Eu e a "Maria Antonieta"

Uma aventura emocionante pelo interior do Brasil

Texto de Kleber Ribeiro Cunha.

O que vocês lerão nas linhas a seguir é a história da uma viagem, de 22 dias que fiz no mês de agosto de 2013, rodando 5,489 km, à bordo de uma Yamaha XJ6, que chamo carinhosamente de “Maria Antonieta”. Foram, talvez, os momentos mais emocionantes da minha vida, vivendo de perto a realidade do povo brasileiro que vive no interior do país, passando pela linda costa brasileira, enfrentando desde o início o caos de nossas estradas, totalmente esburacadas,passando por trechos com alto índice de assaltos, entrando no sertão, vendo de perto a miséria no Brasil – a triste realidade da seca -, passando pela Chapada Diamantina e finalmente seguindo rumo ao Centro-Oeste, com destaque para a chegada a Brasilia em meio a protestos.

Vou contar em detalhes como foi viver essa realidade e sentir na pele a vida sofrida do nosso povo mais humilde e conhecer os ”diversos países” que existem dentro do nosso Brasil.

Eu e a "Maria Antonieta"

Kleber e a "Maria Antonieta"

Após a despedida dos familiares, o primeiro dia de viagem começou pela congestionada Marginal Tietê, em São Paulo. Logo,em seguida entrei na Ayrton Senna e lá na frente peguei a Dutra até o Rio de Janeiro, com destaque pra descida da linda e recheada de curvas fechadas Serra das Araras. Motociclista paga pedágio nas duas rodovias e a qualidade das duas dispensa comentários.

Chegando no Rio de Janeiro, travado no trânsito, vi uma realidade mais cruel. Conversando com um rapaz que trabalha no posto de gasolina, perguntei-lhe se ele tinha acesso a sinal wi-fi, ao que ele me respondeu que nem sabia o que era aquilo. Em seguida me respondeu que ele e os seus amigos nunca tiveram acesso à internet. Como pode um dos estados mais importantes do país excluir milhares de pessoas que vivem fora da zona sul, nos morros e periferia cariocas? Infelizmente essa e uma das realidades das capitais brasileiras. A partir daí, peguei muito trânsito proveniente da Dutra na Av. Brasil e em um trecho da BR 101. O dia chegava ao fim com 600 km percorridos, pernoitando na cidade de Casemiro de Abreu (RJ).

Onde há cobrança de pedágio as estradas são ótimas

Onde há cobrança de pedágio as estradas são ótimas

O segundo dia foi com destino ao Estado do Espirito Santo. A BR 101, até então pedagiada, estava perfeita e o calor já aumentava. Entrando no Espiríto Santo, a BR 101, muda de cara e começa apresentar curvas mais fechadas. Até Guarapari ela fica estreita e cheia de curvas. O número de caminhões é enorme. Chegando em Guarapari me apaixonei pelo que eu vi: encontrei-me com o “Jeguinho”, dos Bucaneiros MC, que me mostrou as belezas daquela cidade maravilhosa, com belas praias, tranquilidade e boa infraestrutura. Chegava ao fim o segundo dia. Fiquei por lá mais um dia e saí de lá encantado com a cidade.

Na sequência da viagem, vi, como eu esperava, uma estrada com mais curvas e muitos caminhões. Em um momento fui parar no acostamento depois de uma ultrapassagem criminosa de um caminhoneiro que estava indo para o Rio. Uma estrada perigosa, que não dá margem a erros, e sabia que ela pioraria ainda mais lá pra cima. Mas com prudência e responsabilidade, tinha em mente que isso seria irrelevante perto da beleza dos lugares que me esperavam. À noite, com os amigos capixabas do motociclismo, caminhando pela cidade, encontrei uma praça com forró e as pessoas dançando ao ar livre, cultura popular no Brasil. Depois de me apaixonar por Guarapari e a cultura capixaba, segui para uma passagem por Vila Velha e a capital Vitória, com destaque para a visita ao Convento da Penha, que se chega através da linda Rodovia do Sol (asfalto impecável e moto paga pedágio).

A visão de acidentes em estradas tão perigosas como as que andei é inevitável

A visão de acidentes em estradas tão perigosas como as que andei é inevitável

Essa história continua.  Para ler a segunda e última parte, CLIQUE AQUI