Teste moto Kasinski Comet 150

Teste Kasinski Comet 150

Moto com serviço

A Kasinski Comet 150 já mostrava que tinha todos os atributos necessários para disputar espaço no segmento base da pirâmide do mercado brasileiro – street de até 150 cc de cilindrada. Isso foi na apresentação em circuito fechado que aconteceu em dezembro. Agora, submetida a teste no ambiente para o qual está destinada, ela confirmou sua capacidade, apesar de oferecer mais serviço do que moto como destaques favoráveis para fazer sucesso.

Bom nível de acabamento chama a atenção; buzina dupla está escondida nas aletas à frente do motorA expressão “leve mais e pague menos” ou “pague um e leve dois” encaixam bem com a estratégia de venda da Kasinski para a Comet 150. As armas para transformar seu modelo no carro chefe da marca no segmento mais concorrido do mercado brasileiro são três anos de garantia, assistência 24 horas e seguro completo pago por um ano.

 

Somados ao preço de R$ 5.860,00 (média tabela Fipe), ela é uma alternativa muito interessante, sobretudo quando se põe na ponta do lápis e o resultado pode chegar a quase dois mil reais de diferença em relação ao modelo similar da líder Honda. O teste prático da Comet 150 nas ruas de São Paulo e em rápidas incursões nas estradas da região mostrou que ela pode brigar em igualdade de condições. É verdade que precisa de alguns ajustes, mas nada que comprometa o produto.

O bom farol se destaca no conjunto dianteiro e a diferencia das concorrentes

Na utilização clássica que se dá a este tipo de motocicleta – vai e vem intenso durante muitas horas todos os dias – ela se sai bem, oferece bom nível de conforto e o marcador de marchas com um dígito grande no alto do painel é um diferencial técnico importante. Nas arrancadas ela sai tranquilamente na frente………dos carros, mas não na frente das concorrentes. Onde foi possível acelerar, com piloto e mochila nas costas (cerca de 92 kg) ela não foi além dos 105 km/h. Destaque positivo para o pedal de freio emborrachado, que dá mais firmeza para o acionamento e ponto negativo para a falta de ganchos no bagageiro, o que dificulta prender qualquer carga.

Uso urbano

No uso diário na cidade ela se mostra um pouco sensível aos buracos e ondulações da pista. As rodas pulam e provocam pequenos deslizes que podem ser causados ou aumentados pelos pneus de fabricação chinesa. Em utilização um pouco mais ousada é necessário muita atenção a esta característica, que não chega a afetar a segurança, mas exige cuidado porque o limite está aí.

Comandos intuitivos, leveza e conforto facilitam; falta torque abaixo de 4 mil rpmEsguia e precisa, a Comet 150 manobra no meio dos congestionamentos facilmente. Porém, sente-se falta de um pouco de torque abaixo dos 4 mil rpm, o que leva o piloto naturalmente a “queimar” embreagem para elevar o giro do motor e aí surge o maior problema. A embreagem trepida, dando a impressão de desgaste prematuro e exigindo cuidado para não dar um salto repentino adiante.

Não é possível determinar se isso se deve realmente ao desgaste prematuro, a um erro de montagem do conjunto da embreagem ou à qualidade do material empregado. A moto testada estava com cerca de 600 km rodados e fica o alerta para a fábrica verificar o que ocorreu com esta unidade.

Em aceleração normal em pisos regulares de asfalto ela contorna com firmeza as curvas e assimila bem a força do motor acima dos 5 mil rpm. Contudo, nas frenagens a frente mergulha em excesso e transmite certa desconfiança para acionar mais fortemente os bons freios. Talvez seja o caso de dar mais progressividade na dureza da mola ou um volume maior de óleo nas bengalas, cuidando para não estourar os retentores. Assim ela “pescaria” menos.

Em baixa velocidade o controle é bastante facilitado pela leveza da moto e os comandos estão bem localizados e são encontrados de forma intuitiva. A posição do condutor é outro destaque positivo com o banco em dois níveis, o que oferece conforto também para o eventual garupa.

Nas estradas e rodovias

A maioria das motos dessa faixa de cilindrada não é projetada para um uso rodoviário constante. No entanto, é muito comum os motociclistas usarem suas motos neste ambiente. Então resolvemos considerar esse tipo de uso também.

