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Teste Yamaha XJ6-F

No exterior ela é chamada Diversion e tem tudo a ver com esse nome. Diversão e economia, esse é o tema em torno dela. Como esporte turismo, pode ser uma moto mais em conta e ainda assim apresentável e apta a boas incursões nas estradas e rodovias do nosso país, com um ar de esportividade.

Com um desenho atual, ela lembra motos mais esportivas até do que ela, com as grandes entradas de ar frontal e o farol anguloso. Os espelhos se destacam bastante também e ficam bem posicionados, o que nesta classe de motos é um mérito.

Toda carenada, guidão não muito baixo, mantendo uma posição confortável - uma boa opção

Toda carenada, guidão não muito baixo, mantendo uma posição confortável; boa opção dentre as esporte-turismo

Guidão mais alto do que numa esportiva, essa moto tem bastante companhia na categoria. Kasinski GT 650 R, Suzuki GSX 650 F, Kawasaki Ninja 650 e numa faixa de preço um pouco acima, a CBR600 F.

Não é uma moto muito alta, embora seja bem encorpada. Sentando nela uma pessoa de 1,75cm já põe os dois pés no chão. A posição do guidão, levemente adiantada, combina com a proposta um pouco mais esportiva da moto, sem ser desconfortável e pode-se regular para maior adequação do piloto. A frente alta, com o para-brisa oferecendo boa altura tem boa atuação para desviar o vento frontal do piloto, podendo assim permanecer longas horas ao guidão.

Boas retomadas são consequencia do motor quatro cilindros derivado da FZ6

Boas retomadas são consequência do motor quatro cilindros derivado da FZ6

O motor, deriva da saudosa FZ6 e também da radical YZF R6. Mas tem uma pegada mais tranquila, respondendo melhor em baixas e oferecendo mais torque nessas condições, sem perder muito nas acelerações. De forma que as retomadas demandam menos esforço, trocas menos frequentes de marchas e uso menos intenso da embreagem.

Novo grafismo para 2013 nas cores branca e preta

Novo grafismo para 2013 nas cores branca e preta

A XJ6 N compartilha da mesma mecânica e ciclística. A carga sobre o garfo dianteiro é maior por conta de ter que suportar o farol e instrumentos

A XJ6 N compartilha da mesma mecânica e ciclística. A carga sobre o garfo dianteiro é maior por conta de ter que suportar o farol e instrumentos

De forma que essa é uma moto própria ao uso diário, que pode servir também no fim de semana, para passeios até mais longos e viagens. O conforto para um garupa também é satisfatório, considerando a classe da moto com boas alças para ele(ela) segurar ou amarrar bagagem.

A Yamaha produz com a mesma base, uma outra moto. A naked XJ6 N. Esses dois modelos compartilham motor, chassi, suspensão e equipamentos. A grande diferença está na frente que passa a ser suportada pela carenagem, na moto que testamos. Como toda carenagem é afixada no canote da direção, deixa o garfo e a direção mais leves para manobras mais fáceis e maior proteção contra as intempéries. Bastante conveniente também é o cavalete central.

O motor, como dissemos acima, deriva da FZ6, que por sua vez também compartilha componentes com o da YZF R6. Isso trás muita credibilidade e não é sem razão. Muito conceituado nas competições há vários anos e as motos de rua, que se utilizam da mesma tecnologia também são muito bem aceitas como tendo motores duráveis, de grande resistência e econômicos.

Motor derivado do da YZF R6 que recebeu modificações para ser mais versátil e econômico

Motor derivado do da YZF R6 que recebeu modificações para ser mais versátil e econômico

Para as XJ6 eles receberam modificações que direcionaram à  maior durabilidade, mais facilidade de uso, dando ênfase também na economia. A injeção é mais restritiva, os tempos da distribuição das válvulas são mais conservadores, o diâmetro e curso do pistão é menos quadrado, ou seja: tem um curso maior na XJ6 e a compressão é menor.
Esse é o resultado: Um motor com uma alma performática mas de boas maneiras, pode ser encarado como uma versão “civilizada”  do bestial motor da YZF R6.
Também no consumo as boas maneiras do motor vão se manifestar, permitindo números entre 17,8 e 18,5 Km/litro, bem razoáveis para  a categoria.

O câmbio de seis marchas é adequado à curva de potência e torque dessa moto. A potência máxima foi abrandada por conta do maior torque. Saindo da baixa, a aceleração é constante, mas o piloto pode achar que toma um tempo demasiado longo. Assim, como nas mais radicais, também na XJ6-F há a opção do uso mais intenso da embreagem, para manter o motor acima dos 6000 rpm para maior aceleração.

Chassi de dupla viga tubular tem o motor como peça estrutural

Chassi de dupla viga tubular tem o motor como peça estrutural

A embreagem se mostrou resistente e ao mesmo tempo leve. Seu uso ao levantar o motor para a faixa gorda de r.p.m. faz a moto sair com mais força. Então há essa opção de tocada mais esportiva na XJ6, mesmo com toda adequação ao custo baixo e facilidade na condução. Um bom meio termo.
Nessas condições o câmbio se mostrou muito competente, oferecendo trocas rápidas, leves e bastante intuitivas.

Chassi – Ele tem dupla viga tubular, como “backbone” e o motor faz parte da estrutura na parte inferior do chassi. Uma solução econômica e que garante uma base bastante estável para a ciclística. A longa balança permite também um bom trabalho da suspensão em manter uma geometria estável na dinâmica do trabalho da suspensão. No seu curso, a distância entre-eixos é pouco afetada por causa do grande arco que a roda tem para percorrer. Por outro lado, esse longo braço pode servir de um grande momento de força (alavanca) nas partes mais importantes da estrutura do chassi, logo atrás do motor. Em curvas e em maiores situações de stress lateral, pode-se perceber esses movimentos, mas para um uso não muito exigente isso passa despercebido.

Geometria própria de uma moto street, prioriza o conforto e boa estabilidade

Geometria própria de uma moto street, prioriza o conforto e boa estabilidade tanto em retas como em curvas. A grande dimensão da balnça traseira favorece estabilidade conforme a suspensão atua

Suspensão é bem calibrada, as duas absorvem bem as irregularidades sem transmitir choques ao piloto e o equilíbrio entre elas é perfeito. O ajuste na pré-carga da mola do mono amortecedor traseiro, fornece regulagem para compensar uma maior carga sobre essa roda, mas ele é conectado diretamente na balança, sem outras conexões e isso faz com que no começo do curso ela seja um pouco ríspida. Mas depois, ao longo do curso normal da suspensão ela trabalha bem. Um pequeno preço a se pagar pelo custo baixo, se é que de fato compensa.

Freios duplos na dianteira, com bom diâmetro, quatro pistões e boa atuação do sistema hidráulico. isso faz com que ele seja equilibrado na sua aplicação, muito previsível e com força bastante. O ajuste da altura do manete é bem-vinda para uma ação mais controlada do freio. O traseiro é servido por um único disco e pinça móvel de um pistão que tem boa potência também, mas por conta da característica pouco progressiva da suspensão, demanda mais cuidado para evitar travar a roda. Nessa hora o ABS pode fazer falta, mas então o preço poderia ficar inconveniente. A grande vantagem da XJ6-F é justamente o custo-beneficio. Mesmo assim, poderia ser opcional como no exterior.

Mercado: Os dados são comuns dos dois modelos das Yamaha XJ6 (F e N) e das CB600, conforme a tabela abaixo. – Fonte: Fenabrave

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