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Teste XRE 300 – Será que aguenta um Enduro?

A Honda XRE 300 é uma moto para uso misto (on/off-road), que se sai bem tanto em rodovias asfaltadas quanto ao encarar estradas de terra. Quando testamos o modelo passamos por trechos de terra e verificamos sua aptidão ao fora de estrada em um uso moderado. Mas, e se fôssemos mais fundo, numa competição de verdade, como será que a XRE 300 se sairia em condições extremas?

Foi procurando uma resposta para essa pergunta e para colocar em prova esta vocação off-road da XRE 300, decidimos testar seu desempenho em uma das mais desgastantes e exigentes competições off-road do país, a Copa EFX Brasil, tradicional prova de Enduro FIM no País. Saiba como ela se saiu.

Teste

XRE 300 foi exigida ao máximo em nosso teste. Foto: Jan Terwak

Há algum tempo participamos de uma competição de Enduro com a XRE 190 e pensamos que seria uma boa ideia colocar a XRE 300 na mesma situação e ver como ela reage, comparando as diferenças. Quais reações, sensações, além do desempenho que a XRE 300 mostraria na terra, diferente de sua irmã menor, a XRE 190. Vale lembrar que a caçula foi muito elogiada por sua qualidade no fora de estrada, mostrando boa performance diante do uso severo do teste, destacando pontos positivos como ciclística acertada para os tipos de terreno, motor, freios, além de posição de pilotagem; assim como alguns pontos negativos também, como a baixa altura em relação ao solo.

XRE 300: hora de comprovar sua vocação off-road

Para quem não sabe como uma competição de Enduro FIM funciona, vou explicar. É uma corrida voltada para motos OFF-ROAD, com duração de aproximadamente 100 km, que mescla trilhas com inúmeras dificuldades, como morros, descidas, lama, atoleiros, cavas gigantes, pedras, saltos, diversidade de pisos entre muitos outros obstáculos. Os pilotos largam individualmente, porém ganha sempre o mais rápido na somatória dos tempos. Trata-se de uma modalidade que exige muito preparo do piloto, quanto mais da moto, que deve estar em perfeito estado para uma boa corrida.

A prova que participamos foi realizada em Mogi das Cruzes (SP), minha cidade natal, onde passei mais de metade da minha vida fazendo trilhas na região. Por isso, posso dizer que eu conhecia quase 85% do percurso, o que me ajudou na avaliação da XRE 300, pois como já conhecia a maioria dos caminhos eu estava mais livre para sentir e prestar atenção em todas as reações da moto em qualquer terreno e situação.

Terra na veia

Que o design da XRE 300 é condizente com uma moto fora de estrada nós já sabemos e o teste que avaliou a XRE 190 sob as mesmas condições já constatou o óbvio: a linha XRE da Honda aguenta o tranco. Claro que não são motos voltadas para competição, mas colocar as duas XRE no enduro (190 e 300) e ver como se saíram foi uma surpresa.

A suspensão da XRE 300 aguentou o tranco, até por saltos ela passou. Foto: Maurício Arruda

A suspensão da XRE 300 aguentou o tranco, até por saltos ela passou. Foto: Maurício Arruda

A XRE 300 sofreu algumas alterações para encarar as trilhas. O pneu original foi substituído pelo Rinaldi, 100% off-road, a relação foi alterada – usando coroa com 50 dentes – para extrair mais força nas primeiras marchas (torque), consequentemente perdendo em alta velocidade, a embreagem foi reforçada (discos e molas) e o paralama dianteiro foi levantado. A moto testada veio com freios sem ABS, versão mais recomendada para a terra. Os freios a disco na dianteira e traseira com respectivamente 256 mm e 220 mm assinados pela Nissin foram muito bem, cumprindo seu papel sem sustos.

Após encher o tanque e realizar alguns ajustes – pressão dos pneus em 14 libras, regulagem dos manetes e freio traseiro, estava pronto para o desafio.  A posição de pilotagem da XRE 300 agrada tanto no asfalto quanto na terra. O guidão está bem posicionado criando uma posição natural de ataque. As pernas ficam posicionadas, porém a grande carenagem do tanque atrapalha na hora das curvas mais fechadas, onde se faz necessário esticar o pé para frente – tradicional técnica para off-road.

Foto: Divulgação Adrenatrilha

Conjunto bem acertado para uma moto Trail. Foto: Divulgação Adrenatrilha

O motor DOHC (duplo comando de válvulas no cabeçote) gera 25,4 cv a 7.500 rpm e 2,76 kgf.m a 6.000 rpm (quando abastecido a gasolina), distribuindo potência e torque na medida correta para encarar os obstáculos impostos pela competição. Logo que subi na moto a diferença na aceleração foi sentida nos primeiros metros, já que com a coroa de 50 dentes a resposta da XRE 300 ficou muito mais incisiva, mais agressiva, porém continuou fácil de dosar. Em nenhum momento eu senti falta de torque ou força, como aconteceu com sua irmã menor, a 190.