Na estrada a pequena Comet até que se vira bem, mas não pode fazer disso uma rotina

A velocidade de cruzeiro fica bastante limitada pelos quase 13 cv de potência disponíveis no motor. A 100 Km/h – reais – ou perto de 118 Km/h no velocímetro, que tem erro de quase 18%, o pequeno motor já está se esgoelando na faixa vermelha. Nestas condições, o nível de vibração é grande – característica deste tipo de motocicleta. Difícil dizer se isso é bom ou ruim, pois depende da sensibilidade do motor em suportar excesso de rotação, mas de qualquer maneira ele entra com força na faixa vermelha e sustenta bem a rotação em velocidade máxima.

Com uma pequena 125 ou 150, nas grandes rodovias precisa-se manter a direita e prestar muita atenção na chegada de carretas e caminhões “atropelando” e pedindo passagem, o que não se deve negar. Uma saída providencial para o acostamento pode ser necessária. Fora essas questões comuns para esse tipo de moto ela aguenta uma esticada para uma outra cidade vizinha, desde que seja eventual.

Análise técnica


A Comet 150 é motocicleta padrão, de 150 cilindradas e segue um modelo quase universal. Monocilíndrica, quatro tempos como milhões em circulação no Brasil. A receita que deu certo vem sendo copiada por várias marcas e a Kasinski se aproximou da Zongshen para obter um modelo com qualidade suficiente e entrar na briga.

Chassi tipo Single Backbone usa o motor como peça estrutural como a maioria das motos da categoria

Ciclística

A pequena Comet 150 tem um chassi tubular com um único tubo como estrutura superior, o chamado Backbone, que desce por trás do motor formando sua estrutura posterior. Pela frente ele é fixado por um tubo que desce do canote da direção e assim acaba por fazer parte da estrutura. Ao verificar a ciclística não se pode deixar influenciar pela suspensão, que na frente se mostrou um pouco mole, criando oscilações e mergulho excessivo nas frenagens. As medidas do chassi e sua estrutura são ótimas e permitem uma pilotagem neutra e muito controlada.

A suspensão da frente, um pouco mole é fácil de resolver

Suspensão

Como já foi dito, a frente precisa de cuidados. Ela pode ser facilmente ajustada aumentando o nível do óleo e a traseira se mostrou bem equilibrada e com um bom amortecimento em 4 posições diferentes nos amortecedores. Pouca infuência há dos movimentos da suspensão sobre o chassi e assim a moto acaba por ter um bom comportamento nas curvas.

Motor

Motor monocilindro de 149 cm3 tem potência razoável e ótimas respostas para um motor carburado. Talvez já coubesse uma injeção eletrônica. Com diâmetro e curso de 62mm x 49,5mm favorece altas rotações, mas o pico de potência, 12,9 cv está em 8000 rpm e o torque máximo de 1,24 kgf.m se confere em 6000 rpm. Apesar disso ele entra com vontade pela faixa vermelha do contagiros e exige cuidado para não provocar excesso de rotação e a diminuição prematura da vida útil do motor.

Câmbio

A Comet 150 tem um bom câmbio de cinco marchas, os engates são rápidos e o escalonamento se encaixa bem nas rotações do motor, sem que haja hesitação ou falta de força durante a aceleração. No modelo apresentado ocorreu uma vibração intermitente na embreagem que pode ter como causa um excesso de calor provocado por mau uso (discos empenados). A posição da alavanca poderia ser um pouco mais próxima do apoio.

Freios

Ótimos freios, com o dianteiro a disco de acionamento hidráulico de um pistão e o traseiro a tambor. O pedal do freio traseiro tem ótima ergonomia e é emborrachado, o que permite uma boa sensibilidade na modulação e muita segurança no acionamento.

