmente, apagou a luz de atenção e passou a andar sem problemas.
No último percurso, voltando à redação do Motonline, após uma subida leve o motor parou, soltando cheiro de queimado. Só que dessa vez ele não recuperou após esfriar. Levamos na concessionária e aguardamos as notícias sobre o que ocorreu. O motor apresentou problema nas escovas e interrompeu o funcionamento. Isso é o que nos foi informado.
Na verdade ainda há bastante desenvolvimento nessa moto. A mais nova, que já se encontra no importador para homologação, já tem esse problema resolvido, inclusive com a nova transmissão mais silenciosa por correia.

Conjunto de bateria é o ponto alto da zero

Conjunto de bateria é o ponto alto da zero

Bateria:
Ponto alto dessa marca é a bateria. O conjunto de células de ions de lítio fornece uma energia excepcional ao motor, fornecendo ainda uma autonomia excelente para esse tipo de moto. Recupera rápido a descarga anterior carregando ao nível máximo em 3 ou 4 horas. Fica pronta para a viagem de volta do trabalho ou do passeio, que pode ter de 50 a 80 Km, dependendo da velocidade e quantidade de subidas do percurso.

Transmissão:
Transmissão convencional por corrente acaba por ficar barulhenta frente ao silêncio do resto da moto. O novo sistema por correia deve ser bastante interessante.

Freios:

Freio de primeira linha

Freios e suspensão de primeira linha

Muito bem dimensionados, o disco dianteiro tem dois pistões e as linhas hidráulicas, tanto do dianteiro quanto do traseiro com um pistão, são reforçadas em malha de aço, o que dá muita sensibilidade e força nas frenagens.

Suspensão:
Também derivada do modelo de trilha, as suspensões foram recalibradas para a rua e ficaram excelentes. Os ajustes de compressão e retorno do garfo invertido dá muitas opções de regulagem e na traseira também essas regulagens são fáceis.

Acabamento:
Apesar de todo equipamento ser topo de linha, como chassi, suspensão, freios, bateria e toda tecnologia envolvida, o acabamento das peças plásticas não coincide com a atenção dada a esses componentes.

Painel completo, em milhas ou km; interessante o símbolo da bomba de combustível

Painel completo, em milhas ou km; interessante o símbolo da bomba de combustível

Tecnologia:
Essa moto conta com boa tecnologia no que diz respeito a propulsão, bateria e sistema de controle para motocicletas elétricas ao preço de R$ 29.000,00. Claro que já existem sistemas que contam com freios regenerativos, que  carregam a bateria ao serem acionados, motores sem escovas e mais potentes e baterias mais leves. Essa moto se mostra como uma opção real, bem ajustada no preço e tecnologia aplicados.

Equipamentos:
Os controles são muito bons. Pedais usinados em alumínio, assim como várias outras peças como cubos de roda, aros,  linhas hidráulicas reforçadas em malha de aço inox.

Obs:Para facilitar a discussão sobre esse assunto criamos um espaço no final da página ou no fórum para os motonliners.