Em duas ocasiões em particular senti uma reação incomum na XRE 300. As descidas que estou me referindo eram incrivelmente íngremes e faltavam tração. A alternativa nesses casos era colocar 1ª marcha, jogar o corpo para trás e frear simultaneamente o freio dianteiro e traseiro.  Nesses dois momentos a roda traseira começou a dar trancos, atrapalhando a frenagem. É como se a transmissão forçasse uma velocidade que não é aceita pelo chão.

Foto: Maurício Arruda

XRE 300 faz curvas bem na terra, porém as grandes aletas do tanque atrapalham um pouco a posição de pilotagem. Foto: Maurício Arruda

A XRE 300, como toda moto trail, tem uma ciclística muito bem acertada para transpor obstáculos. A relação entre comprimento X largura X altura, somada a distância entre eixos e o ângulo de caster favorecem trocas rápidas de direção e muita agilidade. A distância mínima do solo favoreceu diversos trechos, onde a XRE 300 passou sem dificuldades, porém quando o obstáculo era mais alto a moto sofria as consequências de uma pancada mais forte, porém nada que um pouco de velocidade a mais não resolvesse. Diferente da XRE 190, que me fez sofrer um bocado por ser baixa e ficar atolada.

O conjunto de suspensões me surpreendeu por sua versatilidade em todos os terrenos e tipo de uso. O sistema funcionou muito bem, fazendo de tudo para transmitir o menor impacto possível para o piloto e maximizando a tração nos momentos de acelerar. A XRE 300 é equipada com garfos telescópicos com curso de 245 mm na dianteira e na traseira o sistema é o tradicional da Honda Pro-Link, com curso de 225 mm, mais eficaz no amortecimento. A roda dianteira tem 21 polegadas e a traseira, 18, ajudando a minimizar os impactos. A suspensão foi bastante exigida na competição, já que passamos até por saltos.

Mesmo mostrando 146 kg na balança, o possível excesso de peso não apareceu em nenhum momento. Embora seja consideravelmente mais pesada que uma CRF 230F (que possui 108 kg), no momento em que colocamos a moto para rodar esses quilos a mais desaparecem, transmitindo uma imagem de moto leve e ágil. A XRE 300 é também uma moto estreita, magra, contribuindo para uma posição de pilotagem mais agressiva.

Foto: Maurício Arruda

A XRE 300 provê uma posição natural de ataque. Foto: Maurício Arruda

Conclusão

A corrida começou as 9h e se estendeu até às 15h, onde rodamos um total de 110 km, percorrendo quatro voltas no desafiador circuito da Copa EFX Brasil. Ao final, comprovamos o DNA off-road da XRE 300. Claro que não podemos comparar a XRE com uma moto totalmente fora de estrada, pois precisamos olhar sobre uma perspectiva diferente. A moto 300 é sem dúvidas aventureira, encara o que você quiser, topa tudo, a única limitação é o piloto. Vai andar na estrada de terra? Tranquilo. Precisa passar sobre um riacho ou lama? Sem problemas. Até encarar uma trilha casca grossa ela encara. A XRE 300 não é uma moto voltada para fazer trilha, mas mesmo assim ela se saiu acima das expectativas em nosso teste.

Ficha Técnica Honda XRE 300

Motor

Tipo DOHC, monocilíndrico, 4 tempos, arrefecido a ar
Cilindrada 291,6 cc
Diâmetro x curso 79,0 x 59,5 mm
Relação de compressão 9,0:1
Potência máxima Gasolina 25,4 cv a 7.500 rpm / Etanol 25,6 cv a 7.500 rpm
Torque máximo Gasolina: 2,7 kgf.m a 6.000 / Etanol: 2,80 kgf.m a 6.000 rpm
Alimentação Injeção eletrônica PGM-FI

Transmissão

Transmissão 5 velocidades
Embreagem Multidisco em banho de óleo
Transmissão final Por corrente selada
Chassi Berço Semi duplo em tubos de aço
Suspensão dianteira Garfo telescópico – 245 mm de curso
Suspensão traseira Monoamortecida tipo Pro-Link – curso de 225 mm
Freio dianteiro A disco / 256 mm c/ 3 pistões (C-ABS)
Freio traseiro A disco / 220 mm c/ 1 pistão
Pneu dianteiro 90/90 – 21
Pneu traseiro 120/80 – 18

Dimensões e peso

Comprimento 2.171 mm
Largura 838 mm
Altura 1.181 mm
Peso seco / Em ordem de uso 146 kg / ABS: 153 kg
Altura do assento 860 mm
Distância entre eixos 1.417 mm
Vão livre do solo 259 mm
Rake 26 º
Trail 109 mm
Capacidade do tanque 13,8 litros
Capacidade do cárter 2,0 litros

Sistema elétrico

Bateria 12 V – 6 Ah
Ignição Eletrônica
Farol (alto/baixo) 60/55W

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Jan Terwak

Publicitário, curte motos desde que se conhece como gente, é piloto de motocross, enduro, cross-country e trilhas. Empresta sua experiência no off-road para as avaliações de motos no Motonline.