Acabamento

Excelente acabamento, a começar pela qualidade dos componentes selecionados de fornecedores, como cabos, borrachas e chicotes elétricos. As soldas do chassi são precisas e uniformes e a pintura está dentro do padrão de exigência do mercado brasileiro, com boa camada e brilho. As peças plásticas se encaixam bem e têm um visual bastante moderno

Equipamentos

Painel bem iluminado, de fácil visualização e moderno

O painel também dá um toque essencial de modernidade e tecnologia. De fácil vizualização a todos os instrumentos, o mostrador digital de velocidade e tacômetro analógico são bem iluminados à noite sem ofuscar o condutor. O conjunto do bloco óptico dianteiro destaca-se na Comet 150 pela luz de posição dianteira em LEDs azuis e pelo farol que oferece bom nível de iluminação. O bagageiro ser emborrachado é um ponto positivo, mas peca por não ter ganchos para amarração, o que dificulta a simples tarefa de carregar uma capa de chuva, por exemplo. O cavalete central adiciona facilidade ao estacionar.

Avaliação Motonline

Mais do que a motocicleta Comet 150, a Kasinski coloca no mercado uma solução muito interessante para o consumidor, quando adiciona mais dois anos na garantia e dá um ano de seguro pago com assistência 24 horas. A idéia sugere que, ao pagar para o consumidor o primeiro ano do seguro, item de custo elevado, os anos seguintes fiquem mais baratos, levando o consumidor a permanecer com o seguro da moto.

A Kasinski Comet 150 tem qualidades para desafiar as concorrentes japonesas (Honda, Yamaha e Suzuki), indiana (TVS-Dafra) e chinesas. O futuro vai dizer se a política comercial mais agressiva da Kasinski vai surtir resultado. Mesmo se tudo der certo, a Kasinski ainda tem o inconveniente de ter sua capacidade limitada de produção (1500 unidades / mês). Enquanto isso, a empresa confirma sua prioridade no pós-venda e no desenvolvimento da rede de concessionárias. A conclusão de tudo isso está no primeiro parágrafo lá no começo: Mais serviço do que moto!

Avaliação dos Motonliners

Da esquerda para a direita: Rodrigo, Silvio, Marcos e MichelMarcos José Vieira, designer, 48 anos, é motociclista desde os 16 anos e hoje tem uma Yamaha YS 250 Fazer;
Michel Fogaça Vieira, farmacêutico e bioquímico, 37 anos, é motociclista desde os 15 anos e tem uma Honda CB 300;
Silvio Mizumoto, acupunturista, 45 anos, é motociclista desde os 19 anos e tem uma Kasinski Mirage 250;
Rodrigo Alves, vistoriador de seguros, 24 anos, é motociclista desde 2007 e tem uma Honda CG Titan.

 

Ficha técnica

Dimensões e peso

Comprimento total 2060 mm
Largura total 780 mm
Altura total 1120 mm
Distância entre eixos 1320 mm
Distância livre do solo 170 mm
Peso a seco 134 Kg

Motor

Tipo 4 tempos monocilindrico
Capacidade volumétrica 149 cm³
Diâmetro e curso 62 mm x 49,5 mm
Arrefecimento a ar
Alimentação Carburador PZ27
Potência máxima 12,9 cv a 8000 rpm
Torque máximo 1,24 kgf.m a 6000 rpm
Lubrificação Bomba de óleo em carter úmido

Transmissão

Câmbio cinco velocidades
Transmissão final Coroa, corrente e pinhão
Partida/tipo de ignição Elétrica e pedal/CDI
Embreagem Multidiscos em banho de óleo
Acionamento da embreagem Manual
Bateria 12V/7Ah

Estrutura / Chassi

Rodas Liga leve
Freio dianteiro Hidráulico a disco
Freio traseiro Tambor
Pneu dianteiro 2.75/18
Pneu traseiro 90/90 – 18
Suspensão dianteira Telescópica
Suspensão traseira Balança bi-choque ajustável

Capacidades

Tanque de combustível 18,5 litros
Troca de óleo a cada 1000 Km
Volume de óleo no motor 1 litro
óleo da suspensão dianteira 155 ml

Outras informações

Cores Preto, Vermelho e Prata
Preço sugerido ao consumidor R$ 5.790,00

Consumo

Trecho Km percorrido Consumo (litro) Km/litro
Uso urbano 368,4 12,09 30,47
Uso urbano/estradas 113,0 3,53 32,05
Total/Média 481,40 15,62 30,83

Galeria de fotos

Obs.: Para facilitar a discussão sobre esse assunto, criamos um tópico no fórum para os motonliners. Clique aqui para acessar o tópico.

Outras matérias da marca: