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Troca de peças para capacetes não é fácil

Texto de Gustavo Fernandes, jornalista e empresário do ramo de motopeças em Vespasiano (MG)

 

Muita evolução e modelos diferentes para todos os gostos, mas peças de reposição raras e muito caras

Muita evolução e modelos diferentes para todos os gostos, mas peças de reposição raras e muito caras

Muitas coisas mudaram para melhor, nos últimos 30 anos, no que diz respeito às práticas dos condutores de motocicletas no Brasil. A legislação, a fiscalização e a aplicação de multas colaboraram imensamente para que alguns costumes fossem incorporados ao dia-a-dia dos motociclistas brasileiros. O uso do capacete é o melhor exemplo destas mudanças positivas de comportamento provocadas pelas exigências do código de trânsito em vigor.

As empresas que fabricam, montam ou importam capacetes aproveitaram da situação e transformaram completamente o mercado, e passaram a oferecer uma variedade maior de modelos mais bem acabados e seguros. A maioria dos produtos autorizados para venda pelo Inmetro contam com viseiras de dois milímetros de espessura, cascos produzidos com material plástico muito resistente, engates rápidos nas alças de pescoço, forros internos removíveis para lavagem e pinturas com grafismos cobertos por verniz.

O melhor disso tudo é que os preços não acompanharam a evolução. Ao contrário, tornam-se mais em conta a cada dia. Mas nem tudo vai bem para o consumidor. As peças de reposição para capacetes são caras, sobretudo as viseiras, que chegam a custar 25% do valor pago pelo produto. Para uma peça que – ao contrário do que é informado pelo fabricante – risca com facilidade e tem que ser trocada por uma nova com regularidade para proporcionar segurança, o preço torna-se salgado.

O lojista fica com a má fama pela falta de peças e pelo preço abusivo

O lojista fica com a má fama pela falta de peças e pelo preço abusivo

O lojista passa por vilão nesta história, afinal foi na loja que o cliente comprou o capacete e ele espera que haja peças de reposição para o modelo quando ele precisar, a um preço que ele julgue ser justo. Haveria, se tais produtos fossem oferecidos pelas indústrias, importadores e distribuidores de capacetes de forma regular.

No anseio de tornar seus produtos atraentes em um mercado competitivo, as empresas lançam novos modelos não só com grafismos diferentes, mas com formatos de cascos e viseiras também diferentes. Em alguns casos, as mudanças são anuais. Para aqueles modelos que saem de linha, também é descontinuada a oferta de peças de reposição originais.

Já as fábricas de acessórios para capacetes – da linha chamada de paralela – não produzem os itens de todos os modelos comercializados no país, concentrando a produção naqueles mais vendidos. Tal estratégia produz uma situação curiosa, para dizer o mínimo: apesar das indústrias de capacetes terem se esforçado para evoluir seus produtos, os modelos mais vendidos não são os melhores, tampouco os mais atuais ou os mais baratos.

São modelos antiquados – alguns com mais de 30 anos – com acabamentos sofríveis e que utilizam viseiras de péssima qualidade. No entanto, são exatamente estes capacetes que têm maior disponibilidade de peças, inclusive viseiras – para reposição em qualquer loja e por um preço irrisório. Claro, tudo sob a regulamentação e controle do selo do Inmetro.