Uma declaração de amor às motos

O motociclista e piloto de rally, Alexandre Silva ‚ mais conhecido como escalador e dono da Casa de Pedra, com duas academias de escalada indoor, em SÆo Paulo; depois de ficar alguns dias com o p‚ machucado, dirigindo um carro, escreveu esta homenagem … sua moto.

Minha moto, meu amor.
Quem nunca andou de moto talvez tenha a falsa impressÆo de que um dia SÆo Paulo vai parar, pode achar que o trƒnsito piorou um pouco, mas est  sempre l , pronto para mais um engarrafamento.

Cada vez mais aparelhado de tralhas e passatempos para driblar o marasmo, o motorista eleva seu n¡vel de tolerƒncia, se acostuma com a situa‡Æo e vive dizendo que um dia SÆo Paulo p ra, s¢ nÆo percebeu ainda ‚ que j  parou.

Para n¢s, usu rios das duas rodas, SÆo Paulo nÆo p ra.

SÆo Paulo ‚ pequena.
SÆo Paulo tem cheiros e sabores outros, se nÆo a polui‡Æo e o barulho das buzinas.
Moto ‚ perigoso.
Moto suja.
Moto machuca.
Moto molha.
Moto ‚ roubada.
Moto ‚ coisa de bandido.
Qual motociclista nunca chegou a uma reuniÆo de neg¢cios com um capacete debaixo do bra‡o e foi grosseiramente recebido com a pergunta:  entrega?

Moto tem dessas coisas.
Mas cada um desses “pormenores” se apaga diante de uma hora a mais de sono por dia.
Apaga-se diante da economia de combust¡vel, da facilidade de parar “na porta”, em qualquer lugar.
Moto nÆo paga ped gio.
NÆo paga estacionamento. At‚ do radar d  pra escapar de vez em quando.
Moto ‚ transporte.
Moto ‚ lazer.
Moto ‚ tudo e mais um pouco.
Moto ‚ pra poucos.
Moto ‚ qualidade de vida.
Moto cura mal humor.
Moto ‚ amor.