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Um duro caminho a percorrer

Se nos transformássemos simbolicamente em Papais e Mamães Noel o ano inteiro.
Se toda nossa maior mobilização em prol dos menos favorecidos, favorecidos nestes dias por nossos sentimentos de fraternidade, bondade, compreensão, ternura, carinho e solidariedade, se estendesse por cada dia do ano.
Se nós em nossos “trenós” de duas rodas com dezenas ou centenas de cavalos como potentes “renas” fossem capazes de contaminar a todos com estes nossos sentimentos originários de um amor puro, sincero e verdadeiro ao próximo, e praticado por grande parte da irmandade motociclista.

Imaginem só.

Durante todo ano em dezenas de textos exprimimos as minhas e nossas paixões, esperanças, temores e valores morais acerca da vida no motociclismo e fora dele.
Algumas linhas que, ao longo de todas as semanas de 2011, surgiram de uma necessidade de expressão literária, guardadas as limitações de seu autor e quase como uma terapia, que hora se apresentava como crônica, em outras como poesia, conto e até novela. Todas da vida como ela é.

Olhando todo este retrospecto, imagino.
Imagino que não tenha sido em vão, imagino que precisamos continuar a acreditar na construção de um mundo melhor, mais justo e meritocrático com oportunidades iguais.
Imagino que temos um duro caminho a percorrer.

Não imagino, porque é fato, que 25% da população brasileira têm uma renda mensal de “até” R$ 188, e que 50% têm uma renda mensal que “não ultrapassa” R$ 375. Imaginem só.
Não imagino, pois afinal sabemos por órgãos competentes que o salário mínimo deveria estar, pra se ter uma vida com também um mínimo de dignidade, em R$ 2.194,76 desde janeiro deste ano. Não imagino que está nos míseros R$ 545.
Não imagino, de fato sabemos que urge há muito tempo a necessidade de uma melhor distribuição de renda, pois a pobreza de grande parte da nossa população é decorrente da desigualdade na apropriação da riqueza e da renda, por políticas públicas de concentração delas.
Imaginem só, os 10% mais ricos no Brasil detêm 75% da renda e da riqueza nacionais, e dentro desse grupo, estão 5 mil famílias que possuem 45% da renda e da riqueza nacionais.

Imaginem se ao longo do ano, em nossos “trenós” de duas rodas com dezenas ou centenas de cavalos como potentes “renas”, fossemos capazes de conscientizar esta super privilegiada parcela da sociedade e a desclassificada classe política com as suas políticas públicas o mal de tanto sofrimento e resignação da maioria da população.
Imaginem se fossemos capazes de persuadi-los da idéia real que melhor distribuição de renda gera mais oportunidades e melhores negócios pra eles próprios e mais arrecadação de impostos para amenizar a rigidez das políticas públicas.
Imaginem se os fizéssemos entender que melhor distribuição de renda permite a construção de uma sociedade mais evoluída e que usufrui de maior segurança, e que portanto, não haveriam de mudar para Miami, Mônaco, New York, Paris, … ou não estariam restrito a pilotar sua Ferrari somente no seu condomínio de alto luxo em São Paulo ou Rio.

Espero que sejamos capazes, pra que todos estes e tantos outros textos não tenham sido escritos em vão.

Nas andanças dos nossos “trenós” de duas rodas com dezenas ou centenas de cavalos como potentes “renas” por tantas comunidades carentes neste dias de profundos bons sentimentos, renovemos o nosso compromisso de viver e fazer a vida no motociclismo e no mundo valer à pena.

Imaginem se todos nós continuarmos com estas andanças e compromisso.

Um dia de fato não precisaremos mais imaginar.

Fonte de dados: IBGE Censo 2010 e DIEESE