Foto: Conde Marcus von Oeynhausen-Sierstorpff

Um aristocrático autódromo na Alemanha

Foto: Conde Marcus von Oeynhausen-Sierstorpff

Foto: Conde Marcus von Oeynhausen-Sierstorpff

O conde Marcus von Oeynhausen-Sierstorpff, herdeiro de sétima geração de uma dinastia aristocrática alemã, ia assistir corridas no Mustang de Jacky Ickx, o piloto belga de Fórmula 1, então namorado de sua irmã. Hoje em dia corre com carros antigos e diante do estado falimentar de quase todas as pistas alemãs, quer fazer uma com uma interesante receita.

Não será uma pista para milhares de pessoas assistirem grandes corridas. O novo complexo, no local de um antigo depósito de munição do exército britânico no meio da floresta de Teutoburgo, no riquíssimo Estado de Renânia do Norte-Vestfália, receberá provas particulares, treinos de milionários que têm carros e motos raros, caríssimos, antigos e de competição. Mas ficando disponível também para as grandes montadoras e equipes de competição de carros e motos realizarem testes, e também para grandes lançamentos de carros e motos.

Porque o aristocrático piloto observou que as pistas de teste existentes costumam ficar com suas agendas lotadas. A demanda é maior que a oferta por toda a Europa. Bilster Berg, assim se chamará o autódromo, será uma boa alternativa especialmente porque o uso da pista será bem mais barato. Em vez de custar cerca de 50 mil euros por dia de uso, os preços de Bilster Berg seriam a partir de 15 mil euros.

Um aristocrático autódromo na AlemanhaO autódromo de Bilster Berg

Inferno Verde
A pista principal, de 4,2 quilômetros, será construída em uma propriedade de 85 hectares, que é pequena se comparada à dos novos autódromos no mundo. A revista Alemã Der Spiegel publicou reportagem, informando que traçado se compara ao lendário trecho Nordschleife (loop norte) de Nürburgring, apelidado de “Inferno Verde” devido à sua dificuldade em condições de corrida.

Como o Nordschleife da lendária Nürburgring, a área em que a pista de Bilster Berg está sendo construída também é coberta de mata e é igualmente montanhosa. Terá uma diferença de 70 metros de elevação entre trechos diferentes da pista. Além da pista principal, também haverá duas off-road, assim como uma chamada superfície dinâmica, contendo obstáculos de água e máquinas de deslizamentos, onde a segurança e os controles do veículo podem ser testados. Uns 30 galpões que já foram usados para abrigar tanques e armazenar munições serão transformados em oficinas e garagens.

Mas o circuito de Bilster Berg não pretende ser apenas um playground pessoal ou um refúgio para ricos entusiastas de corridas. Há muito dinheiro envolvido para ser apenas isso, diz o conde, que está investindo 34 milhões de euros no projeto. Uma parte do dinheiro vem de bancos e acionistas que recebem, por um “módico” investimento de 100 mil euros, 80 dias de pilotagem na pista por ano, além de parte dos lucros potenciais. Mas a maior parte do dinheiro investido é do próprio conde e todo o capital é privado, não há recurso público.

Não foi fácil aprovar
O conde piloto enfrentou muita resistência para levar seu projeto adiante, especialmente pelas questões ambientais. O autódromo de Hockenheim foi a última pista de corrida aprovada no oeste da Alemanha, e isso foi em 1932. Mas as permissões necessárias para a nova pista foram obtidas e até mesmo o lobby ambiental foi pacificado. O plano ambiental cobre de tudo, de uma torre para os morcegos até um lago para os anfíbios e o reflorestamento habitual, além do estabelecimento de um rebanho de gado selvagem especial, conta o conde, que pretende inaugurar a pista em 2012